Paixão para ensinar e aprender

No post passado sugeri uma campanha para que professores recuperem o orgulho de ensinar. Para começar a conversa, divulguei um texto de Stéphane Laporte. Mas fiz isso em francês, idioma que pouca gente lê hoje em dia. Como meu domínio da língua de Asterix é pobre, pedi à minha filha, Tais Cardoso Barato, que traduzisse o dito texto. A tradução chegou hoje. Fiz pequenas adaptações. Aqui está o escrito de Laporte no idioma de Camões:

Até que ponto os professores sabem que eles são (ênfase acrescentada) a escola? Eles são as estrelas. Eles são os Tony Ramos, Kaká, Juliana Paes, Gisele Bundchen, Milton Nascimento, Jô Soares em suas matérias. São eles que animam as matérias, dão vida a elas, que as tornam interessantes ou chatas, que compartilham as suas paixões. Se o professor entra no piloto automático, o curso vai ser um fracasso, com certeza. Mas se o professor faz algumas acrobacias, recitando versos ou dramatizando os saberes de sua área, os alunos irão ao sétimo céu. Claro, ninguém é obrigado a ser genial. Os professores são como os esportistas, os políticos, os bombeiros, os cronistas, eles fazem o que podem com aquilo que eles tem.

Mas a gente não vira cozinheiro sem gostar de comida. Então, a gente também não vira professor se a gente não gosta de ensinar, se a gente não gosta de dar aula, de representar. Não é necessário que a aula de física se torne um espetáculo do Cirque du Soleil, é preciso apenas que os alunos sintam que seu mestre gosta muito da matéria. Isso estimula e entusiasma a classe.

Quantas horas eu já não passei desenhando no meu caderno porque o professor lia suas notas de aula sem ao menos levantar os olhos. Monotono. Cansativo. Resignado. O tempo da aula não passava porque o professor estava parado. Sem inspiração. Existe apenas uma forma de aprender: é gostando daquilo que se aprende. Se a gente não faz os alunos gostarem daquilo que a gente quer que eles saibam, eles nunca se lembrarão da matéria. A indiferença não tem memória.

Se eu amo tanto escrever, isso se deve, em grande parte à professora Lamoureux, do primário, ao professor Saint-Germain, do secundário e ao professor Parent, do magistério. Eram professores que tinham aquilo que precisa. E eles não eram do tipo que faz palhaçadas. Muito pelo contrario. Mas a vocação deles era sincera e bem visível. E é disso que a gente fala. Manter trinta alunos sentados em suas cadeiras durante um dia inteiro não é tarefa pra qualquer um. Até mesmo os pais sofrem para cativar seus filhos durante um fim de semana. Imagine então, o que precisam fazer os estranhos que, durante a semana toda, estão substituindo os pais e tentando transmitir conhecimento, cultura e lições de vida a uma audiência que só pensa nas próximas férias de Natal. Não é pra qualquer um.

E só há uma maneira de fazer isso bem. Para interessar, é preciso ser interessante. Claro, sempre haverá os maus alunos que continuarão insensíveis a um curso de inglês, mesmo se ele fosse dado pela Angelina Jolie ou pelo Brad Pitt. Mas a maior parte dos alunos quer apenas embarcar com o professor como guia. Então, é preciso que o senhor ou a senhora na frente deles queira levá-los para um pouco mais longe que, simplesmente, o fim do curso; um pouco mais longe que a carga de trabalho que está no programa.

Extrato de texto de Stéphane Laporte

Tradução: Taís Cardoso Barato

Paris, 21 de setembro de 2009

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11 Respostas to “Paixão para ensinar e aprender”

  1. Leonice Says:

    Cara colega,
    Li seu blog e gostei muito.
    Analisando, percebi o quando é fundamental gostar do que fazemos e o melhor disso é saber que nós somos mediadores da criação de nossos alunos.Se todos professores pensassem como você; como seria diferente a formação de nossos jovens.
    Olhando por esse lado. Cheguei a conclusão que somos responsáveis pela maioria da escolha das profissões de nossas crianças.
    É bom para um pouco e pensar…

  2. Cássio Oliveira Says:

    Olá professor Jarbas,

    Sou professor de informática no curso de Envelhecimento Saudável da Universidade Católica do Salvador e hoje estou utilizando seu blog para ensinar minhas queridas alunas um pouquinho das maravilhas da Web 2.0.

    Vou pedir que elas deem um “oi” aqui no blog.

    Abraço!

    • jarbas Says:

      Oi Cássio,

      Obrigado prla força. Já vi mensagens de algumas de suas alunas.Pura simpatia. É uma honra ter você e alunas neste Boteco. Se precisarem de algo que esteja a meu alcance, estou às ordens, Abraço grande,

      Jarbas

  3. Mércia Says:

    PROF Cassio nos apresentou ao seu blog
    Parabens pelo artigo.
    Um abraço Mércia

  4. Angeli Pires Says:

    Oi prfessor Jarbas
    Quero parabenizar pelo excelente artigo sobre o professor, no seu blog.
    Um abraço
    Angeli

  5. gildete barreto Says:

    Prof Jarbas

    Gostei muito do seu comentario sobre “docente”.

    Fui professora durante vinte e cinco anos.

  6. Conceição Rosa Says:

    Agradeço a Thaís pela tradução…
    Concordo com a Sthéfane, a diferença está no fazer com gosto!
    “É preciso contaminar o aluno”, se não, ficamos ao meio do caminho entre o que deveria ser e o nada redundante.

  7. Ana Paula Mota Says:

    Olá Professor!!! Cá estou eu lendo mais um de seus textos espetaculares!!
    Realmente ser professor não é uma “tarefa” fácil ainda mais quando não se têm vontade e orgulho do que faz!
    Devido a correria do dia a dia os pais estão cada vez mais ausentes e cabe a nós professores fazermos de pequenos momentos grandes aprendizagens.
    A falta de vontade tem realmente me preocupado. Cada vez mais professores estão desistimulados, tem se preoupado apens e executar tarefas… Será que estamos sendo justos com nossos pequenos?
    Agradeço também pelo texto, pois fez-me repensar no meu profissional… No que posso modificar, inovar e até mesmo melhorar!!!!!
    Voltamos a movimentar nosso blog (que confesso… estava “esquecido”)… Dê uma passadinha lá!! Srá uma grande honra para nós!!!! Beijos…. Ana Paula Mota

  8. Fátima Campilho Says:

    É por isso que muitas vezes arranco palmas dos meus alunos.
    Fico surpreendida, mas feliz.
    Abraços

  9. Vilmair Says:

    Olá professor Jarbas, gostei muito quando o senhor falou que o professor deve gostar daquilo que está fazendo, pois só assim poderá desempenhar um bom papel na educação e realizar os seus objetivos. O professor deve ser apaixonado pelo que faz, então assim será recompensado. Abraços

  10. Juliana Mena Barreto Says:

    Realmente devemos amar muito nossa profissão, pois só assim estaremos desempenhando um ótimo trabalho para a sociedade e fazendo o que nos da prazer.
    Prabéns!

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