Criança Feliz, Feliz a Cantar…

Este Boteco comemora o dia da criança. Mas, como fazer isso? Achei que um bom caminho seria o de falar de algo relacionado com a infância de meus filhos.

Meus herdeiros já são adultos. André, o mais novinho, tem 28. Taís, a mocinha do meio, chegou aos 30. Nara, a primogênita, fez 33 recentemente. Para pai e mãe, os filhos sempre parecem crianças. Talvez esse modo de ver os filhos seja uma fuga para não enfrentar a realidade de anos que passam velozmente. Afinal de contas, parece que foi ontem que íamos nos maravilhando com as descobertas de nossos herdeiros. De um dia para o outro, nos dávamos conta de que as crianças conheciam todas as cores e sabiam nomeá-las. Num outro dia, para nossa surpresa, a mocinha mais velha lia sem gaguejar frases inteiras.

Nara, minha filha mais velha, foi alfabetizada nos Estados Unidos. Aprendeu a escrever em inglês e acho que não sabia como grafar palavras de nosso idioma. Além disso, ela transitava de um idioma para outro sem se dar conta de que estava falando português ou inglês. Ficamos sabendo disso por causa de um episódio familiar.

Em casa, o papo corria solto em português. Falávamos das escolas frequentadas por nossas filhas. Nara começou a contar fatos acontecidos em sua sala de aula. Á certa altura, começou a contar as diabruras de um coleguinha pelo qual não tinha muita simpatia. Falava de coisas que o menino aprontava contra as meninas. A história chegou num ponto em que a professora entrou na roda para chamar a atenção do moleque. A narrativa de minha filha começou a acontecer em dois idiomas. Ao se dirigir a mim e a minha mulher ela falava em português. Ao reproduzir as falas do menino e da professora, ela utilizava o inglês. Ela não estava reproduzindo literalmente os diálogos ocorridos na escola. Automaticamente, quando os persongens tinham o inglês como língua nativa, não os via falando português. Por isso, a narrativa dela acontecia da seguinte forma:

O menino puxou o cabelo da Joeleen. Aí a professora disse:

_ Mike, don’t do that. I’m seeing you.

A narrativa em dois idiomas continuou até que não nos seguramos mais. Começamos a rir. Mesmo assim, minha filha não percebeu o que estava acontecendo. Para ela era natural falar português com os velhos e construir narrativas em inglês de fatos acontecidos com seus coleguinhas e a professora. Um comportamento típico de pessoas bilíngues. Mas, não me preocupo aqui com aspectos relacionados com idiomas. Conto essa história para fazer um registro de situação que curti na infância de meus herdeiros.

Em minha volta no tempo para rever meus filhos ainda bem pequenos, lembrei-me de outro episódio no qual minha primogênita foi personagem principal. Em 1983, o HBO passava um filme produzido na Austrália: Dot and the Kangaroo. As crianças adoravam Dot, uma menina que se aventurou na selva e conheceu diversos animais interessantes da fauna australiana. O filme combinava a paisagem natural de árvores, rios, lagoas com desenhos dos personagens. A música era suave, apoiando a narrativa com bastante sutileza. Nara, assim que o filme terminava, queria vê-lo de novo. Deve ter visto a história algumas dezenas de vezes e sempre chorava no final porque sabia que tinha de esperar um ou mais dias pela reprise.

No início deste post eu queria apenas fazer um registro do dia da criança colocando aqui a abertura de Dot and the Kangaroo. Mas, para contextualizar minha escolha tive que contar fiapos de histórias acontecidas na infância de meus herdeiros. Isso faz bem. Ao contar histórias, voltamos àquele tempo em que aprendíamos a aventura da vida como nossos filhos.

Para comemorar a data e as proezas de meus filhos, aqui vai o trecho inicial de Dot and the Kangaroo.

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