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Capital humano

fevereiro 11, 2010

Acabo de receber, no meu email, referência a matéria do jornal eletrônico de uma organização que atende pelo nome de IBCO. A chamada da principal matéria da publicação é:

  • MERCADO DE TRABALHO E PRAZO DE VALIDADE DO CAPITAL HUMANO

Sempre me perturba essa mania de ver profissionais como capital da empresa. No caso brasileiro, cabia falar em capital humano até o final do século XIX. Mas com o desaparecimento da escravidão, os trabalhadores deixaram de ser um ativo das empresas.

Para que não fique dúvida quanto a ativo, segue aqui uma definição do termo que pode ser encontrada na Wikipedia:

Em contabilidade o ativo são os bens e direitos que a empresa tem num determinado momento, resultante de suas transações ou eventos passados da qual futuros benefícios econômicos podem ser obtidos. Exemplos de ativos incluem caixa, estoques, equipamentos e prédios.

Bens são itens de propriedade da entidade que possuem valores; Direitos são esses mesmos bens, porém estão momentaneamente de posse de terceiros, geralmente são bens numerários.

Os ativos têm a característica de ser bens postos em atividade, apoiando a entidade nas suas operações e no seu funcionamento e ajudando a atrair a riqueza para si.

Não faço esta observação sobre capital humano levado por qualquer sentimento de pieguice. Minha manifestação é política. Trabalhadores não são propriedade da organização onde trabalham. É certo que as empresas compram, muitas vezes por preços aviltados, o trabalho de seus profissionais. Sobre o assunto convém lembrar um conceito hoje bastante esquecido: a mais valia. Interesados nesse conceito podem ver uma definição bem humorada do mesmo em samba da mais valia.

Para quem me cobra coerência temática neste Boteco, segue uma justificativa. A idéia de considerar trabalhadores como capital humano guarda parentesco com a idéia de gestão do conhecimento. Este último movimento, muito popular nos anos noventa e ainda bastante difundido, tem como pressuposto que o saber do trabalhador é propriedade da empresa para a qual este vende seus serviços. Isso não é correto. Saber é algo pessoal e intransferível. O saber do trabalhador é dele e de mais ninguém. Tentativas de apropriar-se de conhecimentos profissionais é um tipo de pirataria.

Como vêem, uso do termo capital humano tem tudo a ver com tecnologia. Cabe, portanto, abordar o tema num blog sobre blogs e extensões temáticas sobre tecnologias da informação e comunicação.