Gravuras e tipografia

Nestes tempos, em que copiar qualquer coisa virou banalidade, é difícil apreciar a arte das gravuras. A fartura de imagens nos fez perder sensibilidade para a capacidade muito humana de criar mundos por meio de desenhos, esculturas, pinturas etc.

Em tempos remotos, a capacidade de produzir imagens era venerada como um dom dos deuses, era vista como um ato de magia. Essa circunstância é ressaltada no romance clássico sobre os homens da era do gelo, Dance of the Tiger. O autor, Bjorn Kurtén, dublê de romancista e paleontólogo, mostra um herói admirado por sua capacidade de criar imagens, de animais, de pessoas.

Mesmo nos tempos históricos, imagens eram produções cercadas por muita admiração. Uma obra que aborda isso com muita propriedade é The Creators, de Daniel Boorstin. E o mesmo Boorstin faz um registro interessantíssimo sobre a invasão das imagens em nosso cotidiano no seu indispensável  The Image: A Guide to Pseudo-Events in America. Esta última obra é referência necessária para quem quer entender o impacto das tecnologias nos meios de comunicação a partir da segunda metade do século XIX.

As gravuras tiveram papel importante nas artes tipográficas. Aprendi isso muitos anos atrás quando trabalhei por alguns meses como componedor – ofício de pessoa que compunha textos com tipos móveis, colocando, linha a linha, letras e espaços num artefato de metal. Em tal artefato cabiam cerca de dez linhas. A gente aglutinava cada conjunto de dez linhas numa página com uma amarração de barbante. Embora eu tenha feito esse serviço por volta de 1962, a nossa gráfica tinha máquinas, tipos e outros recursos dos anos 30. Fazíamos “arte”, trabalhando eventualmente com imagens gravadas em materiais próprios para reprodução tipográfica.

Acho difícil que gentes da chamada geração Y, ou até mesmo de pesquisadores que criaram tal rótulo, consigam apreciar gravuras criadas para a impressão em revistas, livros e jornais. Mesmo assim, faço aqui este registro.

O que escrevi neste post tem tudo a ver com as gravuras que o acompanham. Elas são exemplares que colhi ao acaso de um site alemão que mostra ilustrações de livros infantis dos séculos XVIII e XIX. Soube desse material por meio de um pio de @carmenduran. Se você quiser ver e apreciar essas belezas, aqui vai a indicação:

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3 Respostas to “Gravuras e tipografia”

  1. Tweets that mention Gravuras e tipografia « Boteco Escola -- Topsy.com Says:

    […] This post was mentioned on Twitter by Jarbas Barato, Carme Durán. Carme Durán said: Muy interesante: "Gravuras e tipografia", en el blog Boteco Escola (vía @Novelino) http://bit.ly/bBiqT6 […]

  2. Editora Moderna Says:

    Olá Professor Jarbas,

    Parabéns pelo blog.

    Coloquei no nosso cantinho de Blogs que gostamos!

    Sucesso.

    Abraços,

    att,
    Fernanda Blondin
    Editora Moderna

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