Problema clássico de epistemologia

Com o título Problema Clássico de Epistemologia, recriei uma velha história indiana. Publiquei-a originariamente em Episteme, um blog iniciado para conversas com meus alunos de filosofia. Mas, o Episteme ficou no meio do caminho. Por essa razão, num momento que estou de novo começando conversas sobre a questão do conhecimento com um novo grupo de alunos, resolvi trazer a hitória para o Boteco. Leitores habituais podem estranhar, mas o texto tem a ver também com a matéria central deste blog, conversas sobre tecnologia. Não vou explicar por que tenho tal opinião. Isso estragaria a graça da metáfora. Sem mais, portanto, vamos à história.

O Que É Elefante?

Versão de velha história, recontada por Jarbas Novelino Barato.

Havia antigamente, no norte da Índia, uma cidade cujos habitantes eram todos cegos desde o nascimento. Mas, apesar de não poderem conhecer o mundo iluminado pelo sol, os cegos de Ray Bhan (pois é… esse era o nome da cidade) queriam ter idéias claras de tudo o que existe no mundo. Por isso, a URB (Universidade de Ray Bhan) sempre mandava equipes de pesquisadores para estudos em todas as partes do planeta. Foi assim que começou a aventura de seis sábios de Ray Bhan enviados ao Ceilão. A missão deles incluía estudos sobre o chá, os búfalos, as areias de praias do Oceano Índico etc. Mas a tarefa mais emocionante que receberam foi a de descobrir o que era um elefante. E a pesquisa desses seis estudiosos de Ray Bhan sobre o famoso paquiderme virou história. Talvez você a conheça. Mas, eu quero recontá-la, pois ela nos diz muito sobre meios e modos do conhecer. É um clássico mundial de epistemologia.

Um guia de elefantes trouxe para estudo dos sábios seu bicho mais bonito, um animal de sessenta anos, grande, forte e saudável. A equipe de Ray Bhan usou seu preciso e fino tato para examinar o bicho. Os sábios analisaram profundamente aquele magnífico animal. Depois do exame, cada pesquisador procurou oferecer uma definição bem fundamentada de elefante.

— Dizia um: Que bicho esquisito! Nunca apalpei nada igual. Parece uma coluna coberta de pêlos!

— Você está variando? Coluna que nada! Elefante é um enorme abano, bom para espantar o calor! Dizia um outro cientista da URB.

— Qual abano, colega! Elefante é uma adaga ou uma espada. Uma arma poderosa, dizia o terceiro pesquisador. Seu tato anda falhando…

— Vocês estão todos enganados, caros colegas, dizia o quarto pesquisador. O bicho não é arma, não é espada, não é coluna. É apenas uma corda viva, não muito comprida.

— Quanta ignorância, doutores! Como é que vocês não perceberam que o elefante é uma enorme e poderosa serpente capaz de derrubar até árvores? Essa era a linha de pesquisa do quinto investigador.

— Colegas! Espanta-me a ignorância de vocês. Apesar de muita prática de pesquisa, não perceberam que o elefante é uma enorme montanha que se move? Assim argumentava o sexto sábio.

E a discordância continuou durante os muitos dias de viagem na volta para Ray Bhan. Não houve acordo. Por isso, na enciclopédia da URB há seis definições de elefante. Uma conflitando com a outra. E até hoje os habitantes de Ray Bhan não têm uma idéia definitiva do que vem a ser bicho tão afamado.

Morais da história:

Aqui estão duas morais da história fornecidas por um dos narradores da famosa aventura dos pesquisadores cegos de Ray Bhan:

Quando algo é tido como verdade, o que é diferente parece mentira.

Se você for falar sobre um bicho para uma pessoa que nunca viu um, melhor fazer com que ela o veja primeiro.

Gostou? Agora é sua vez. Mande seu comentário na forma de duas outras morais para a história dos cegos e do elefante.

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29 Respostas to “Problema clássico de epistemologia”

  1. Camilla Oliveira Pershing Says:

    Olá professor, sou aluna de pp noturno da São Judas e estou passando para deixar um comentário.
    Gostei muito da história e das duas morais citadas. Principalmente a primeira.
    Aqui segue as minhas duas de uma forma simples, conforme meu entendimento.

    Entender a definição de um ser pode ser totalmente confusa para alguém que nunca viu o tal.

    Cada um o define conforme seu ponto de vista, independente do ponto de vista dos demais.

    Um Abraço Professor, e parabéns pelo blog.

  2. Horstt M.G. Brinck Says:

    Olá prof. Jarbas,
    Sou aluno da São Judas do curso de PP periodo matutino.
    Minhas opniões são as seguintes:
    1 – Conher alguma coisa apenas com o tato é muito complicado, porque pra imaginar a forma, tamanho, cor… é bem complicado.

    2 – Para mudar o pessamento de uma pessoa que tem certeza do que ela esta falando é dificil, mas não impossivel.

    Essas são minhas opniões.
    Ate a aula.

  3. Igor Rocha Machado Says:

    Cada pessoa tem um modo singular de visão podendo se diferenciar em grandes e pequenas coisas , nesse caso houve visãoes distintas sobre o animal e conflitantes como pude extrair do texto.
    O ser humano deve defender sua visão,porém só deixar de acreditar nela quando descobrir algo de negativo que o faça mudar de idéia.
    Igor, JO manhã 1a

  4. Francielle Says:

    Olá professor Jarbas.
    Sou aluna de JO São Judas matutino.
    Estou passando para deixar o meu comentário sobre o texto. Primeiro quero citar que gostei muito da história, principlamente das morais.

    Vou deixar então os meus seguintes pensamentos:
    “Antes da verdade se tornar verdade é necessário o convencimento”

    “Se você for tirar alguma conclusão, tenha certeza dos fatos”

    Espero que tanha gostado!
    Nos encontramos.

  5. Rony Kelbert Says:

    ” Não existe Verdade absoluta. O conceito do que é é verdadeiro ou não pode variar conforme a percepção de cada indivíduo.”

    1MCSNPP

  6. Franciele Bezerra Says:

    “A verdade muitas vezes varia com a opinião de cada indivíduo,o que uns aceitam como verdade outros classificam como mentira.”

    “Antes de aceitar a ‘verdade’ de alguém,busque você mesmo a verdade sobre o assunto.”

    Franciele – 1º PP -Matutino

  7. Flávia Vieira - 1MCSNJO (USJT) Says:

    Olá professor Jarbas !

    Meus comentários são os seguintes :

    ” A questão da verdade só é importante quando se tem como objetivo atingir a felicidade e suprir algo. ”

    “Para obter conhecimento é necessário verificar,opiniar,saber que nada é absolutamente o que parece ser, e se possível objetivar suas ideias e pensamentos,mas não deixando de ser subjetivo as questões mais formuladas que aparecerem. Portanto, dessa maneira a verdade se dá como correspondência da realidade e do pensamento. “

  8. José Roberto Says:

    Olá Professor Jarbas!

    “A verdade está nos diferentes modos em que se vê determinada situação.”

    “A verdade está relacionada ou conhecimento individual sobre cada assunto.”

    José Roberto, aluno do curso de Jornalismo, noturno, São Judas.

  9. Cinthia Cristina Santos Silva Says:

    Cinthia Cristina Santos 1 PP noturno USJT

    Olá professor !

    Não sou muito boa nisso , mas vou tentar.

    No que entendi , cada um deles analisou apenas um parte do animal.
    1. Toda situação deve ser analisada, por inteiro e não apenas por fragmentos.

    Esta é para os habitantes que não terão uma definição, que realmente identifique o animal por inteiro.
    2. Busque as suas próprias experiências , não espero que os outros lhe mostrem as belezas da vida pois a sua opinião também deve ser diferente e talvez única.

  10. Camila Silva Says:

    ” A verdade universal, é totalmente induvidual.Nunca o que é verdade individual para uma pessoa também será para a outra.”

  11. Penélope Daquila Says:

    Cada pessoa tem uma visão da realidade, e cada uma tem de escolher a que melhor lhe convêm…

    1º PP Not. – 1MCSNPP

  12. Adelly Abreu - 1º Ano -Jornalismo - Noturno (USJT Butantã ) Says:

    Não houve mentira, cada pequisador conheceu apenas uma parte do animal, sendo assim, relatou sobre a mesma.

    A história nos mostra que antes de falarmos sobre algo temos que buscar todas as informações disponíveis, assim serão menores as chanches de contradizerem nossas informações.

  13. KAROLINE LOPES DE OLIVEIRA Says:

    Olá professor, sou aluna de PP manha, turma 1A Mooca. Aqui estão as minhas morais para a história:

    “Cada ser humano é um universo único, sua concepção e visão do mundo também. O que pode ser verdade para mim, pode ser para você.”

    “O novo sempre tende a incomodar e criar contradições”

    Abraço!

  14. Rafaela Algaves Says:

    Oi professor!
    Aqui é a Rafaela Algaves Nuvolara, da turma de jo noturno da São Judas!
    Gostei muito da história, as morais são bem claras!
    Com certeza p/ vc poder demonstrar algo á uma pessoa, é preciso q ela o veja primeiro p/ depois poder falar sobre o tal e julgar!
    E cada um é cada um, ve aquilo conforme o seu jeito de pensar!
    Um abraço professor!

  15. Katia Caprioli [ 1ACSMPP ] Says:

    Todos os sábios estavam certos, o que acontece é que cada um viu apenas uma parte, se limitando a esta, e não vendo o elefante como um todo, então cada um tomou apenas a pequena parte que tinham tateado, como verdade absoluta, não dando importância ao o que os outros falavam, colocando a sua verdade como a certa, e ponto.
    Levando isso pra nossa realidade, podemos concluir que cada indivuo toma pra si, a sua verdade, sem olhar tudo o que esta ao redor.

  16. Bruna Lumare 1ACSMPP Says:

    Ola Professor
    bom..ai vão minhas morais:

    – Cada um enxerga uma coisa de determinada maneira.Ex:ao se ver uma propaganda,para cada um tem um significado,para cada um se passa uma mensagem,mesmo que quem a criou só quisesse passar uma única mensagem.
    – Quando uma pessoa acha que esta correta em uma coisa e toma aquilo como verdade absoluta,por mais que se fale e faça é dificil faze-la mudar de opinião.

  17. paulinhohm Says:

    Olá, professor, meu nome é Paulo e curso jornalismo no período noturno da USJT do Butantã.

    Queria dizer que para mim, uma moral que se aplicaria é de que a verdade é extremamente relativa quando não se há uma verdade provada pela ciência. Digo, na questão dos sábios, a verdade é relativa. Há sábios que dizem que Deus existe, Nietzsche diz que ele está morto.

    Sou o garoto do blog: http://frankishere.wordpress.com
    e posto em um blog de download onde achamos que o acesso a cultura deve ser gratuito: http://hominiscanidae.blogspot.com e http://hominiscanidae.wordpress.com

    Abraços e parabéns pelo texto.

  18. Gustavo C. Lorenzon (1ACSMPP) Says:

    -A verdade sendo relativa, exige uma análise de cada indivíduo, para que então respeitando características pré-existentes aconteça uma formação de opinião coerente.

    -Se é preciso ter uma base de conhecimento para elaborar a verdade, não basta afirmar com base na opinião dos demais.É preciso então expandir suas ideias e assim impor sua tese.

  19. Elizabeth Nascimento 1ACSMPP Says:

    -Podem haver várias opniões e conclusões, e não somente uma sobre determinado assunto, visto que as pessoas são díspares, pensam, agem e sentem diferente.

    -Quando cada um conhece apenas uma certa parte distinta de um todo, ninguém o conhece de verdade.

  20. Marcele ♥ (1ACSMPP) Says:

    Ola Professor…. Minhas morais são:
    1-Cada um tem um ponto de vista diferente, é dificil achar duas ou mais mentes q pensam da mesma forma.

    2-O homem só ve o q ele quer enxergar.

  21. Vinicius Leme De Faria Says:

    Vinicius Leme – 1ACSJO

    Ola professor!
    Eu acredito que nesse caso não se trata de uma verdade, mas sim de um caso a parte, todos os sabios estavam certos, eles apenas descreveram o que tocaram, como não podiam enxergar o elefante como um todo, cada um se convenceu de um jeito.

    “É extremamente fácil enganar a si mesmo; pois o homem geralmente acredita no que deseja. ” (Demóstenes)

    “Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas.” (Friedrich Nietszche)

  22. Fabrício Pires Says:

    Olá, Profº Jarbas

    Seguem as minhas duas morais para a história “O Que É Elefante?”

    “Tudo tem uma forma física, alterável ou não, mas se conceituam sob o olhar de cada um.”

    “A razão está no inquestionável”

  23. Karol Coelho Says:

    Oi professor, sou aluna do 1° ano de Jornalismo, na São Judas, Butantã, noturno.

    Moral:

    CADA UM TEM A SUA VERDADE.

  24. Glaucea Says:

    Olá, professor Jarbas.
    Gostei do texto e sugiro essas duas outras morais:
    – Seu ponto de vista possivelmente pode se parecer com o de outras pessoas, mas não será absolutamente idêntico pois cada pessoa carrega sua experiência de vida e seu modo de ‘decifrar’ o mundo. Apesar dos cegos estarem tratando de partes diferentes do elefante, eles descreviam o que percebiam cada qual com o seu ângulo de tato.
    – Se colocar no lugar de outra pessoa não significa pensar como ela, a perspectiva muda de acordo com o envolvimento do indivíduo em diferente contexto.

    Glaucea – Comunicação Social – Jornalismo

  25. Carol Guimarães Says:

    Olá professor, meu comentário é o seguinte:

    – Cada um tem sua verdade, portanto para essas pessoas o que elas diziam estava correto, da mesma forma o que é verdade para mim pode ser considerado mentira para outros.

    1MCSNJO

  26. Juliano Mendes Says:

    Olá, Professor!!!

    Sou aluno de JO, do período matituno e do campos da Mooca.

    Ficou claro que a verdade é tudo aquilo que acreditamos. Mas vale ressaltar que o texto mostra ideias não convergentes formando verdades isoladas, mas quando unidas, todavia, elas podes nos mostrar novas verdades.

  27. Matheus Fonseca Says:

    Salve, professor!

    Vamos criar uma questão.

    O que é certo? O que é errado? Ou melhor, o que é verdade? O que é mentira?

    Cada pesquisador teve seu próprio ponto de vista em relação ao elefante. Cada pesquisador teve sua própria verdade, o que parecia uma mentira para os outros que ouvira.

    Porém, cabia-lhes juntar cada ponto de vista e talvez chegar num acordo harmonioso de que todas as informações sobre o elefante fossem verdades, o que acabou não acontecendo, criando-se então, falsas mentiras.

    Daí surge a idéia de que o que parece verdade para um, pode parecer mentira para outro.

    Matheus Dalcim Lopes da Fonseca – Jornalismo/Noturno USJT-Butantã

  28. Suellen A. Silva Says:

    JO – Noturno

    “Não podemos dizer se algo realmente é verdadeiro, pois depende do modo de cada um de ver as coisas”.

    Cada pessoa tem um ponto de vista diferente, o que nos leva a crer que nem sempre o que sabemos e ouvimos é verdade.

  29. Natália Gramari Says:

    Adaptação Noturo PP

    A palavra verdade pode ter vários significados, desde “ser o caso”, “estar de acordo com os fatos ou a realidade”, ou ainda ser fiel às origens ou a um padrão. Outro assim, “a verdade” pode significar o que é real ou possivelmente real dentro de um sistema de valores. Esta qualificação implica o imaginário, a realidade e a ficção, questões centrais tanto em antropologia cultural, artes, filosofia e a própria razão. Para Nietzsche, por exemplo, a verdade é um ponto de vista. Ele não define nem aceita definição da verdade, porque não se pode alcançar uma certeza sobre a definição do oposto da mentira. Daí seu texto “como filosofar com o martelo”.

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