Informalidade na academia

Há pouco entrei no Google para buscar algumas das resenhas que escrevi recentemente. No camino das buscas, encontrei a dissertação de mestrado do meu filho, Modelos para crescimento de superfície, defendida em 2006. É um trabalho em área bastante restrita da física: matéria condensada. Assisti a defesa. Nada entendi. De lá para cá muita coisa rolou. E o meu caçula deve defender por estes dias sua tese de doutorado na Universidade de Wurzburg.

Não entrei aqui para discorrer sobre as façanhas acadêmicas do André. Entrei aqui para registrar certa irreverência dele. Meu filho não gosta de formalidades, mas procura seguir os modelos recomendados. Assim, incluiu em sua dissertação o item Agradecimento. Mas o fez com certa ironia. Vejam o que ele escreveu:

Agradecimentos

Aos meus pais, Ana Cardoso Barato e Jarbas Novelino Barato, por muitas coisas.

Anúncios

2 Respostas to “Informalidade na academia”

  1. Franciele Bezerra Says:

    É realmente interessante encontrar alguém neste grau acadêmico e nesta área que utilize irreverência em uma dissertação,quando entramos em uma graduação começamos a ter uma preocupação maior com a formalidade de nossos textos,é um número tão grande de regras e padrões que as vezes deixamos de escrever do jeito costumeiro para fazer algo baseado no padrão de outros “consagrados”,ainda não sei bem se isso é bom ou ruim,mas ai pelos caminhos da vida eu acabo descobrindo =D.

    • jarbas Says:

      Oi Fran,

      Acho que as normas existem para orientar, não para aprisionar. Ás vezes, em nome da boa comunicação, é preciso romper com elas. Ou, quando houver brecha, brincar com elas. Esta última alternativa foi escolhida por meu filho. O agradecimento dele ficou muito melhor que o tradicional: “agradeço primeiro a Deus, depois a meus pais etc.”

      E fica a pergunta: é preciso agradecer em trabalhos acadêmicos?

      Volto ao rompimento com as normas. Estas já aprisionaram a clareza e feriram o estilo. Acho que está na hora de inventar coisas que mostrem usos ridículos de normas, às vezes bobas.

      Como dizia Lorenzo Milani, um de meus gurus, “a obediência não é mais uma virtude”.

      Abraço,

      Jarbas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: