Censura ou educação com liberdade?

censurta inter

Hoje, numa arrumação para colocar meus papéis em ordem, encontrei trecho de texto que estava preparando sobre censura à internet em escolas e empresas. O escrito ficou inacabado, pois eu tinha a intenção de escrever uma artigo mais ou menos longo, mas os muitos trabalhos acumulados me inpediram de terminar a empreitada. De qualquer forma, acho bom colocar parte do que escrevi para exame público.

Com isso volto mais uma vez a um tema recorrente, a censura na internet. Aliás, faz uma semana que a censura me deixou indignado. Selecionei algumas WebQuests para análise de meus alunos. Publiquei os links aqui no Boteco. Ao iniciar os trabalhos no laboratório, pedi aos estudantes para que visitassem as WQ’s indicadas. Logo um deles me chamou para dizer que havia um problema. Em vez do site desejado, aparecia na tela uma mensagem de que o endereço não era aceito. Achei que o sistema da universidade estivesse bolqueando o material por suspeita de spam, afinal tratava-se de sítio da Universidade do Minho, uma estranha referência na academia brasileira.

Fui reclamar com o suporte. Ele me prometeu verificar. Voltei ao laboratório. Aí caiu a ficha: as duas WQ’s selecionadas tinham uma palavra maldita no título: JOGO. E as ferramentas de bloqueio odeiam jogos, games, juegos e assemelhados. Coisa do demônio. Motivo de distração. Pecado na academia. Passei a informação para o suporte. Ele me disse que eu precisaria de uma permissão especial para que meus alunos acessassem aquele material suspeito. Menino de boa vontade, ele tentou falar com os poderosos controladores dos bloqueios à internet na universidade. Os deuses da informática não estavam disponíveis. Meus alunos não conseguiram ver o que eu queria que eles vissem. Ponto para a censura.

Volto ao texto que anunciei no começo desta conversa e sem mais delongas copio-o a seguir.

Visito a sede da instituição em que trabalhei durante trinta anos. Já não conheço quase ninguém. Encontro finalmente alguém do meu tempo, o garçom da diretoria. Ele me convida para ir até a copa para um café tirado na hora. O ambiente é o mesmo de oito anos atrás. Noto apenas uma mudança: na salinha dos funcionários da copa há agora um computador. A moça que serve café num carrinho pelos andares do prédio está fazendo pesquisa na internet. Não sei se tal uso da rede é trabalho ou lazer. Deve ser trabalho. A instituição é muito rigorosa na administração dos usos da internet. Para garantir que seus empregados não saiam da linha, bloqueia tudo que supostamente pode afastar as pessoas de suas obrigações profissionais.

O episódio com o qual inicio esta conversa retrata a presença da internet por toda parte. Retrata também familiaridade de gente de todas as classes com as novas ferramentas de informação e comunicação. E sugere uma preocupação: muitos temem que os trabalhadores deixem suas obrigações de lado para se perderem nos imensos mares de informação e diversão da rede mundial de computadores. Para evitar que isso aconteça, as organizações contratam serviços de bloqueio (censura). Em muitos ambientes empresariais é impossível baixar imagens; é impossível também pesquisar sites buscados por meio de palavras como jogo, sexo, nudismo, música ou diversão. Além disso, as ferramentas de bloqueio impedem acesso a sites de relacionamento.

Toda essa paisagem parece tranquila e lógica. Mas não é bem assim. As explicações para bloqueios da internet são marcadas por um discurso moralista que vê os trabalhadores como gente sempre disposta a escapar de suas obrigações. E as medidas de bloqueio, aparentemente técnicas, acabam se convertendo em práticas de censura. Nesse clima, inocentes e culpados são punidos por anrtecipação. E surgem resistências na forma de dicas para burlar o sistema. Surgem os partisans. Com isso a censura aumenta. Fica mais burra e violenta.

O texto encontrado tem mais coisas. deixo-as para outra ocasião.

Fica aqui, mais uma vez, meu protesto contra a censura à internet

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5 Respostas to “Censura ou educação com liberdade?”

  1. Antonio Morales Says:

    Vou fazer um comentário limitado: considero que quando se trata de uma escola ou instituição educacional a censura à Internet é mais questionável ainda. Chega a ser um contrasenso.

  2. Cremilda Estella Teixeira Says:

    12/11/2009 – 18:05 DIRETORA DE ESCOLA PÚBLICA, ILUMINADA? MENOS PERCIVAL DE SOUZA, MENOS…A diretora apresentada no Jornal da Record como vítima da agressão de um aluno foi mais uma fraude….Ela apresentava apenas a ponta da unha do dedinho mindinho quebrada e enrolado em esparadrapo transparente. O aluno “agressor perigoso” foi levado pela polícia militar, que no Rio Grande do Sul é chamado Brigada Militar.
    A diretora com um discurso artificial falava de amor e que opressão e repressão não resolve o problema da violência…Claro que não. Se ela sabe então como se justifica ter mandado prender um aluno por ter lascado a unha do seu dedinho mindinho?
    A escola apresenta ainda vários documentos da escola, onde registra ocorrência onde o aluno figura como vândalo inclusive.
    Todo mundo sabe que quando a escola resolve perseguir um aluno, tudo que acontece fica registrado na conta dele.
    O apresentador Persival de Souza, depois de ofender a família e responsabiliza-la pelo fracasso da escola, como se professor não tivesse família e ela não estivesse inserida nesse contexto…
    Do jeito que o Percival de Souza fala, parece que professor de escola pública é um ser extra terrestre que aterriza no páteo da escola para acudir os pobres mortais.
    Empolgado com o discurso da diretora que acabara de mandar prender o aluno ele dispara.
    que a diretora é uma pessoa “ILUMINADA”
    Como assim, que amor estranho esse hein? Ela fala de amor e de não repressão e manda prender aluno por ter parte da unha de seu dedo mindinho quebrada ???
    Bem, o apresentador Percival de Souza já defendeu a expulsão de alunos de oito anos que brigam na escola. agora chama a Santinha do Pau Oco de ILUMINADA
    MENOS PERCIVAL DE SOUZA, MENOS VAI, MENOS…
    http://cremilda.blig.ig.com.br

    • jarbas Says:

      Esta senhora é uma invasora de blogs. O texto dela estava classificado como spam. Mesmo assim autorizei publicação do comentário. Isso faz parte de minhas intenções de mostra como funciona a blogosfera…Vejam, ela entra com uma conversa que nada tem a ver com o tópico. Ás vezes outros leitores fazem isso, mas justificam. Ela não.
      Já andei pesquisando quem é a tal. É uma inimiga de professores que busca se promover atancando os mestres, não importa qual seja o caso.
      Espero que ela não volte ao Boteco

  3. Miriam Salles Says:

    Oi Jarbas,
    Fazem isso porque é mais fácil, dá menos trabalho. Trabalhar o uso responsável da rede é algo que nem passa pela cabeça dos bambans de um cpd.
    É por isso que no meu blog não tem a palavra blog no endereço e no título…
    abço

  4. André Ribeiro Says:

    Caro Prof. Jarbas, conversei com colegas de trabalho nesse sentido, durante essa semana, pois essa sistemática é aplicada também e principalmente nas empresas, para evitar o uso indevido do material de trabalho, assim tudo bem! Mas aqui na Universidade esse tipo de limitação se torna “Ridículo” pois nós fomos prejudicados por não ter acesso ao material (fonte de pesquisa) importantissimo ao desempenho da tarefa e sempre foi assim, pelo jeito sempre será. Eu o apoio em número, genero e grau. Caro Mestre, essa “censura” já deveria ter acabado há alguns anos!
    Abraços

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