Demografia e Educação

Faz tempo que li em jornais notícia de que muitas escolas de ensino básico foram fechadas na Espanha. A fenômeno aconteceu em povoados e cidadezinhas do país ibérico onde crianças são raridade. Por isso, algumas escolas com centenas de vagas estavam recebendo apenas poucas dezenas de alunos. Fecharam as portas. O governo investiu em transporte escolar para as poucas crianças de áreas rurais e vilas. Mas, mesmo nas grandes cidades muitas escolas viram seu número de alunos diminuir sensivelmente. Culpado: o baixíssimo índice de fertilidade das espanholas.

O fenômeno espanhol não é único. Está acontecendo em diversas partes do mundo. Isso traz consequências de todo tipo. Uma delas pode ser desinteresse da população pela educação básica. Vi sinais disso nos EUA no início dos anos 80. Em 1983, um analista observava em jornal de San Diego, cidade onde eu morava, que muitos adultos questionavam novos investimentos públicos em educação básica, pois não tinham e nem pretendiam ter filhos. Na mesma linha, parte da população da Califórnia não tinha qualquer interesse em discutir políticas relativas ao ensino fundamental no  estado.

Mas acho que a ficha ainda não caiu. Na imprensa, por exemplo, quando se fala em política educacional quase certamente o objeto de interesse é o ensino voltado para crianças. No imaginário de nossa sociedade, educação ainda é pensada como atividade voltada para as criancinhas. Para constatar isso, basta conversar por alguns minutos com alunos e professores de cursos de pedagogia.

Creio que a dinâmica populacional já deveria ter sido considerada nas políticas educacionais. Há necessidade de se considerar a educação de adultos. Há necessidade de se considerar a educação para idosos que ainda tem muita capacidade produtiva. Há necessidade de rever políticas ligadas a ensino universitário de modo que não se fique apenas em conversas sobre o grupo em “idade própria”, a parcela da população com idade  de 17 a 24 anos. As universidades já deveriam estar mais estruturadas para atender demandas de educação continuada dos adultos com 25 ou mais anos.

Meu amigo Sigfredo Chiroque acaba de escrever um texto interessante sobre demografia e educação no Peru. Ele aborda o fenômeno no  país andino e saca algumas consequências. Vale a pena ler o artigo do Chiroque e a partir dele estabelecer comparações com a educação no Brasil. Para ver o escrito do educador e sociólogo da educação peruano basta clicar sobre o destaque que segue:

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