Bandeira no Boteco

Outro dia, ao falar de botequeiros famosos na Paris de 1949, finalizei o post citando Manuel Bandeira, meu poeta preferido. Mas acabei publicando uns poucos versos. Agora, reconsiderando a matéria, me convenci de que deveria divulgar o poema inteiro.

Muitos lugares e entidades tem hino. Por isso acho que este Boteco Escola deve ter seu próprio hino. E não é preciso inventar nada de novo. Basta adotar como nosso o poema de Bandeira. E se algum compositor amigo quiser musicar as palavras do grande poeta, chegaremos à perfeição.

Quero beber! cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
que tudo emborca e faz caco…
Evoe’ Baco!

La se me parte a alma lavada
No torvelim da mascarada,
A gargalhar em doudo assomo…
Evoe’ Momo!

Lacem-na toda, multicores,
As serpentinas dos amores,
Cobras de lividos venenos …
Evoe’ Venus!

Se perguntarem: Que mais queres,
Alem de versos e mulheres?…
– Vinhos!… o vinho que e meu fraco!…
Evoe’ Baco!

O alfange rutilo da lua,
Por degolar a nuca nua
Que me alucina e que eu nao domo!…
Evoe’ Momo!

A Lira eterea, a grande Lira!…
Por que eu extatico desfira
Em seu louvor versos obscenos,
Evoe’ Venus!

Manoel Bandeira (publicada em 1918)

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Uma resposta to “Bandeira no Boteco”

  1. Revista Boteco Cultural Says:

    Prezado Jarbas Novelino

    O presente post foi reproduzido na íntegra e com crédito na nossa revista. Siga o link http://www.botecocultural.com.br/?p=2012

    Tomei essa liberdade com base em nossa eletiva afinidade: o Boteco.

    Evoé!

    Luiz Fernando Santos

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