Velho!

Ando sem tempo e entusiasmo para escrever. Mas, há um registro de fato recente que não posso deixar para depois. A princípio, muitos poderão pensar que o texto que segue não cabe neste espaço onde os temas principais são blogues, educação e assuntos correlatos. Leitores que chegarem até o fim talvez entendam que o registro é pertinente.

Ontem estive na sede do Senac de São Paulo, instituição onde trabalhei durante trinta anos. Fui até lá para entregar um documento pessoal no setor de RH. Tratava-se  de um papel relacionado com mudanças ocorridas num dos benefícios que a organização oferece para seus aposentados.

Na portaria do edifício, me dirigi ao balcão onde dois ou três funcionários controlam a entrada das pessoas. Apresentei-me. Disse que era um aposentado da casa e precisava entregar um documento pessoal no RH. O atendente me pediu para dizer com quem eu iria conversar e ligou para o setor correspondente. A seguir, me pediu número de RG. Passei-lhe minha carteira de identidade. O sistema revelou que eu já estava cadastrado e deve ter mostrado uma antiga foto minha feita por câmara acoplada ao computador que registra entrada dos visitantes. Mas, o moço não ficou contente com tais confirmações. Voltou a me perguntar qual era a razão de minha visita.

Voltei a informar o motivo que me trazia até a sede do Senac. Voltei a informar que era um ex-funcionário que trabalhara na casa por trinta anos. Nessa altura, o moço me pediu o envelope que eu trazia para verificação. Tratava-se de um envelope com logotipo do próprio Senac, contendo documentos de interesse pessoal. Recusei-me fazer o que ele pedia, pois achei que a solicitação extrapolava as funções dele. As coisas quase chegaram a um impasse. Temi não receber o crachá de visitante, peça necessária para transpor a catraca na entrada do saguão do prédio. Fui salvo por outro atendente que talvez já me tivesse visto no local anteriormente. Recebi finalmente o “passaporte” para circular pelo prédio.

Há muitas considerações que podem ser feitas sobre o episódio. Uma delas é a de que os aposentados, ao perderem sua identidade funcional, veem-se como gente estranha em locais onde trabalharam durante décadas. O tema é bastante comum. Por isso, não vou tomar tempo dos leitores com considerações sobre identidade e aposentadoria.

Horas depois do episódio caiu uma ficha sobre a qual quero falar um pouco. Trata-se da interatividade em conversas com velhos. Queremos contar histórias. Queremos que saibam quem somos. Mas os interlocutores não estão interessados. Preocupam-se apenas com informações de caráter funcional, necessárias para tocar o serviço.

Ao pensar sobre o ocorrido, lembrei-me de um dos capítulos de La Realidad Inventada; Como sabemos lo que creemos saber?, livro de filosofia, coordenado por Paul Watzlawick, que aborda questões relativas à construção da realidade.  No capítulo Acerca de estar sano en um medio enfermo, David L. Rosenhan faz observações que talvez iluminem o episódio que acabo de narrar.

Rosenhan coordenou  investigação na qual um grupo de pessoas “sãs” consegue ingressar em hospitais psiquiátricos diagnosticadas como ezquizofrênicas. Durante a internação tais pessoas testam diversas situações relacionadas com encontros entre profissionais de saúde e pacientes de hospitais psiquiátricos. Interessa aqui o experimento de como são consideradas as questões corriqueiras no âmbito de conversações entre profissionais e pacientes.

Questões simples, do dia-a-dia, se perguntadas por “loucos” são desconsideradas. Os profissionais de saúde dialogam com os pacientes apenas em contextos de conversas com fins terapeuticos. Em outros contextos, gente “sã” não dá bola para as falas dos “loucos”. Veja a seguir, um trecho sobre a experiência que relata conversas informais de pacientes com o médico.

O encontro se denvolve frequentemente da seguinte e estranha maneira: Pseudopaciente: “Desculpe por favor, Dr. X, pode me dizer quando posso visitar o jardim?” Médico: “Oi Dave, como vai?” [E segue andando sem esperar resposta]. (p.111)

A pergunta do paciente é ignorada e o médico não pára, continua seu caminho sem dar atenção ao perguntante. Para mostrar que os diálogos podem ser diferentes caso as perguntas sejam feitas por pessoas “normais”, Rosenhan narra encontro (com teor de conversa análogo ao de conversas tentadas por pseudopacientes no hospital psiquiátrico) acontecido nos jardins da Universidade de Stanford. Um “visitante” (pessoa “normal”) aborda um professor de mediciana apressado. Faz-lhe diversas perguntas. Apesar da pressa, o professor pára e fornece ao interlocutor respostas adequadas. Acontece, no caso, uma conversa na qual tudo o que o visitante diz é considerado e merece atenção por parte do professor.

Volto ao episódio ocorrido na recepçao do prédio do Senac. Minhas informações de pessoa idosa foram desconsideradas pelo atendente. Parece que as conversas dos velhos são ignoradas de modo muito parecido com a falta de atenção com que os profissionais veem as perguntas dos “loucos”. E isso deve nos preocupar em termos de educação. Num futuro próximo, mais que trinta por cento da população brasileira será constituída por pessoas com mais de sessenta anos. Essas pessoas, no geral, querem contar história, querem ser ouvidas. Não se contentam com conversas que ficam exclusivamente no nível das conveniências funcionais. Parece-me, portanto, que profissionais de serviços, precisam aprender a conversar com os idosos. Esse meu alerta é uma observação para os tecnófilos que andam tão aflitos com uma educação para o século XXI. Acho necessário falar de competências futuras de modo muito concreto; e uma dessas competências certamente será a de escutar os velhos com empatia. Desde já agradeço a boa disposição de jovens que souberem escutar com interesse minhas histórias de velho.

Não escrevi este post para criticar o moço do Senac. Mas, se a instituição quiser escutar um palpite de idoso que lá trabalhou  durante trinta anos, sugiro que em treinamentos de atendentes de público seja considerada a necessidade de ouvir e entender os velhos.

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28 Respostas to “Velho!”

  1. gil Says:

    oi jarbas.
    vez em quando venho até aqui, bebericar e aprender. nao exatamente nesta ordem. daí vim e vi essa página. me despertou a atenção, inicialmente, a foto da placa. sou formado em comunicação visual, portanto, natural essa atenção. daí, após a foto, li o título e a exclamação também me convidou a continuar. graficamente gosto da força do símbolo – exclamação. e entao li seu texto. e tô aqui pensando e repensando a respeito. e pensando na lógica aleatória (para mim) das coisas. amanhã farei a abertura de um treinamento do pessoal de atendimento das unidades da firma! fui convidado a fazer esta abertura pela 2a, ou 3a vez, pelo fato de ser hoje gerente de operações – com o significado que se quiser dar a este termo, corporativamente falando. ano passado falei sobre gentileza, citando – até obviamente – o profeta do rio de janeiro e seus muros e palavras de ordem. e amanhã citarei, de alguma forma, seu texto, ou melhor, sua história. achei muito interessante e para mim, novidade. fiz 40 anos recentemente. e acho que, nessa idade, sou jovem e velho ao mesmo tempo. nao senti isso aos 30. nem, claro, aos 20. mas aos 40 tô sentindo isso. e que seja leve. obrigado e um abraço,

  2. Ivo Martins Cambui Says:

    Olá Professor Jarbas!
    Muito pertinente a simbologia e o texto primoroso, gostei!
    Quem sabe adotando placas identicas a ilustrada acima nas organizações e no trânsito sejamos ouvidos e respeitados.
    Um enorme abraço.
    Ivo

  3. Antonio Morales Says:

    Jarbas,

    Situações assim andam acontecendo comigo e com amigos meus acima dos 60 anos, pois por conta de minhas atividades na Associação de Moradores do bairro onde moro tenho, com uma certa freqüencia, de visitar repartições públicas com eles.

    Antes de ler o seu relato, confesso, não tinha atinado para com o problema. Apenas senti, várias vezes, um certo incômodo quando um jovem do outro lado do balcão nos despachava rápido demais quando, eu ou um de meus amigos nos alongávamos um pouco mais na conversa.

    Felizmente aqui na Unidade do Senac de Bauru isso não tem acontecido, pois como, acredito eu, há um número bem grande de funcionários de minha época, sou imediatamente reconhecido e tratado com muita atenção apesar, claro, de ninguém estar à disposição para ouvir “causos” mais longos.

    Acho que tem razão: é preciso que mais jovens aprendam a ouvir os velhos com empatia e mais paciência. Se não por motivos simplesmente humanos e de relação prazeirosa entre pessoas, que o façam por motivos profissionais!

  4. jarbas Says:

    Há quem prefira comentar via email. Quando isso ocorre, a conversa fica restrita. Para favorecer debate, costumo compartilhar o que recebo em privado sobre matérias aqui publicadas.

    Eis um desses comentários, enviado via email:

    Jarbas,

    Sensacional a analogia.
    Ainda não passei muitas vezes por isso, mas sinto que a moçada já começa a olhar diferente.
    Faço um grande esforço para não perder a paciencia e compreender os “atendentes”.

    Concordo com você, há que se desenvolver programas que contemplem essa competência.
    Para um mundo de mais compreensão e respeito.

    Aproveito para lembrar que todos chegarão lá, de uma forma ou de outra.
    Inclusive os que estão na ativa hoje na firma.

    Um abraço,
    Rosana

  5. Cleo Pisani Says:

    Caro Jarbas:
    Atualmente, as pessoas não sabem direito nem o que estão fazendo em seus postos de trabalho. Elas não têm história familiar, pessoal, política etc. e, por isso, têm dificuldade de entender o outro e o seu trabalho. Usam-no, muitas vezes para demonstrar um poder, que elas não têm, como foi o caso que aconteceu com você, já aconteceu comigo em outros locais e com inúmeras pessoas. Estão ali meio que de paraquedas e nem sabem disso. Não é que elas não ouvem os mais velhos – elas nunca ouvem ninguém, porque a capacidade de entender o que ouvem é quase nula. Isso é muito parecido com o que ocorre com a leitura. Quando dizem que os alunos, atualmente, não entendem o que leem, tá aí a resposta. Eles não conseguem ler e entender texto algum!!!

    Abraço

    Cleo

  6. Walter Zoccoli Says:

    Meu caro Jarbas.
    Nossos “tempos de casa” se parecem. Ingressei no SESC com 22 e sai com 57. Já se passaram quase outros dez. Depois de sair só estive na sede do SESC uma única vez (ainda era na Paulista). Enfrentei uma situação parecida com a relatada por voce. Lá pelas tantas saquei meu crachá de servidor, que eu guardara com orgulho e carinho. Mostrei, acrescentando alguns comentários… e fui liberado. E não voltei mais.
    Não deve acontecer só conosco mas com (quase) todos os velhos. E não só nas “casas”, mas nessas considero inadmissível. Sempre acreditei que quem zela tanto pela memória do comércio faria ainda mais pela própria memória, mas esta não incomoda, é estática, virou fotografia.
    Nós que somos a memória das casas ainda respiramos. E (pior?) pensamos. E verbalizamos.
    A moçada precisa de mais treinamento para exercitar o respeito.
    O caso do Tonhão é específico. Ele trabalhou anos lá em Bauru e se não fosse bem recebido deveria entrar na marra, distribuindo porrada.
    Será que existe possibilidade de mudança e melhoria?
    Não acredito.
    Com o passar dos anos estou mais chato, seletivo, implicante e, claro, incrédulo.
    Abraço grande.

  7. Darcio Says:

    Prezado Jarbas,
    Como aspirante ao time dos sexagenários e ainda na ativa aqui no Senac, quero lhe dizer que gostei muito da sua mensagem.A culpa de fato não é do “jovem” que o atendeu, mas de cuidados que temos que tomar com o preparo desse pessoal.Entendo a preocupação dele, pois temos tido reptidos furtos de note books aqui, mas, francamente, pelas repetidas imagens que temos visto dos que os roubam, você não se enquadra exatamente nesse perfil.Nem eu.
    Quanto à sua observaçao geral, vou ficar esperto para pelo menos tentar entender as relações comigo daqui para a frente…
    Grande abraço,

  8. Ana Says:

    Concordo com a Cleo! As pessoas nas grandes cidades (ou será que nas pequenas também?) estão padecendo do que chamo na brincadeira de “analfabetismo oral”, que é a incapacidade de compreender textos falados.
    Só com uma boa formação em casa e na escola as pessoas podem aprender a se relacionar, ouvir o outro (de qualquer idade!) e compreender o que o outro diz. Mas para isso é preciso aprender conceitos, palavras que exprimem tais conceitos, para depois ser possível formular raciocínios, expressá-los e compreendê-los.
    No caso que você cita, creio ter havido muito mais uma questão de “analfabetismo oral” do que de discriminação por idade; ou ambas as coisas. Mas acredito que qualquer uma dessas razões tem sua origem na educação que cada vez menos prepara as pessoas para o raciocínio, a flexibilidade, o colocar-se no lugar do outro, o compartilhamento de conceitos por meio de um bom vocabulário e o respeito, que são fundamentais para a boa comunicação humana. Quando a família e a escola falham, resta à empresa formar seus funcionários. Mas aí, talvez já seja tarde demais. Já pensou isso acontecendo todos os dias numa emergência de hospital? Beijos!
    Beijos!

  9. Dulce Seabra Says:

    É urgente tratar deste assunto, já que atualmente as famílias não são mais formadas por tantos membros e as pessoas crescem sem o convívio com os mais velhos.

    Entre as habilidades desenvolvidas quase sem se dar por isso estava a de saber “baixar a frequência” para escutar os mais velhos e beber da sua experiência, assim como baixamos a frequência para ler um livro de literatura ou para ouvir uma música clássica.

    Em nosso corre-corre, fast food, fast news, fast etc. é algo que precisa ser trabalhado, já que não se desenvolve mais em casa, com a naturalidade que o convívio trazia.

    Obrigada!

  10. Lucila Says:

    Olá, Jarbas!

    Em primeiro lugar, quero agradecer pela oportunidade de ler o seu texto, que traz tantas coisas sobre as quais precisamos, sempre, pensar. Assim como falta o tempo (ou a vontade) para ouvir, parece faltar também o tempo para pensar. São questões como essas que você aponta que nos mostram a necessidade de parar. Para escutar, perceber e pensar, antes de só agir.
    Beijo grande!!

  11. Angela Says:

    Jarbas,

    Tive somente um sentimento quando li o seu texto, o de tristeza, porque o que falta para as pessoas é educação. É o importa-se com o outro independente da idade e tratar com carinho e respeito cada ser que respira. Fica aqui registrado o meu orgulho de poder ouvir e ler um homem, que não tem idade, tão sábio.

    Abraços

    Angela

  12. Carlito Says:

    Jarbas
    Gostei do seu texto e de todos os comentários, principalmente o do Dárcio. Tanto a explicação quanto o compromisso de ficar “esperto” foram elegantes e gentis (desculpem a redundância, gentileza é sempre elegante).
    Creio, entretanto, que o problema das portárias não se restringe ao SENAC e aos sexagenários ou mais idosos; é frequente na maioria dos locais onde elas existem, independentemente da idade da pessoa a ser atendida, melhor, recepcionada. Parece até que a segurança só será eficente se praticada com rispidez e/ou grosseria. É claro que no local onde se trabalhou por mais de trinta anos, isso dói e dói muito.
    Abs
    Carlito

  13. Pablo Says:

    Caro Jarbas,
    Fico satisfeito se me tratarem com respeito. Se na minha relação de sexagenário com outros mais jovens ou mais velhos encontro empatia, aí já é a cereja no bolo, mas posso comer o bolo sem a cereja e gostar muito. Essa questão de tratar crianças, adultos e velhos com respeito não se aprende na escola, aprende-se no berço ou, então, levando bronca das pessoas maltratadas.
    Grande abraço – Pablo

  14. Sofia Says:

    Olá!
    Gosto muito, muito do seu blog e, por isso, estou passando para vc um selo de reconhecimento que recebi. Está no post que escrevi sobre isso:
    http://serprofessor.wordpress.com/2010/08/25/primeiro-selo/
    Obrigada,
    Sofia

  15. Letícia Says:

    Olá professor!

    Só tenho uma coisa a dizer: passe em minha sala, quando quiser conversar. Sabe que sempre estou disposta a conversar com você, pois isso para mim é muito enriquecedor. Bem, nem preciso dizer isso, mesmo porque sempre que paramos para conversar um pouquinho, ficamos pelo menos uns 15 minutos.

    Muitos beijinhos

    Letícia (sua ex-aluna e atual colega de trabalho)

  16. Dalva Dantas Says:

    Caro amigo Jarbas
    Li o texto e todos os comentários pertinentes avaliando a situação constrangedora!É tudo o que já comentaram:falta de preparo para a função, falta de cultura,falta de entendimento,falta de respeito e sobretudo, falta de educação!
    Enquanto os orientais educam as crianças mostrando o idoso como indivíduo a ser respeitado ,quase venerado, nós ocidentais…
    Porisso ninguem quer ser velho atualmente:tingir cabelos,cortes modernos,cirurgias plásticas,esteticistas,academias de ginástica, figurino jovial,tatuagem e por aí vai. Tudo vale pra permanecer ou parecer eternamente jovem. Não importa o ridículo! Ah! Não se esqueça de atualizar o vocabulário! Tá legal mano? Bjs. Dalva.

  17. Rodrigo Barato Says:

    Pois é , nossa sociedade ainda tem muito a aprender com as antigas comunidades africanas e indígenas , por exemplo.
    Em tais culturas os mais velhos são venerados como verdadeiros portais de sabedoria e respeitados a altura que merecem.

    Abração.

    • jarbas Says:

      Oi Rodrigo,

      Bom ver você aqui no Boteco. Bom também receber comentário seu. De resto, espero que a vida continue por bons caminhos. Sei que você está dando aulas de artes. É isso mesmo? Manda notícias. Abraço grande, extensivo à patroa e à herdeira,

      Tio Jarbas

  18. Eduardo Sposito Says:

    Jarbas, meu velho

    Há controvérsias. Nós que encaramos um momento da história onde a garotada da nossa idade dizia para não confiar “em ninguém com mais de 30”, ficamos meio de rabo preso.
    Lógico que eu agora com 65, já passei por muitas situações chatas: é só eu entrar em ônibus ou metrô que já vem um pessoal querendo ceder o lugar. Geralmente eu pergunto: “será que estou tão mal assim?” ou digo, “não precisa, eu sou moço, só o cabelo é que é branco.”
    O pior é quando alguem interfere: “dá o lugar aí pro tiozinho!” Acho tiozinho pior do que vovô.
    Porém, (e sempre tem um porém, como dizia o Plínio Marcos – que por sinal não envelheceu) acho que sou mais ouvido por jovens do que por adultos. Logico que não falo de conversa em bancos, repartições, recepções de empresas.
    Tive uma experiencia muito rica dirigindo uma escola/centro esportivo na periferia de Rio Preto (em 2008, quando eu tinha 63) e os melhores interlocutores foram as crianças e adolescentes. Tive um contato muito significativo, com aprendizado mútuo, com o pessoal do Hip-hop e com os manos e minas envolvidos na marginalidade. A dificuldade era com o pessoal de mais de 30 anos.
    Agora convenhamos, papo de velho é chato. Calma, quando digo papo de velho é desse pessoal que acha que já sabe tudo, que não tem mais sonho nenhum, que não quer enfrentar desafios, cheio de preconceitos, frases feitas. Encontrei muita gente na casa dos 20 anos assim.

    Com relação ao incidente que você narrou, o que mais me intrigou foi o sistema de recepção que a firma está adotando. Sempre me senti esquisito voltando por exemplo ao Senac de Rio Preto, onde trabalhei, e me sentir examinado por um jovem vestido de preto, terno e gravata (que eu nunca soube usar!) antes de ser admitido na recepção
    Quando comecei no Senac em Rio Preto, a unidade era um prédio totalmente aberto (hoje é cercado por grades). Dizia-se que o diretor da unidade queria cercar o prédio, mas o Amin, então diretor regional, não permitia para manter o caráter aberto do Centro de Formação.
    Bons tempos, como diriam os mais velhos. Mas isso não é questão de tempo. A classe média se sente encurralada então se fecha com cercas eletronicas. A ultima vez que fui a uma reunião de pais na escola estadual que meus filhos estudavam, a prioridade aprovada, com incentivo da direção, foi levantar mais o muro e colocar uma grade.
    Com uma educação assim cerceada, é lógico que agora ela faz falta.

    Eduardo

  19. Mario Sergio Cortella Says:

    Jarbas:

    Salve! Que pena que você precisou escrever essa pensata; que bom que você não desistiu de fazê-lo…

    Essa “miojização” da vida cotidiana está deixando as relações com a profundidade de um pires; tua pensata deve servir, sim, para que nós e os moços aprendamos o partilha da vivência e a reverência às histórias.

    MS Cortella

  20. Michele Laiber Says:

    Querido Prof Jarbas!

    É uma lástima que nossos “velhos”, como o senhor mesmo chama os idosos, sejam tão mal tratados, ou pior, desconsiderados.
    Penso que a situação relatada seja, tristemente, apenas mais uma entre tantas que acontecem diariamente. O que está acontecendo, ao meu ver, é uma falta de consideração pelo ser humano, uma descrença total, circunstância criada pela falta de amor, de respeito, de valores, de uma crença religiosa mesmo. As pessoas não tem mais tempo para si, para suas famílias, para seus amores, e muito menos para Deus. Aí, vivem focados exclusivamente para as ações mecânicas, para a quantidade produzida, esquecendo-se de fazer tudo com qualidade. E atender bem as pessoas, velhas ou novas, é questão, acima de tudo, de qualidade. Qualidade no trabalho, nas relações, qualidade acima de tudo! E isso não se aprende e não se ensina nos bancos escolares… esta é uma das funções da família! Outra instituição que merece atenção daqueles que a conhecem!
    Será que o mundo em que vivemos tem conserto?

    Michele

  21. Anna Paula Lima 1 APGN Says:

    Acredito que essa atitude não é a correta seja com idosos, jovens crianças ou adultos. A educação e o respeito devem ser dirigidos a todos sem distinção ou desigualdade. Que possamos tomar como exemplo e nos auto avaliar para que esse tipo de atitude não fça parte de nós. Concordo com voce quando diz que a empresa em questão deve trienar seus funcionarios nao so ela como todas.

  22. Gleice Cataldo Says:

    Querido Jarbas,

    Como você sabe, meu pai está com 95 anos e mora comigo aqui em Floripa.
    Semana passada fui com ele ao Banco do Brasil, na agência que ele recebe a aposentaria, todos os meses. Não satisfeitos em fazer com que ele tenha que renovar a senha e provar que está vivo a cada três meses, ele foi barrado pelo guarda da porta giratória para investigar a bengala que ele portava, pois o sujeito achou que poderia ter alguma arma escondida por dentro…
    É mole!!!

    Adorei o assunto. Super pertinente!
    bjs

  23. Liliana Penna Says:

    Jarbas,

    perplexa, mas não surpresa , e intimidada por pessoas tão “deliciosamanente” brilhantes que aqui trouxeram seus comentários…. deixo dois pequenos trechos de um livro que releio após 10 anos… “Os problemas de confiança assumem duas formas; numa, a confiança simplesmente está ausente, na outra há uma desconfiança mais ativa dos outros” “Não acreditam que possam confiar uns nos outros numa crise, e essa crença é correta. Ninguém entende as máquinas, as pessoas entram e saem em horários flexíveis; têm outros empregos e responsabilidades. Em vez de desconfiança mútua há uma falta de confiança; não há base para ela.” …

    E à Cleo; brilhante!

    um abraço.

  24. Cristiane matos da silva*1APGN* Says:

    Olá professor
    A falta de respeito e considerações com as pessoas idosas é muito gritante. Acredito sim que a população mais jovens olha para os idosos sem atenção, nao dando ouvido a uma pessoa que viveu talvez o três vez o número da sua idade e que tem tanto conhecimento para ser transferido.

  25. simone da cruz silva 1 apgn Says:

    Oi prfessor.

    Infelismente essa é uma realidade quevemos a cada dia que passa, são poucas pessoas que respeitam os “velhinhos” pois muitos esquecem que um dia iram envelhecer, é triste mas acontece muito hoje.

  26. Luiz Fernando Santos Says:

    Olá prezado Jarbas, como vai?
    Apesar de não fazer contato continuo leitor assíduo do seu blog, de onde tiro constantemente links para a seção Sugestões da Casa, que fica no lado direito da home do Boteco Cultural.
    Se faço contato agora é porque há algo de muito pessoal nesse post. Não havia como ser diferente!
    Mas vou meter minha colherinha torta: me parece que você atirou no que viu e acertou em outra coisa. Leio muito da lógica intransigente do mundo contemporâneo, dominado pela obsessão da performance e da segurança, claro, em sintonia direta com o poder corporativo que mastiga e cospe homens desprovidos já de sua humanidade. O genial Chaplin já nos falou disso.
    Sou solidário com você. Não deixe de escrever não! Continue nos iluminando com sua humanidade, cada contribuição como a sua é algo de inestimável valor no mundo atual. Não se abata com o estado das coisas.
    Abraços do amigo (ainda que virtual)
    Luiz Fernando Santos
    Beba da Cultura!

  27. Suelen 2º APGN Says:

    Olá Professor!
    Fazia um tempinho que não visitava este boteco e adorei este texto, muito importante o alerta feito.

    As pessoas estão preocupando-se muito com os jovens e esquecendo das pessoas idosas.
    Pessoas mais velhas nao querem contar historias, que sejam sem valor, mas sao de um dialogo enriquecedor e que contribui muito para o crescimento de quem as ouve.

    Certo que este rapaz nao o conheceu no tempo que trabalhou nesta instituiçao e por isso dessa form deveria ter mantido um tratamento melhor, ate mesmo por respeito e para manter um bom trabalho, com educaçao.
    Esperamos que as pessoas venham dar valor e respeitar os mais velhos, nao so em casos assim, mas como em lugares reservados, uma ajuda quando precisa etc.

    Um Abraço.

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