Reprovação nas escolas

Faz muito tempo (por volta da primeira metade dos anos 70) que li uma análise sobre o ensino básico brasileiro examinando a questão da repetência. Em tal estudo, cujo nome e referência minha memória não consegue recuperar, o autor mostrava que nosso grande problema não era, como muitos pensavam, o alto índice de abandono dos bancos escolares. O grande problema, dizia o autor, era o elevadíssimo índice de reprovação dos alunos. Ás vezes, constatava o referido estudo, a repetência era registrada como desistência por causa de um tratamento estatístico equivocado.

O escândalo da repetência fez com que a maioria de nossos estados acabasse com a retenção dos alunos no final de uma ou mais séries de ensino. Na imprensa e no discurso de opositores de medidas que impedem excessiva retenção dos alunos, fala-se de “promoção automática”. Acho que essa expressão não faz justiça aos esforços dos sistemas de ensino. O que se quer é evitar a severidade de um entendimento tradicional que vê a avaliação como meio para punir alunos que não conseguem determinados índices de desempenho escolar.

As medidas para evitar repetência infelizmente não sanam os problemas que geravam altos índices de reprovação na educação brasileira. A discussão sobre causas do fracasso escolar não avançaram muito, pois ignoram questões relacionadas com educação e classes sociais. Não vou aprofundar aqui o tema da repetência ou da “promoção automática”. Citei-o apenas apra sugerir uma conversa que vá mais fundo. E tal conversa precisa começar pela questão do fracasso escolar. Esse fracasso tem dois sentidos:

  1. a escola, como a conhecemos, é uma fábrica de fracassados do ponto de vista cultural;
  2. a escola não consegue cumprir bem sua função de oferecer educação de qualidade para todos.

A questão do fracasso escolar tem soluções. Uma dessas soluções é a pedagogia radical de Don Lorenzo Milani, criador da Escola de Barbiana. Tal pedagogia anda meio esquecida nas faculdades de educação. Acho que já é hora de voltarmos a dialogar com Don Lorenzo Milani. As idéias e realizações desse genial educador italiano podem iluminar nossas conversas sobre reprovação e outros assuntos de interesse no mundo da educação.

Para contribuir com estudos sobre a Escola de Barbiana resolvi fazer um resenha temática de obras que falam da vida e obra de Don Milani. Essa resenha acaba de ser publicada e está disponível na Web. Interessados poderão vê-la no link que indico a seguir:

Ficarei muito feliz se prováveis leitores da citada resenha registrarem aqui suas opiniões por meio de comentários.

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3 Respostas to “Reprovação nas escolas”

  1. José Antonio Küller Says:

    Jarbas

    O link não remete para a resenha.

    Abraços

    Küller

  2. jarbas Says:

    Tenho amigos que não costumam comentar posts no blog. Preferem emitir opiniões via e-email. É o caso da Lucília Machado que acaba de enviar bonito texto que reproduzo aqui:

    Querido Jarbas,
    Boa-tarde!
    Li a resenha e gostei muito!
    Receba meus parabéns pela bela escrita e pertinência da iniciativa.
    O resgate da experiência de Barbiana faz todo o sentido pelos motivos já expostos no texto e por reafirmar evidências de que uma outra escola é possível.
    Quando li as Cartas a uma Professora há muitos anos atrás me ocorreu a associação das questões que elas trazem com a crítica social e proposições educacionais de Gramsci. Não teria Lorenzo Milani lido seu compatriota, filósofo revolucionário dos anos 20/30? A propósito, creio que o paralelo entre Gamsci e Milani daria um bom artigo.
    Sua resenha também cumpre o papel de nos apresentar Marvin Hoffmann e Miguel Martí, autores desconhecidos dos leitores brasileiros. Você bem que poderia sugerir a alguma editora a tradução destas obras. A grande filósofa da educação dos EUA, Maxine Greene, citada na resenha, que me parece ainda está viva, não é também conhecida por aqui. É outra que precisaria ter suas obras traduzidas para o português.
    Muito obrigada pela excelente e oportuna reflexão que sua resenha nos oferece!
    Vou encaminhá-la aos alunos e professores do mestrado que coordeno.
    Com meu carinhoso abraço,
    Lucília

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