Timidez na Escola

Acabo de ver pio de @profmichel, retuitando @NOVA_ESCOLA: “Como agir em sala de aula c/ uma criança tímida? Telma Vinha responde”. Copio a seguir a resposta da especialista em Psicologia Educacional de Unicamp.

Luci, inicialmente, eu procuraria saber se ela é tímida também em seus outros círculos. Na maioria das vezes, um estudante é quieto na escola, mas em casa, por exemplo, pode se mostrar à vontade. É preciso considerar, ainda, que alguns alunos são introspectivos sem que esse comportamento interfira em seu aprendizado e sua socialização. De qualquer forma, a criança que pouco interage precisa de intervenções construtivas. Ela considera demais o juízo do outro, mas no íntimo quer ser valorizada e reconhecida. Um ambiente de aprendizado acolhedor, aberto a diferentes opiniões, é benéfico para qualquer um, especialmente para ela. Evitar expô-la contribui para que se sinta seguro e aceita. É importante valorizar as tentativas de participação, descrevendo fatos e sentimentos: “Interessante, não tinha pensado nisso. Explique melhor a sua ideia”. Atividades em pequenos grupos e jogos cooperativos também ajudam na interação.

A resposta parece ver timidez apenas no plano psicológico. Mas, timidez pode ser também indicador de desconforto de alunos de classes populares diante dos valores escolares calcados numa visão de mundo que privilegia cultura da elite. Assim, para oferecer um contaponto ao modo como a questão é tratada pela especialista da Nova Escola, copio a seguir trecho escrito pelos rapazes de Barbiana em Carta a Uma Professora.

Há dois anos, no primeiro ano, a senhora me dava medo.

De resto a timidez tem acompanhado toda a minha vida. De menino não levantava os olhos do chão. Grudava-me nas paredes para não ser visto.

A princípio pensava que fosse mania minha ou quem sabe de minha família. Minha mãe é daquelas que se intimidam diante de um formulário de telegrama. Meu pai observa e escuta, mas não fala. Mais tarde acreditei que a timidez era mal dos montanheses. Os camponenses da planície me pareciam seguros de si. Os operários nem se fala.

Depois vi que os operários dão aos filhinhos de papai todos os postos de responsabilidade nos partidos e todas as cadeiras no parlamento.Portanto, são como nós. E a timidez dos pobres é um mistério mais antigo. Não sei explicá-lo, eu estou dentro dele. Talvez não seja nem covardia nem heroísmo. Acho que é só falta de prepotência.

Esse trecho sobre timidez, escrito pelos adolescentes da escola de Don Lorenzo Milani, me deixou muito impressionado. Ele é um alerta sobre a timidez dos pobres, sempre receosos de falar diante dos poderosos. A atitude não é, como pensam muitos, sinal de humildade. É, muito mais, sinal de medo. É sinal de algo que muitas vezes a escola ignora: ausência de uma educação que dê aos pobres a capacidade de dizerem a sua própria palavra.

O tema merece mais conversa, sobretudo a partir da crítica feita pelos rapazes de Barbiana à incapacidade dos professores em considerar as raízes da timidez dos alunos pobres.

Quem estiver interessado na Escola de Barbiana e no trabalho educacional de Don Lorenzo Milani, sugiro resenha de três livros sobre o assunto que pode ser encontrada em:

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