Wolfram Alpha: primeiras impressões

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Estava curioso para ver resultados de uso do Wolfram Alpha, a nova vedete dos sistemas de busca de informação na Web. No Twitter vi comentários do Bernie Dodge registrando suas primeiras impressões sobre a novidade. Nada de extraordinário. Mais que isso, Bernie confessa que não conseguiu encontrar algo empolgante. Observa que essa primeira impressão talvez nada signifique. Ele lembra que sentimento semelhante rolou ao experimentar  uma novidade chamada Google.

Fiz minhas próprias buscas na nova ferramenta. Não consegui ver utilidade clara em meus campos de interesse. Educação, tecnologia educacional, sociologia do trabalho, temas mais próximos das coisas que leio na vida profissional, aparentemente não fazem parte do acervo a partir do qual a nova ferramenta fornece respostas. Falo de aparências, pois talvez futuros usos mostrem que minha visão inicial é equivocada.

A ferramenta nada tem a ver com os buscadores mais conhecidos. Ela não indica webpages. Ela fornece sínteses informativas dentro de certos padrões.  As informações apresentadas são aquelas que podem ser tratadas computacionalmente. Se esse meu palpite for correto, nada que tenha caráter “literário” será tratado pelo Wolfram.

Gastei um bom tempo explorando a novidade. Ela é diferente de tudo que conhecemos. Mas velhos hábitos fazem com que a utilizemos como se fosse um buscador tradicional. Talvez essa prática seja o principal motivo de nossa falta de entusiasmo.  Estamos googlando o ingooglável. No Wolfram a busca é de outra natureza.

Alguns resultados são curiosos. A busca de uma data, por exemplo, apresenta informações que podem alimentar um bom papo de boteco. Wolframei a data emque nasci. Fiquei sabendo quantos meses e semanas vivi até o momento da busca. Fiquei sabendo a que horas o sol nasceu e se pôs no dia de meu nascimento. Soube também que vim ao mundo num dia de lua cheia. Nenhuma utilidade. Mas é uma informação interessante em horas de jogar conversa fora.

Outra coisa que descobri. O Wolfram apresenta uma calculeira impressionante sobre nomes próprios e sobrenomes. Vejam o caso de José. O novo buscador informa que uma em cada 196 pessoas tem este nome. Informa ainda que mais de quatrocentos e cinquenta mil Josés estão vivos hoje.  Sobrenomes também são tratados da mesma forma. Os dados, porém, referem-se apenas ao censo americano. Há aqui um problema que identifiquei em muitas buscas: os dados utilizados como fontes pelo Wolfram são produções européias e americanas. O sistema não reconhece um nome própio como o meu, Jarbas. Pouca gente tem esse nome. Mas o novo buscador também não reconhece nomes mais comuns aqui e em Portugal, como Raimundo e Manuel. O mesmo vale para sobrenomes.  Silva é reconhecido. Buarque, não.

Tentei encontrar pessoas famosas no Wolfram. Machado de Assis está lá, acompanhado por Paulo Coelho,  Jorge Amado e Guimarães Rosa. Mas nada de Manuel Bandeira e de Érico Veríssimo. Na música, Caetano Veloso está wolframado, Chico Buarque não. O novo buscador conhece Françoise Hardy, mas ignora Silvio Rodrigues e Pablo Milanes. Informa sobre Piaget. Nada diz sobre Bartlett. Talvez no futuro a galeria de gente famosa seja mais completa. No momento ela parece bem limitada. Em literatura talvez inclua obscuros escribas que usam o idioma inglês. Provavelmente levará muito tempo para reconhecer grandes escritores que têm o azar de escrever em outras línguas.

Em geografia física e política a nova ferramenta oferece informações que podem ser aproveitas em educação. O sistema reconhece, por exemplo, quase todas as cidades do Brasil [mas nada sabe sobre o burgo onde nasci, Itirapuã]. Quando solicitei informe sobre Franca, por exemplo, o Wolfram me disse que a cidade tem 305 mil habitantes, localizou-a num mapa do Brasil, me forneceu hora e temperatura observadas na cidade no momento da minha busca, me informou que a localidade está a 1014 metros de altitude, e indicou a maior cidade mais próxima, Ribeirão Preto (para desespero do orgulho francano).

O Wolfram pode estabelecer algumas relações  entre duas ou mais cidades. Para isso basta digitar, separados por vírgula, o nomes de duas ou mais localidades. Fiz isso, por exemplo com Franca, San Diego. O resultado é um quadro comparativo de número de habitantes, horário, altitude. Num mapa mundi aparece a indicação de onde estão localizadas as cidades buscadas. Uma linha vermelha as liga e o Wolfram informa a distância entre elas.

Dados de geografia política e física para as cidades, com o tratamento informativo do Wolfram, podem ser fontes interessantes. Basta usar um pouquinho de imaginação e criar tarefas que coloquem os alunos em rotas de busca. Coisa semelhante pode ser feita com as informações que o buscador oferece sobre países.

É bom tomar alguns cuidados ao utilizar os dados do Wolfram. Como já disse, as fontes que a nova ferramenta usa podem ter certos vieses. Fiz uma busca sobre o Timor Leste. O buscador, ao informar idiomas do país, não inclue português (uma das línguas oficiais). Inclue  inglês, idioma defendido por timorenses vinculados à Austrália (mas que não é língua oficial do país). É certo que talvez nem cinco por cento da população seja fluente em português. Mas o mesmo se pode dizer do inglês.

Dizem que o Wolfram é forte em ciências duras. Essas áreas de saber não são minha praia. De qualquer forma tentei investigar um metal, lead (chumbo). Os resultados apresentam bastante informações e uma tabela periódica localizando o elemento pesquisado. Parece que é material que pode ter bom aproveitamento em educação. Tudo vai depender da imaginação de professores que saibam dinamizar a utilização em tarefas que dêem sentido às buscas.

Fiz aqui um resumo da minha primeira experiência com o Wolfram Alpha. Não fiquei impressionado. Talvez eu tenha navegado pelo ambiente como se estivesse num buscador tradicional. Isso pode ter influencidao minha avaliação inicial. Vou precisar de algum tempo para aprender a usar a ferramenta e entender bem qual a sua utilidade. Mas já comecei a perceber algumas possibilidades de wolframar em educação.

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4 Respostas to “Wolfram Alpha: primeiras impressões”

  1. Carlos Seabra Says:

    Realmente, Jarbas, o bichinho parece divertido mas a quase totalidade das buscas (pelo menos em português) resulta em nada.

    Veja matéria acerca do Wolfram publicada hoje no IDGnow: Wolfram|Alpha oferece uma nova abordagem para as buscas na web.

  2. Michel Goulart Says:

    Oi, Jarbas, estive olhando o referido buscador. Acho que a função do buscador é fornecer informação rápida, fácil e precisa, coisa que o referido (ainda) não faz. Por enquanto, vou continuar no google 🙂 Abraços

  3. jarbas Says:

    Caros Seabra e Michel,

    Algumas buscas no Wolfram podem ser divertidas. Outras decepcionantes. O formato de resultado é original. E vocês têm razão. A nova ferramenta tem ainda longo caminho pela frente se quiser ser concorrente direto ou indireto do Google. Abraço, Jarbas.

  4. julio vinicius Says:

    observei o wolfram e adorei mas pude perceber que não era em português
    então doulhes um conselho..

    COLOQUEM EM PORTUGUÊS TAMBÉM…

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