Share ou não share

O título deste post é uma expressão que gente de comunicação usa com frequência. Ela se refere à fatia de público que provavelmente consome ou vai consumir a notícia-mercadoria, a mercadoria, ou a propaganda de uma mercadoria. Em resumo: ela é a síntese da comunicação que se tornou escrava do mercado.

“Share ou não share” é o título de uma música de Paco Bandeira, cantor português.

Posto aqui considerações sobre “Share ou não share” por vários motivos:

  1. Revelar minha ignorância musical mais uma vez.
  2. Divulgar o nome de Paco Bandeira.
  3. Destacar, mais uma vez, um blog que merece ser lido: De Rerum Natura.
  4. Colocar aqui vídeo que mostra Paco Bandeira cantando a dita música.
  5. Divulgar a letra de “Share ou não share”.

Vamos ao primeiro item. Nunca tinha ouvido falar de Paco Bandeira. Ele é um importante cantoautor luso. Mas, como canta no idioma de Camões, não temos o privilégio de vê-lo divulgado por nossa mídia tupiniquim. Não preciso de muito falar sobre o segundo item. Este post inteiro divulga o nome de Paco Bandeira.

Vamos nos deter um pouquinho no terceiro item. Fiquei sabendo da existência de Paco Bandeira por causa de um post do De Rerum Natura, blog de um grupo português cuja finalidade maior é a de promover a razão, essa esquecida em nossos tempos de volta a crenças supersticiosas. Ler esse blog lusitano é sentir sempre um sopro de inteligência de gente que faz e vive ciência.

Inverto a ordem das coisas. Vou ao item 5. Aqui está a letra de “Share ou não share”:

«Viva Portugal do “deixa andar”
Viva o futebol cada vez mais
Viva a Liberdade, viva a impunidade
Dos aldrabões quejandos e que tais
Viva o Tribunal, viva o juiz
E paga o justo pelo pecador
Viva a incompetência, viva a arrogância
Viva Portugal no seu melhor

Refrão:
Viva a notícia, da chafurda social
De que o Povo tanto gosta
Espectáculo da devassa
Viva o delator sem fuça
É a morte do artista

Viva a pepineira do «show-off»
Dos apresentadores de televisão
Viva a voz do tacho de quem vem de baixo
Do chefe do ministro do patrão

E viva a vilanagem financeira
E a licenciatura virtual
Viva a corretagem, viva a roubalheira
Viva a edição do «Tal & Qual»

Refrão
E viva a inveja nacional
Viva o fausto, viva a exibição
Da dívida calada, que hoje não se paga
Mas amanhã os outros pagarão

Viva a moda, viva o Carnaval
olarilas, olarilolé
Viva a tatuagem, brindo à bebunagem
Que vai na Internet e na TV

Refrão
Calem-se o Cravinho e o bastonário
O Medina, o Neto e sempre o Zé
Viva o foguetório, conto do vigário
Que dá p’ra Aeroporto e TGV

Viva o mundo da publicidade
O «share» ou não «share» eis a questão
O esperto da sondagem, o assessor de imagem
Viva o fazedor de opinião»

Volto ao item 4.  Aqui está o vídeo:

Espero que alguém de comunicação passe por aqui e faça comentários. Há educadores que acham que um post como este nada tem a ver com tecnologia educacional ou educação. Afirmo que tem tudo a ver. Nossas últimas gerações são educadas muito mais pela mídia do que por escolas ou instituições parecidas. Assim, espero também comentários de profissionais de ensino.

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