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História da Tecnologia Educacional

janeiro 15, 2010

Um dos livros de referência em Tecnologia Educacional é Instructiuonal Technology Foundation, editado por Robert Gagné. Na obra, há um capítulo que recomendo: Instrucional Technology: A History, escrito por Robert A. Reiser. No final dos anos de 1990 fiz uma pequena resenha do texto de Reiser. Complementei a resenha com mais informações, procurando traçar um perfil bastante completo da História da Tecnologia Educacional. Reproduzo este meu velho texto aqui para quem se interessar.

HISTÓRIA DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL:  OS MEIOS AUDIOVISUAIS

Jarbas Novelino Barato

Tecnologia Educacional é uma disciplina pedagógica muito nova. Por esta razão, não é fácil defini-la. Os especialistas a entendem como aplicação das modernas ciências do conhecimento. Mas, os leigos, e mesmo os profissionais de educação e treinamento, a vêem como a arte de usar recursos mecânicos e eletrônicos. Por outro lado, a disciplina em estudo ganhou importância, sobretudo na área de treinamento, como abordagem sistemática de instrução (em inglês, Instructional System Design – ISD). Estas três possibilidades definem, em conjunto, o que é Tecnologia Educacional atualmente.

Educação e treinamento, como regra geral, são atividades baseadas na linguagem, sobretudo a linguagem oral. A linguagem escrita desempenha um papel importante no processo, mas não substitui até hoje a oralidade. Assim os meios audiovisuais ainda são vistos como recursos auxiliares de ensino.

O uso de meios audiovisuais foi proposto por Comenius (em torno de 1600). Este autor ressaltava a importância das ilustrações na aprendizagem e escreveu o primeiro livro didático ilustrado (Orbis Sensualium Pictus) em 1650.

As idéias de Comenius não tiveram resultado imediato na educação e, por outro lado, a produção de audiovisuais em massa teve que esperar as invenções do século XIX: fotografia, telefone, rádio, telégrafo, disco, cinema, papel fotográfico e imprensa rotativa. Assim, o movimento dos audiovisuais surge apenas neste século, por volta de 1905, ano em que são criados os primeiros “museus pedagógicos” nos Estados Unidos. Tais museus funcionavam como centros  de recursos visuais, tais como mapas, ilustrações, slides e filmes. O movimento de audiovisuais cresce cada vez mais e tem sua grande expansão durante a II Grande Guerra. Nesta época, ele sai da escola e passa a ser uma atividade típica de treinamento, sobretudo de treinamento militar. O governo americano investe milhões de dólares em materiais audiovisuais para formar soldados e para treinar  uma mão-de-obra, quase toda ela feminina, que iria substituir os trabalhadores convocados pelo exército.

Depois da Guerra, por volta dos anos 50, o meio audiovisual que encantou os educadores foi a televisão. Acreditou-se que esta última poderia substituir a escola. O governo americano e fundações privadas investiram pesado na televisão educativa, entendida como aulas filmadas que poderiam chegar a toda parte. Este modelo foi um grande fracasso e hoje praticamente não existem televisões educativas nos EUA. Existem televisões públicas que transmitem programas culturais e fazem um jornalismo analítico. Este último modelo influenciou muito a TV Cultura de São Paulo.

Atualmente o audiovisual em evidência é o computador. O uso de computadores em educação começou nos anos 60. Naquela época apenas as grandes universidades americanas podiam usar o novo meio, pois os programas educacionais dependiam de redes acopladas a computadores de grande porte. Nos anos 70, com o surgimento dos computadores pessoais, a “informática educativa” passa a ser mais acessível. Nos últimos 20 anos houve um crescimento muito grande de softwares educacionais e de CBT (Computer Based Training: Treinamento Assistido por Computador).

Hoje a grande novidade em termos de audiovisuais em educação e treinamento é a possibilidade de integrar todos os meios em grandes redes eletrônicas ( a INTERNET, por exemplo). Nestas grandes redes, texto, imagens, fotos, cinema, televisão e som podem ser integrados por meio do computador em comunicações interativas.

Até hoje os meios audiovisuais prometeram muito e, com o tempo, fracassaram. Educação e Treinamento continuam a ser atividades baseadas na linguagem oral e escrita. Cabe, portanto, perguntar por que tanta “tecnologia” ainda não deu certo…

HISTÓRIA DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL: O PLANEJAMETO SISTEMÁTICO DO ENSINO

A história da tecnologia educacional começa pelos recursos. Em 1905 o movimento de audiovisuais ganha campo graças às descobertas, no século XIX, da maioria dos recursos de comunicação que conhecemos hoje. Mas em torno dos anos 50 começa a surgir uma tendência voltada para o PLANEJAMENTO. Ou seja, a nova disciplina pedagógica começa a ser entendida como “aplicação científica de princípios, particularmente as teorias de aprendizagem, para melhorar o ensino.” É neste contexto que surge o ISD, ressaltando que toda a atividade educacional deve ser planejada de modo sistêmico.

No âmbito do planejamento sistemático do ensino, surgiram diversos conceitos que tiveram uma grande influência em educação e treinamento. Entre estes conceitos, podem ser destacados: taxonomia em objetivos, objetivos comportamentais (desempenho), avaliação baseada em critério, avaliação formativa e avaliação somativa.

Um planejamento sistemático só é possível quando se sabe com clareza quais os resultados a alcançar. Em educação e treinamento estes resultados foram descritos como objetivos comportamentais ou desempenhos desejáveis de treinandos/educandos. A idéia de desempenho relativiza conteúdos: não é importante o que ensinar, mas o que o treinando será capaz de fazer ao final de um treinamento. Além de destacar a importância do desempenho os especialistas em objetivos começaram a propor TAXONOMIAS (modelos de classificação de objetivos educacionais). Há diversas taxonomias na praça; as 3 mais interessantes e conhecidas são as de Bloom, Gagné e Merril.

Outra idéia importante em termos de ISD é a de avaliação baseada em critério. As avaliações comuns em educação e treinamento são baseadas em normas. Ou seja, descrevem resultados cuja distribuição esperada corresponde a uma curva normal. Em outras palavras, as avaliações mais utilizadas são comparativas e indicam a posição de uma pessoa dentro de um grupo. A avaliação baseada em critério está fundada numa idéia completamente diferente; ela mede o quanto uma pessoa aprendeu tendo em vista um resultado esperado. Assim, o aprendiz não é comparado com ninguém, mas avaliado individualmente tendo em vista uma meta. Em avaliações baseada em critério não há notas. Passa quem atinge a meta e quem não a atinge volta a estudar para completar o que ainda não aprendeu.

A idéia de avaliação formativa está relacionada com desenvolvimento. Em planejamento sistemático do ensino há uma fase que é a elaboração de protótipos. Estes protótipos são testados com amostras de pessoas que utilizarão o produto final. Testa-se o método, a linguagem, o conteúdo, o formato, os aspectos motivacionais etc. Testa-se, em outras palavras, uma proposta pedagógica em formação. Esta é também uma idéia nova. No geral, as propostas pedagógicas não são testadas-avaliadas no processo de formação do produto.

A avaliação somativa é sobretudo uma avaliação de proposta pedagógica já testada. Ele procura medir sobretudo a eficácia de uma proposta. Ou seja, procura medir até que ponto um planejamento sistemático deu certo…

Planejar sistematicamente educação e treinamento é muito caro. Por esta e outras razões, continuamos a educar e treinar de improviso

HISTÓRIA DA TECNOLOGIA EDUCACIONAL: AS CIÊNCIAS DO CONHECIMENTO

A Tecnologia Educacional começou como um movimento de uso de recursos, passou por uma fase de valorização do planejamento (anos 60 e 70) e, finalmente, chegou ao estágio das ciências do conhecimento.

O interesse pelas questões do conhecimento nasceu fora dos meios educacionais. Ele começa na área de comunicações (1949) com Shannon e Weaver. Em engenharia das comunicações descreve-se um modelo que envolve um emissor e um receptor, e um canal  ou meio através do qual a mensagem é enviada. Os autores de tais modelos enfatizavam que durante o planejamento de comunicação era necessário considerar todos os elementos do processo, e não apenas o meio como o fazem muitos especialistas em audiovisuais. Berlo, um especialista em comunicação afirmava em 1963: “Como homem de comunicação eu devo argumentar fortemente que o processo é o aspecto central na comunicação e que os meios, apesar de importantes, são secundários”.

Além da área de comunicação, as áreas de ciências de computação, de psicologia do conhecimento e de lingüística colocam a questão dos processos cognitivos como foco central da educação.  Em todas estas áreas, desenvolvem-se teorias de representação. Tais teorias rompem com a visão ingênua da reprodução. Em lingüística, é importante o nome de Noam Chomsky que argumenta a favor de um mecanismo inato da linguagem, propondo que por trás das línguas conhecidas há um aparato universal (comum a todas as pessoas) de representação simbólica. Na área de computação fica evidente que os recursos internos de armazenagem de informações são representação (símbolos colocados no lugar da coisa representada),  pois os impulsos digitais não são cópias de imagem, som, cenas, movimentos, etc.

No campo da psicologia, por volta dos anos 70, começam a ganhar força estudos sobre o conhecimento e a mente humana. Esta linha de estudos já fora desenvolvida por Piaget, Vigostky e Brunner, mas a psicologia que dominava o cenário era a experimentalista (contrária a qualquer teoria da representação).

Todos os estudos sobre a questão do conhecimento passaram a ter uma influência muito grande na área de Tecnologia Educacional. Merril e Gagné, já citados em outra parte, deixam o experimentalismo e afirmam que qualquer proposta de ensino deve ser, sobretudo, uma proposta favorecedora da elaboração do conhecimento. Esta é mais uma tendência contrária ao conteudismo e à educação reprodutora ou bancária. Também é uma tendência que relativiza os meios. Na verdade, de acordo com as modernas ciências do conhecimento, o que importa não são os meios, mas os processos pelos quais os seres humanos elaboram e reelaboram o saber.

O desafio cognitivista é muito recente em educação e treinamento. Quase todos os educadores e treineros acreditam que importantes são os conteúdos. Por outro lado, pensar o pensar e criar oportunidades desafiadoras para que os aprendizes elaborem o seu próprio saber não é uma tarefa banal. Assim, a idéia de Tecnologia Educacional como uma aplicação das modernas ciências do conhecimento ainda é um campo a ser explorado.

(texto escrito no final do anos 90)

Computadores e Educação: visão equilibrada

janeiro 15, 2010

Em 1997 participei de uma teleconferência tendo como parceiro o educador português Vitor Teodoro, físico e criador do Modellus, um software de estudo de ciências conhecido mundialmente. Na sua fala, Vitor fez muitas observações importantes sobre computadores e educação. Aproveitei tais observações para escrever um subsídio para meus alunos de tecnologia educacional em 1998. Acabo de ler tal subsídio e acho que ele ainda tem muita atualidade. Mérito do Vitor, claro. Ele é um cientista e educador de muita visão.

Eu poderia publicar o subsídio em que comento a fala do Vitor na seção páginas deste Boteco Escola. Resolvi, porém, publicá-lo neste post. É um texto longo para mensagem blogueira convencional. Mas, acho que vale a pena romper com algumas convenções. Como as idéias do educador português são importantes, vou dar a elas destaque de post. Espero que alguns leitores esqueçam a impaciência de ver textos longos na Web e cheguem até o fim da conversa.

Se você acreditou no que eu disse até agora e está com alguma paciência para a leitura, veja a seguir o subsídio que preparei a partir de idéias de Vitor Teodoro.

O MEIO NÃO É A MENSAGEM

PALESTRA DO PROFESSOR VITOR DUARTE

EDUCANDO/SUCESU  1997

JARBAS NOVELINO BARATO

Nos anos sessenta, o analista dos meios de comunicações, Marshall McLuhan, sugeriu em um de seus livros que o “meio é a mensagem”. A afirmação de McLuhan marca  a posição de que os meios de comunicação não são neutros, têm características próprias e não respeitam, necessariamente, boas intenções de seus usuários. Os meios, independentemente de intenções, fazem aquilo que lhes é próprio em termos de veículos de comunicação.

Para provocar os palestrantes de uma das teleconferências do Educando/Sucesu 1997, os organizadores de evento propuseram o tema “o meio não é a mensagem”, procurando ver até que ponto é possível contrariar o famoso dito de Mcluhan.

Interessa-nos aqui as opiniões do Professor Vitor Duarte, da Universidade Nova Lisboa, Portugal.  Vitor é um especialista em usos educacionais do computador, conhecido internacionalmente. Não vou propriamente resumir a palestra do professor  Duarte. Vou apenas destacar alguns pontos que me parecem interessantes  para iniciar os estudos de tecnologia educacional no 4º APGN/ST de 1998.

O meio não é a mensagem, mas… Vitor Duarte não aceita inteiramente a famosa idéia de McLuhan, mas observa que os meios transformam as mensagens. Esta é uma observação importante: há coisas que podem ser apenas ditas, outras apenas escritas, outras apenas televisados, etc. Quando a fala vira escrita, há transformações, há mudança. Quando um texto vira vídeo, há transformação, há mudança. Etc.

Uma coisa que as pessoas muitas vezes não observam são as características de cada meio. Acham que os meios mais recentes incluem todas as virtudes dos velhos meios e, além disto, as novas virtudes que lhes são próprias. Isto não é verdade. Um conteúdo passado para a TV perde quase tudo que consegue passar enquanto texto. Geralmente uma bela palestra quando transcrita (quando vira texto, sem qualquer revisão) é ilegível. Além disto os processos de produção da fala, do texto, da imagem, do roteiro de transparências, do vídeo, do programa de computador são inteiramente diferentes. Há coisas que só conseguimos passar falando. Outras só ficam claras se escritas. E assim por diante. Por outro lado, há mensagens que não cabem em determinados meios. Assim, por exemplo, não é adequado fazer exposição em vídeo ou TV. Exposições agradáveis e claras quando filmadas perdem as características de “olho no olho” que só a fala pode garantir.

Reparem que não estou mais falando das idéias do Vitor. Estou tirando conseqüências da observação que ele faz sobre transformação da mensagem quando esta migra de um meio para outro.

O computador está se aproximando da televisão… Vitor Duarte observa que o computador está cada vez mais perto da televisão. Há muita gente que acha isto vantajoso. Não é o que pensa o professor da Universidade Nova Lisboa. A TV é sobretudo diversão, espetáculo. Não é um veículo que substitui, com  vantagem, livros e salas de aulas. Como observa o grande crítico dos meios de comunicação, Neil Postman, a TV só educa para ela mesma.

Creio que esta observação do Vitor sugere uma perda em termos de bom aproveitamento do computador enquanto veículo de educação. Se os sistemas computacionais tornarem-se cada vez mais ambientes de diversão, seu aproveitamento educacional será muito pequeno.

Ler e escrever é essencial para a aprendizagem. Os novos meios, sobretudo a televisão, privilegiam a imagem. E há quem pense que isto é muito bom, pois já dizia o velho ditado: “mais vale uma imagem que mil palavras”. Infelizmente este, como muitos outros ditos populares, não é tão sábio quanto parece. Escrita e leitura são dois mecanismos básicos de transformação. E não há aprendizagem sem transformação. Ler e escrever trabalham sobretudo no nível das capacidades analíticas, uma dimensão importante do pensar. É claro que aprendemos fora dos livros e sem lápis e caneta. Há analfabetos sábios. Mas, sem ler e escrever, perdemos muito em termos de ativar algumas capacidades mentais que não são ativadas por experiências, fala, imagens ou outros recursos.

Em conversa, no dia da palestra, Vitor me disse que enfrenta alguma dificuldade para negociar mais leitura e mais produção escrita com seus alunos na Universidade de Nova Lisboa. O problema, portanto, não é brasileiro. Os novos meios de comunicação estão secundarizando a leitura e a escrita em toda parte. É claro que escrever e ler não tem um valor em si mesmos. Seu maior valor está na ativação de capacidades analíticas que não são ativadas por outros meios. Neste sentido, escolas e centros de treinamento enfrentam um grande desafio: como promover leitura e escrita como uma necessidade de aprendizagem.

Professores ( e outros profissionais de educação, incluindo especialistas em treinamento) são intelectuais. Vitor observa que, infelizmente, os professores deixaram de ser intelectuais. Sabem apenas a sua matéria  no limite  daquilo que é preciso passar aos alunos. Não vou falar aqui de professores. Vou falar dos educadores que trabalham em empresas ou em instituições de capacitação profissional. Acho que eles também, deveriam ser intelectuais.

Os educadores deixaram de estudar matérias e assuntos que vão mais longe do que a sua prática cotidiana. Querem receitas. Admiram as coisas da moda. Lêem pouco. Ignoram a cultura em que vivem. Definitivamente não são intelectuais. Acham que um sentido prático baseado em suas próprias experiências (ou experiências alheias) é o bastante para irem tocando o seu ofício. E é aí que mora o perigo. Educadores não são profissionais de ensino ou treinamento. São profissionais do conhecimento preocupados com aprendizagem. A ciência do conhecimento é, cada vez mais, um saber que vem de várias fontes: psicologia, sociologia, antropologia, lingüística etc. Além disso, trabalhar com o saber exige muita capacidade de análise, de síntese e de criatividade. Em parte, esta capacidade depende de muita leitura, sobretudo de bons livros de ficção. Em suma: ensinar – ou mais que isto, ajudar as pessoas a aprender – é uma tarefa intelectual.

Aprender exige esforço. Nosso amigo Vitor rema contra a corrente. Numa época que valoriza tanto o afeto e a diversão, ele insiste em lembrar que aprender exige esforço. Na mesma direção que o Professor Vitor Duarte, o cientista do conhecimento Donald Norman afirma que há um engano muito comum entre os educadores: eles acham que tudo pode ser aprendido experencialmente. Acontece, porém, observa Norman, que muitas aprendizagens exigem capacidade de reflexão. E refletir  não é fácil. Não é uma experiência que possa ser vivida sem dedicação, vontade, concentração.

E quem perde quando não há esforço? O aprendiz. O professor Demerval Saviani costuma dizer que professores e alunos fazem um pacto de mediocridade do tipo: “nem eu ensino tudo o que sei, nem vocês aprendem tudo o que podem”. No âmbito deste pacto, aprendizes e mestres seguem uma lei de menos esforço. O resultado, infelizmente, é menos aprendizagem.

Os professores estudam pelos livros dos alunos. Um professor, obrigado a dar uma matéria que pouco conhecia, dizia ter descoberto que mestres são aquelas pessoas que estão uma lição na frente dos alunos. Isto parece uma brincadeira mas retrata um fenômeno crescente em todas as áreas e níveis de ensino. Educadores desintelectualizados não conhecem a matéria em profundidade. Em treinamento, por exemplo, esta pouca profundidade dos conteúdos resulta em excessiva valorização das formas de apresentação, dinâmicas e estratégias. Há quem, inclusive, ache que é possível ensinar criatividade sem qualquer conteúdo!

Ter baixas expectativas para obter melhores resultados. Vitor observa que as pessoas, de modo geral, alimentam altas expectativas quanto ao papel que as novas tecnologias podem desempenhar no campo da aprendizagem. No que diz respeito ao computador, por exemplo, muita gente acredita que simples presença de máquina é um passo importante na direção de uma educação mais eficaz. Esta é uma forma de messianismo pedagógico. Ou seja, as pessoas esperam que um salvador, um messias (a tecnologia, neste caso), venha resolver todos ou quase todos os problemas de aprendizagem hoje enfrentados. Esta expectativa muito alta é fonte de decepção. As máquinas não salvam ninguém.

O professor Duarte propõe uma visão de equilíbrio. Sugere que as expectativas quanto ao papel das tecnologias sejam baixas. Em vez de grandes esperanças, sugere trabalhos dedicados e aparentemente pequenos. Em outras palavras, propõe trabalho em vez de infundadas esperanças nos meios…

Acho que há ainda outros pontos de palestra do Vitor que podem ser destacados e comentados. Porém, paro por aqui. As idéias que apontei e comentei são suficientes para um começo de conversa sobre alguns rumos da tecnologia educacional.