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Censura ou educação com liberdade?

novembro 13, 2009

censurta inter

Hoje, numa arrumação para colocar meus papéis em ordem, encontrei trecho de texto que estava preparando sobre censura à internet em escolas e empresas. O escrito ficou inacabado, pois eu tinha a intenção de escrever uma artigo mais ou menos longo, mas os muitos trabalhos acumulados me inpediram de terminar a empreitada. De qualquer forma, acho bom colocar parte do que escrevi para exame público.

Com isso volto mais uma vez a um tema recorrente, a censura na internet. Aliás, faz uma semana que a censura me deixou indignado. Selecionei algumas WebQuests para análise de meus alunos. Publiquei os links aqui no Boteco. Ao iniciar os trabalhos no laboratório, pedi aos estudantes para que visitassem as WQ’s indicadas. Logo um deles me chamou para dizer que havia um problema. Em vez do site desejado, aparecia na tela uma mensagem de que o endereço não era aceito. Achei que o sistema da universidade estivesse bolqueando o material por suspeita de spam, afinal tratava-se de sítio da Universidade do Minho, uma estranha referência na academia brasileira.

Fui reclamar com o suporte. Ele me prometeu verificar. Voltei ao laboratório. Aí caiu a ficha: as duas WQ’s selecionadas tinham uma palavra maldita no título: JOGO. E as ferramentas de bloqueio odeiam jogos, games, juegos e assemelhados. Coisa do demônio. Motivo de distração. Pecado na academia. Passei a informação para o suporte. Ele me disse que eu precisaria de uma permissão especial para que meus alunos acessassem aquele material suspeito. Menino de boa vontade, ele tentou falar com os poderosos controladores dos bloqueios à internet na universidade. Os deuses da informática não estavam disponíveis. Meus alunos não conseguiram ver o que eu queria que eles vissem. Ponto para a censura.

Volto ao texto que anunciei no começo desta conversa e sem mais delongas copio-o a seguir.

Visito a sede da instituição em que trabalhei durante trinta anos. Já não conheço quase ninguém. Encontro finalmente alguém do meu tempo, o garçom da diretoria. Ele me convida para ir até a copa para um café tirado na hora. O ambiente é o mesmo de oito anos atrás. Noto apenas uma mudança: na salinha dos funcionários da copa há agora um computador. A moça que serve café num carrinho pelos andares do prédio está fazendo pesquisa na internet. Não sei se tal uso da rede é trabalho ou lazer. Deve ser trabalho. A instituição é muito rigorosa na administração dos usos da internet. Para garantir que seus empregados não saiam da linha, bloqueia tudo que supostamente pode afastar as pessoas de suas obrigações profissionais.

O episódio com o qual inicio esta conversa retrata a presença da internet por toda parte. Retrata também familiaridade de gente de todas as classes com as novas ferramentas de informação e comunicação. E sugere uma preocupação: muitos temem que os trabalhadores deixem suas obrigações de lado para se perderem nos imensos mares de informação e diversão da rede mundial de computadores. Para evitar que isso aconteça, as organizações contratam serviços de bloqueio (censura). Em muitos ambientes empresariais é impossível baixar imagens; é impossível também pesquisar sites buscados por meio de palavras como jogo, sexo, nudismo, música ou diversão. Além disso, as ferramentas de bloqueio impedem acesso a sites de relacionamento.

Toda essa paisagem parece tranquila e lógica. Mas não é bem assim. As explicações para bloqueios da internet são marcadas por um discurso moralista que vê os trabalhadores como gente sempre disposta a escapar de suas obrigações. E as medidas de bloqueio, aparentemente técnicas, acabam se convertendo em práticas de censura. Nesse clima, inocentes e culpados são punidos por anrtecipação. E surgem resistências na forma de dicas para burlar o sistema. Surgem os partisans. Com isso a censura aumenta. Fica mais burra e violenta.

O texto encontrado tem mais coisas. deixo-as para outra ocasião.

Fica aqui, mais uma vez, meu protesto contra a censura à internet