Sala de Aula

Estou lendo School, de Catherine Burke & Ian Grosvenor, livro que aborda o tema arquitetura e educação. Precioso, como diriam meus amigos ibéricos. Hora dessas farei comentários sobre o livro todo ou trechos do mesmo. No momento, quero chamar atenção para a capa da obra.

Há duas figuras que ilustram a capa: uma mostra a fachada de uma escola modernosa, outra é flagrante de uma sala de aula de uns cem anos atrás. Esta última me chamou a atenção, pois é muito parecida com  as salas de aula que frequentei no curso primário do Grupo Escolar Coronel Francisco Martins, de Franca, SP, na metade de 1950.

Reparem nas carteiras, móveis para uso em duplas. Pesadas, nada confortáveis, inamovíveis. Até a disposição em três fileiras é muito parecida com as salas do meu saudoso Coronel Francisco Martins. Não sei quais os critérios que o professor da sala de aula fotografada utilizava para colocar os alunos nas fileiras. No meu grupo escolar éramos classificados em três seções: A (para os melhores alunos), B (para os alunos de desempenho médio) e C (para os alunos de desempenho fraco). A cada avaliação era possível mudar de fileira, dependendo da nota. Mas, o rótulo inicial tinha enorme poder preditivo. Não me lembro de ninguém da seção C que tenha migrado um dia para a seção A.

Há muito mais o que considerar a partir da arquitetura de interiores da sala de aula que ilustra a capa de School. Mas, prefiro parar por aqui. Vejam a figura e elaborem suas próprias conclusões.

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10 Respostas to “Sala de Aula”

  1. Eunice Carvalho Says:

    As fotografias no propoem uma interpretação no mínimo instigante, mesmo considerando os avanços da arquitetura moderna, as concepções sobre ensino-aprendizagem, ainda estão distrcidas. Com você mesmo relatou em seu comentário, nunca testemunhou um aluno da categoria C migra para a categoria A. O que não me surpreende também, pelo simples fato, de que os alunos rotulados por seu baixo desempenho deveriam estar na primeira fila ou em qual uma delas. O que deve-se pensar desde épocas passadas até hoje é que não há uma preocupação voltada a aprendizagem, mas apenas para o ensino. Isto infelizmente é lamentável.

  2. Grupo Escola, Curitiba « Boteco Escola Says:

    […] Escola, Curitiba Por jarbas Segue aqui um complemento fotográfico sobre meu post Sala de Aula. Naquele texto falei sobre o grupo escolar onde estudei, o Coronel Francisco Martins, de Franca, […]

  3. jarbas Says:

    Tem gente que não gosta de escrever comentários em blogs. Minha amiga Cleo é uma delas. Por isso reproduzo aqui mensagem que ela me enviou via email sobre este post.

    “Jarbas: Que lindo!
    Ai que saudade que eu tenho
    Da aurora da minha vida
    Da minha infância querida…

    No Grupo Escolar Cel. Paulino Carlos, onde fiz o primário, em São Carlos, prédio localizado no centro da cidade, obra de Euclides da Cunha – veja que chic! – as carteiras eram individuais e não havia divisão A, B, C na sala. As classes eram montadas por ordem alfabética e as carteiras organizadas como na foto. Ah, quanta coisa legal aprendi naquele grupo!!!

    Beijo

    Cleo”

  4. Eduardo Sposito Says:

    Jarbas,
    E lá vou eu. Olhando as duas fotos, se eu tivesse que escolher, escolheria a escola do passado. Me parece dificil qualquer emoção naquela estrutura fria e de alta tecnologia. Seria a diferença entre entrar num boteco e num desses macdonalds da vida.
    Se voce tiver aquela situação de um professor e 20 ou 40 alunos sentados durante 4 horas, tanto faz a parafernália tecnológica que voce usar: não se ensina nada.
    Um aluno aprende, apesar da sala de aula, se houver outros componentes, outras relações que o estimulem. Me lembro de um monte de coisas da escola primária, mas muito pouco da sala de aula. Começava desde a saída de casa, a ida e a volta em grupos, os recreios, a merenda,as festas.
    Só fui entrar no Grupo Escolar no 4º ano primário. O bairro em que eu morava – o Mandaqui, na zona norte de São Paulo – não tinha grupo escolar. Isso no começo da decada de 50.
    Então fui alfabetizado na Escola da Dona Antonieta, que não era reconhecida oficialmente. Não lembro muita coisa, mas sei que me sentia muito bem e devo ter aprendido bastante, pois quando fui para uma escola oficial (que também era particular) já entrei no segundo ano.
    (Essas escolas deviam ser baratas, pois meu pai era lavador de carro e estudavamos eu e minha irmã.)
    Era a escola da Dona Mafalda, que também me deixou gratas recordações.
    Sei até hoje a letra da música que nós cantávamos, com a melodia de “Oh! Suzana”
    “Quando eu vim para essa escola
    Tinha cabeça vazia
    Não sabia tabuada, não escrevia e nem lia

    Mas a minha professora foi aos poucos me ensinando
    Hoje já sei ler no livro, já estou multiplicando

    A escola é quase como o lar
    E a nossa professora nós devemos respeitar”

    E eu nem conhecia a musica americana. Pensei que ela imitava a que nós cantavamos na escola.
    Uma das atividades escolares que mais gostava era a descrição: colocavam uma figura impressa num cartaz na parede e você tinha que inventar 20 frases sobre o que você estava vendo. Me lembro que a vigésima era sempre essa: “O céu está azul e muito bonito”.
    Ah! e tem a poesia que a filha da Diretora, a Zilah declamou no sete de setembro. Começava assim:
    “Sete de setembro, dia de novidade
    duas moças carecas passeando na cidade..”

    E voce acha que a gente ia estar preocupado com as carteiras.

    Só em 1955 é que fui fazer o quarto ano num Grupo Escolar do Estado, pra receber o diploma. Lembro até hoje o nome da Professora: Lauricilda B. Carvalho. E tem a tradicional foto com o Mapa do Brasil atrás e a foto de formatura com a turma toda.
    A escola porém ficava em outro bairro – Agua Fria – a uns dois quilometros de casa e a gente ia a pé. Lembro de um dia que achei um relógio de pulso e passei a usar.
    Tem uma cartilha dessa época que tem uma quadrinha, mais ou menos assim : “Achei um relógio, gritava Janjão
    Pulando e cantando com ele na mão”

    Deve ter havido aquelas aulas chatas, mas não me lembro.
    A criançada que frequentar aquela escola modernosa acho que não vai passar por isso

    Eduardo

    • jarbas Says:

      Caro Edu,

      Quero dar destaque para este seu comentário. Para tanto, preciso de sua permissão para colocar seu texto num post. Abraço,

      Jarbas

  5. Eduardo Sposito Says:

    Jarbão,
    à vontade

    Eduardo

  6. Memórias da sala de aula « Boteco Escola Says:

    […] Aproveito a onda para divulgar aqui comentário feito por meu amigo Eduardo Sposito para o post Sala de Aula. O velho Edu, num texto muito bonito, conta um pouco de sua experiência no ensino primário. Veja […]

  7. Tarcisio Cardieri Says:

    Jarbas,
    As salas de aula em que frequentei o curso primário também tinham essas mesmas carteiras. Parece que elas eram a expressão do ensino orientado para produzir empregados para a indústria. Todos formatados para empregos que privilegiavam o conformismo e não admitiam contestações.
    Hoje as salas podem ser um pouco diferentes, mas o ambiente social delas não mudou muito. O autoritarismo continua presente. Como também o objetivo de eliminar a criatividade. Afinal, as pessoas continuam sendo preparadas para trabalhar em empresas, onde não existe democracia.
    O mundo, entretanto, mudou. As crianças têm acesso ao conhecimento por meio de muitos outros instrumentos que estão à disposição principalmente na internet. A relação de poder dentro das salas se transformou. Mas a maioria das escolas e dos professores ainda não encontrou seu novo papel. Talvez nisto resida boa parte da violência que se manifesta nos ambientes escolares. E a arquitetura poderá contribuir para a busca de outros caminhos.
    Aguardo seus comentários sobre o livro.

  8. luiz Antonio Miranda Says:

    Entrei aqui por acaso,tambei estudei no Coronel de 1951 a1954, meus professores foram Da. Aurora Martins,João Madureira,Da,Jupira.Todos otimos professores, nesta època em Franca, prof.primario era Autoridade, e voce aprendia.Belos tempos,tenho muita saudade pois meu avô morava do lado na Campos Salles,hoje uma Clinica.Valeu,boas e saudosas lembrancas.

    abracos.

    c

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