Capital humano

Acabo de receber, no meu email, referência a matéria do jornal eletrônico de uma organização que atende pelo nome de IBCO. A chamada da principal matéria da publicação é:

  • MERCADO DE TRABALHO E PRAZO DE VALIDADE DO CAPITAL HUMANO

Sempre me perturba essa mania de ver profissionais como capital da empresa. No caso brasileiro, cabia falar em capital humano até o final do século XIX. Mas com o desaparecimento da escravidão, os trabalhadores deixaram de ser um ativo das empresas.

Para que não fique dúvida quanto a ativo, segue aqui uma definição do termo que pode ser encontrada na Wikipedia:

Em contabilidade o ativo são os bens e direitos que a empresa tem num determinado momento, resultante de suas transações ou eventos passados da qual futuros benefícios econômicos podem ser obtidos. Exemplos de ativos incluem caixa, estoques, equipamentos e prédios.

Bens são itens de propriedade da entidade que possuem valores; Direitos são esses mesmos bens, porém estão momentaneamente de posse de terceiros, geralmente são bens numerários.

Os ativos têm a característica de ser bens postos em atividade, apoiando a entidade nas suas operações e no seu funcionamento e ajudando a atrair a riqueza para si.

Não faço esta observação sobre capital humano levado por qualquer sentimento de pieguice. Minha manifestação é política. Trabalhadores não são propriedade da organização onde trabalham. É certo que as empresas compram, muitas vezes por preços aviltados, o trabalho de seus profissionais. Sobre o assunto convém lembrar um conceito hoje bastante esquecido: a mais valia. Interesados nesse conceito podem ver uma definição bem humorada do mesmo em samba da mais valia.

Para quem me cobra coerência temática neste Boteco, segue uma justificativa. A idéia de considerar trabalhadores como capital humano guarda parentesco com a idéia de gestão do conhecimento. Este último movimento, muito popular nos anos noventa e ainda bastante difundido, tem como pressuposto que o saber do trabalhador é propriedade da empresa para a qual este vende seus serviços. Isso não é correto. Saber é algo pessoal e intransferível. O saber do trabalhador é dele e de mais ninguém. Tentativas de apropriar-se de conhecimentos profissionais é um tipo de pirataria.

Como vêem, uso do termo capital humano tem tudo a ver com tecnologia. Cabe, portanto, abordar o tema num blog sobre blogs e extensões temáticas sobre tecnologias da informação e comunicação.

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5 Respostas to “Capital humano”

  1. Idalina (1APGN) Says:

    Olá professor!

    Agora que encontrei seu blog, vou ler com atenção para poder criar um tão bom quanto ok ?

  2. jordano santos cerqueira Says:

    Interessantíssimo, porem polemico. Mesmo por que hoje o mercado exige que vc vista uma embalagem, que se coloque num frasco atraente para poder se vender. Até hoje eu não encontrei emprego por que eu não me vendi. Mas como a necessidade faz o homem não tem jeito. Em SP terei de me vender… Coisas da vida!

    • Margarete Barbosa Says:

      Querido Jarbas, peço sua permissão para responder ao comentário do colega Jordano. Acredito que sua resposta seja positiva. Caso não seja, perdoe minha ousadia. De todo modo, segue minha resposta ao colega:

      Caro Jordano,

      Respeito suas colocações, mas não posso e não consigo concordar com elas, mesmo fazendo algum esforço.
      Acredito que o Homem é muito mais do que uma ‘embalagem’. “Somos seres humanos e não máquinas”, disse certa vez Charles Chaplin, e como seres humanos somos dotados de inteligência, vontade e sentimentos. Somos inteligentes para escolher o emprego ou a atividade que tenha a ver conosco, com nossa personalidade e individualidade. Somos seres de vontade e sentimentos sempre e quando fazemos algo que nos realiza e contribui com o desenvolvimento daqueles que nos são próximos (e distantes também), sem a necessidade, ou desculpa de nos ‘vendermos’. Penso que quando alguém ‘se vende’, carece do encontro com o Ser Humano dentro de si. Acredito que nós, homens e mulheres, podemos sempre, e a qualquer tempo, chegar a esse encontro.
      Um abraço!

      Margarete

  3. Conceição Rosa Says:

    A ilustração desta postagem me lembra uma música que aprendi num curso de alemão, em tradução do original, cuja letra diz: “os pensamentos são livres, ninguém os pode segurar, eles fogem como sombras noturnas…
    Creio que a imagem complementa muito bem o texto, quando fala sobre escravidão e gestão do conhecimento.
    Drama daqueles que pretendem controlar e enquadrar, alívio daqueles que podem voar – apesar das relações de mercado e trabalho.

  4. Humberto Says:

    Agora, na perspectiva de muitos dirigentes educacionais, o capital humano só tem sentido se for “massa crítica”.

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