Conhecimento e metodologia

É comum a idéia de que metodologias de ensino devem ser adequadas ao tipo de clientela com a qual se trabalha. Vejo tal idéia com muitas restrições. Concordo que certos cuidados metodológicos devam ser tomados tendo em vista níveis de desenvolvimento dos alunos. Mas, a  idéia de método centrado no aluno pode levar a absurdos – que já observei em documentos de planos educacionais bem intencionados – como os de métodos para alunos pobres das periferias urbanas.

Métodos de ensino são prioritariamente função dos conhecimentos que devem ser aprendidos. É a natureza dos conhecimentos que deve determinar a escolha de caminhos que possam ajudar os estudantes a chegar ao saber desejado. Nesse sentido, o método de ensino, dado um mesmo saber, não tem porque ser diferente para alunos bem postos na vida e alunos deserdados da sorte. Por essa razão é muito importante contar com estudos que nos dêem boas idéias de quais são os conhecimentos com os quais estamos trabalhando em nossas aventuras educacionais. Por essa razão é bom conhecer taxonomias (classificações) de saberes. Há muitas delas na praça. Gosto da taxonomia de Merrill. Mas, ela não será objeto desta conversa. Quero aqui apontar para a taxonomia mais conhecida, a de Benjamin Bloom. Ela foi elaborada nos idos de 1956, mas ainda é uma referência indispensável para educadores. Segue uma ilustração muito clara da classificação de Bloom para o domínio cognitivo.

bloom escadaEssa ilustração faz parte de material que pode ser encontrado em http://budurl.com/2kax.

O uso da taxonomia de Bloom é muito interessante para examinarmos as possibilidades metodológicas de WebGincanas. Nessa alternativa de organização da informação para usos educacionais da Internet, os saberes com os quais podemos trabalhar situam-se nos dois primeiros degraus propostos por Bloom: knowledge e comprehension. WebGincanas não são apropriadas para os demais níveis. Traduzo aqui os termos dos dois primeiros degraus para quem não arranha inglês:

  1. conhecimento – para recordar e reconhecer [informações].
  2. compreensão – para traduzir, interpretar e extrapolar [conteúdos]

Nos dois primeiros degraus temos saberes modestos. Há quem os secundarize em educação. Mas eles são tão importantes quanto os saberes dos níveis superiores. Para uma visão mais clara e completa da taxonomia de Bloom, sugiro visita a material produzido por Bernie Dodge em palestra feita aqui no Brasil alguns anos atrás:

Sugiro também visita a post que escrevi sobre a matéria em outra ocasião.

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2 Respostas to “Conhecimento e metodologia”

  1. Conceição Rosa Says:

    Fui lá no outro post. Gostei demais da apresentação. Vou divulgá-la entre os colegas.

  2. Roseane Soares Says:

    Olá, professor Jarbas!
    Desde o ano passado, quando encerrei a sua disciplina na USJT, tenho visitado seu blog sem deixar meus vestígios, heheeh! Mas hoje, entro para agradecer por todo o conhecimento que me proporcionou! Quanto a taxonomia de Bloom, agora compreendo-a melhor, estou terminando a licenciatura e, com os estudos de psicologia, com a professora Zenaide, muitas coisas começam a ter mais sentido. Que bom que podemos sempre rever nossos conhecimentos, assimilando e/ou acomodando novos elementos! Agradeço novamente! Abraços. Roseane Soares

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