Informação e conhecimento. Nota sobre aula.

Ano passado, para introduzir conversa sobre informação e conhecimento com meus alunos do primeiro ano de pedagogia, fiz um exercício no qual as pessoas buscam informações cujas fontes são outras pessoas. Após a aula, elaborei uma nota sobre a experiência. Não me lembro se a distribuí ou não para meus alunos. Ela ficou esquecida num  dos meus arquivos. Acabo de recuperá-la e resolvi compartilhá-la com fregueses deste estabelecimento.

Informação e Conhecimento

Notas sobre a aula de 16.02.08

Antes da matéria, música. Música por seus próprios méritos, não para apresentar algum conteúdo ou acalmar a classe. Uma campanha do professor: ouvir e valorizar mais a música. Alunas e alunos poderão colaborar. Temos uma meta: melhorar nossa apreciação musical em 2008.

Informação e conhecimento são palavras chave em educação. Educadores organizam informações na esperança de que os alunos elaborem conhecimentos desejáveis.

Matéria do dia: um exercício, conheço bem esta turma, sobre pessoas como fonte de informação. Observação: não se esqueçam deste exercício, ele será muito importante na hora de conversas sobre WebGincana, o trabalho prático que vamos realizar no primeiro semestre.

A partir do exercício, conversamos um pouco sobre o que é informação. O objetivo não era o de definir uma vez e para sempre informação. O objetivo era o de entendermos um pouco o que havíamos feito. Pintaram algumas definições:

  • Informação é um instrumento de comunicação (ato de colocar em comum). Colocar em comum o quê? O conhecimento.
  • Informação é um meio formado por recursos simbólicos (palavras, sons, gestos, imagens, figuras, expressão facial, textos) cujos significados são compartilhados pelas pessoas que se comunicam.
  • Sem o compartilhar de significados, a comunicação é impossível. Assim, recursos de informação aos quais somos incapazes de dar sentido (atribuir significado) não são informação para nós. Exemplo: uma palavra escrita em caracteres gregos nada comunica entre pessoas incapazes de lerem tais caracteres.

Numa primeira aproximação do conceito, foi isso que aprendemos. Parece pouco. Mas já é um bom começo.

Durante o exercício, muitas pessoas tiveram problema com respostas negativas. No caso de nosso exercício, respostas negativas eram “falta de informação”, não informação, pois não comunicavam aquilo que queríamos saber. Se procuro alguém que saiba qual é a capital do Quênia, de nada adianta saber que João, Maria e José não o sabem. Essas pessoas não nos darão a informação procurada. Mas se Manuel disser que tem certeza que a resposta para nossa busca é Nairobi, temos informação.

No primeiro parágrafo há uma menção a música. Trata-se de registro sobre outra experiência que fiz na ocasião : iniciar sempre as aulas com uma  música; nada diretamente relacionado com o assunto, apenas música que pudesse ser apreciada.

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5 Respostas to “Informação e conhecimento. Nota sobre aula.”

  1. Priscila Says:

    Fiquei curiosa sobre as reações dos alunos em relação à música na aula…
    Lembrei de uma coisa, acredito que não se compara à essa sua iniciativa. Na última empresa que trabalhei, sempre que se faziam treinamentos, a instrutora colocava ou no início ou no final uma mensagem de power point ou um vídeo no estilo auto-ajuda, desses que recebemos aos montes por email sempre do mesmo colega que adora clicar em “encaminhar”…
    Acho que eu era a única que não gostava daquilo. 🙂

  2. jarbas Says:

    Oi Priscila,

    Acho que a comparação proposta não é adequada. Música não é um refresco antes do trabalho sério. Nem deve ser veículo para passar conteúdos desagradáveis. Minha intenção não foi a de criar nenhum “clima”. Na época eu estava numa campanha para que a música voltasse a ser algo importante no espaço escolar. [BTW, na educação clássica da velha Grécia, música era a disciplina mais importante]. O que eu quis com a iniciativa foi sobretudo promover uma conversa sobre música e educação. Sobretudo sobre nossa relativa ignorância musicalporfalta de educação nesse campo.

    Minha pretensão não foi a de usar música como um truque de treinamento. Em algumas palestras costumo usar música.Para chamar atenção. Para mostrar contribuições importantes de alguns autores. Para que as pessoas embarquem em reflexões sobre o tema. Etc.

    O espaço aqui é pequeno para uma conversa mais mais circunstanciada.Mas espero ter lhe passado algumas informações que mostram que minhas intenções eram bastante diferentes da treineira que empregava textos de auto-ajuda em ppt.

    Abraço grande,

    Jarbas

  3. Priscila Says:

    Entendi a intenção, Jarbas. Na verdade, acho que se os treinadores de lá colocassem só música funcionaria muito melhor do que as tentativas deles. Eu achava engraçado que todo mundo gostava daquilo!
    Mas continuo curiosa quanto à reação dos alunos. E você comentava sobre a música também? Surgiam discussões? Isso durava quanto tempo? Como você conseguia mudar de assunto depois?

  4. jarbas Says:

    Oi Priscila,

    A reação dos alunos foi muito boa. Entenderam a intenção. Havia gente inclusive que trazia músicas para serem ouvidas pela classe. Mas não pude seguir com o plano. As audições musicais tomavam tempo da “matéria”. Acabei abandonando meu plano no meio do caminho.

    Continuo a achando que vale a pena aprender e curtir música em espaços de aprendizagem. E música pela música, não como veículo de conteúdos supostamente sérios.

    Uma revista espanhola de música me pediu para escrever artigo sobre o assunto. Ando estudando a matéria. Assim que conseguir alinhavar algo para o tal artigo, divulgarei o estudo aqui [vai demorar um pouquinho).

    Uma das obras que faz parte de minhas referências sobre o assunto é um livrinho que narra experiência de um quinteto de sopro num programa de educação musical em escola pública de Salem, nos EUA. Se interessar, veja resenha que escrevi sobre a
    citada obra em:

    http://www.senac.br/BTS/343/resenha.pdf

    Abraço grande,

    Jarbas

  5. jarbas Says:

    Complemento. Trabalhava mais audições musicais. Sem muita discussão. Os comentários eram mais informativos. Historiavam a música apresentada.

    As audições musicais nada tinham a ver com o que vinha depois. O que tentei fazer foi um experimento. Como já disse, não estava tentando dourar a pílula (ás vezes amarga) da matéria de estudo que vinha a seguir. O tempo de audição durava mais ou menos uns 15 minutos. Se continuasse com o experimento, eu gostaria de conversar no final de muitas sessões sobre música como um conteúdo de ensino que não precisa de nenhuma desculpa para ingressar nos espaços de aprendizagem.

    Abraço, Jarbas.

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