Onde está a comunicação?

Por algum desvio cuja origem já se perdeu, quase sempre pensamos em comunicação como um meio. Pouco pensamos nela como o ato de colocar em comum, como ensina meu amigo-irmão Steen Larsen. A questão ficou mais complicada com o advento de comunicações por meio de computadores.

Bonnie Nardi, um dos mais respeitáveis nomes no campo da Teoria da Atividade, com trabalhos expressivos sobre interação usuários/sistemas, escreveu um paper interessante sobre o assunto. Ela examina a questão comunicativa em ambientes assistidos por computador. Ao fazer tal análise, Nardi procura mostrar que o foco da comunicação deve ser o encontro humano de duas fontes de conhecimento que se engajam em trocas informativas de interesse comum. Guardei o texto da mencionada autora para possível tradução quando eu tivesse um tempinho. Mas o calendário já deu duas voltas depois que me prometi essa façanha. E vejo agora que tão cedo não poderei cumprir a promessa.

Como não posso traduzir já o texto de Bonnie Nardi, resolvi divulgá-lo para quem achar que o assunto vale a pena. Mas, para tentar gente que talvez não se aventure numa leitura da obra, cometi tradução ligeira de algumas linhas da Introdução do dito escrito Aqui vão alguns trechos do começo de conversa da Bonnie Nardi:

Para nos comunicarmos com facilidade precisamos nos sentir conectados uns com os outros. Precisamos experimentar um compromisso mútuo para articular interesses. Precisamos ganhar atenção uns dos outros. Essas atividades estão no âmago da comunicação interpessoal. O foco de muitas teorias sobre comunicação mediada por computador, porém, está nas próprias mídias, particularmente na quantidade e tipo de informação fluindo através dos “canais” de “bandas” variáveis.

A teoria das riquezas das mídias, por exemplo, examina até que ponto uma mídias permite troca de informações . […]

[…[

Os dados etnográficos mostram que os sentimentos de conexão eram acompanhados por (1) expressões corporais e (2) discurso informal com baixo teor informativo. [tais dados nos lembram de que somos primatas que adoram estar juntos com outros da mesma espécie]. Este texto distingue atividade comunicativa que estabalece sentimentos de conexão, capazes de assegurar prontidão para futuras interações [operação que envolve saber e afeto], de atividade comunicativa na qual se troca informação [operação que não precisa necessariamente de seres humanos na jogada].

[…]

Propõe-se aqui que as atividades de conexão estabelecem um “campo de conexão” entre diádes nas quais conexões sociais e afetivas são estimuladas para assegurar prontidão para futuras comunicações.

Fico por aqui na tradução. Creio que os trechos traduzidos assinalam uma direção: comunicação é sobretudo um evento de encontros entre pessoas que, por motivos vários, querem estabelecer conexão com outras pessoas. Quando nos esquecemos disso, nosso entendimento sobre o que é comunicação perde sentido.

Interessados numa leitura do texto integral da Bonnie Nardi poderão encontrá-lo com um clique aqui.

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