Educação e Trabalho: Transformações

Mais uma vez navego por velhos guardados. No processo, encontro escritos que talvez mereçam ser compartilhados. Desta vez reli relatório sobre participação no Transformations: Skills for the Twenty-First Century, evento promovido pelo British Council em Birmingham, no ano 2000.

Éramos vinte e dois participantes de diversas partes do mundo. Os trabalhos foram conduzidos por Bob Fryer, especialista britânico em educação continuada. O simpósio traçou um panorama interessante de como andava educação e trabalho na ocasião. Ao reler o relatório, percebi boa parte do conteúdo continua atual. Vejam, por exemplo, esta nota sobre a fala do coordenador do evento:

Bob Fryer examinou outro termo que vem passando por um processo de re-significação: aprendizagem. Os sistemas formais de educação apropriaram-se do termo. De um modo geral, somos levados a pensar que aprendizagem é algo que ocorre nas escolas. Mas com as transformações em curso, fica cada vez mais evidente que aprendizagens significativas acontecem com mais freqüência fora das escolas. Isso coloca um novo desafio para os educadores: como considerar uma aprendizagem integral que abranja tanto a educação escolar como o aprender-fazendo do dia-a-dia?

Uma outra passagem do relatório que redigi na época merece citação:

Apontar mudanças é lugar comum. Fryer evitou um discurso nessa direção. Procurou mais ressaltar a necessidade de um repensar do que é preciso fazer para garantir desenvolvimento das habilidades marcadas pelas transformações. Ele assinalou que as mudanças atingem profundamente instituições políticas, sociais e culturais. Nesse sentido, família, trabalho, política etc. estão ganhando novos contornos. Dentro desse panorama, trabalhadores enfrentam alterações no plano profissional e pessoal. Fryer, assim como muitos especialistas britânicos, insiste na questão da mudança de identidade, pois o fenômeno tem profundas implicações sobre escolha, conversão e requalificação profissional.

Para Fryer há um grande desafio no desenvolvimento de novas habilidades porque a aprendizagem hoje está ocorrendo numa sociedade marcada pelo risco. Predominam no momento incerteza, ambigüidade e imprevisibilidade. Não há fórmulas para aprender numa sociedade em transformação. Conhecimentos são contestados. Há necessidade de cruzar fronteiras; e as novas fronteiras não são bem definidas.

Vale a pena citar mais uma observação sobre a fala de Fryer:

O conferencista apontou três importantes aspectos de aprendizagem nesse mundo em transformação. Convém citar aqui as sugestões de Fryer. A importância do aprender hoje tem três eixos principais:

. Para dar sentido à mudança – Isso exige um grande mergulho em informações, idéias, conhecimentos, conceitos e teorias com teor explicativo. E exige também uma mente crítica capaz de avaliar o que está ocorrendo e o que é possível projetar em termos de educação.

. Para adaptar-se à mudança – Maximizando benefícios & minimizando custos. Administrando a mudança. Aplicando conhecimentos.

. Para dar forma à mudança – Precisamos ser autores da mudança, não vítimas, dentro de um projeto democrático.

Paro por aqui, caso contrário este post acabará ficando tão extenso quanto o relatório que redigi no ano 2000. Quem quiser conhecer a peça inteira do meu escrito sobre Transformations, publiquei aqui no Boteco cópia do mesmo. Ela está em páginas, aí do lado, com título:

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2 Respostas to “Educação e Trabalho: Transformações”

  1. Roldinei Curso Licenciatura USJT Says:

    Acredito que para nós estudantes e educadores as considerações Fryer é muito pertinente, pois torna-se hoje um desafio a ação do professor num ambiente em constante transformação como o nosso. Assim, acho que buscar a saída no ensino extra-escolar pode ser fundamental no sentido de conduzir o aluno de forma eficaz em sua aprendizagem.

    • jarbas Says:

      Caro Roldinei,

      Bom tê-lo aqui no Boteco Escola. Bom também saber que você apreciou as observações do Bob Fryer. Ele é um respeitável educador, com uma atuação de destaque no campo daq educação de adultos e da capacitação profissional. Pena que a gente não possa trabalhar mais sitematicamente os temas que comento no post em nossa aulas na universidade.
      Espero que você vire freguês do Boteco. Aqui há sempre espaço para um bom papo. Abraço grande, Jarbas.

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