Internet e sabedoria

Por muitos anos nosso mundo foi, nas palavras de Neil Postman, uma cultura tipográfica. Em tal cultura, a fonte mais importante de saber era o livro. Ler, ler muito, era condição para apossar-se de mais conhecimento. O sábio quase sempre era um erudito, um homem ou mulher que havia guardado e re-elaborado o que estava escrito no papel.

tico-ticoA descrição acima sugere que o livro influenciou modos de pensar. Sugere que o livro criou um certo tipo de sabedoria. Mas as produções tipográficas estão entrando em crise. Lê-se cada vez menos. E muita gente faz cálculos para adivinhar em que ano os livros vão desaparecer completamente de cena.

Com a crise dos livros,  já há gente tentando descrever qual a nova sabedoria que vem por aí. E é claro que as apostas indicam sabedoria derivada da Internet. Ainda lemos. Mas, em doses pequenas. Ainda lemos, mas com muita interrupção ou dentro de um rol de atividades aparentemente caóticas. Velhos como eu diriam que nosso modo de acessar saberes hoje segue o modelo “tio-tico no fubá”. Os profetas de plantão estão dizendo que a erudição  baseada em leitura vai sumir do mapa. Vem aí a erudição do sábio cuja sabedoria é a de dizer onde podemos procurar a informação que interessa.

Escrevi este post “on the spur of the moment”, a partir da leitura de um artigo indicado por Bernmie Dodge. Não aprofundei a coisa. E talvez não o faça nunca. Vai ver que já estou passando para o lado de lá. O lado daqueles que sabem indicar onde a sabedoria pode ser buscada na rede mundial de computadores. Falar nisso, o artigo que deu origem a esta minha fala pode ser encontrado aqui.

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2 Respostas to “Internet e sabedoria”

  1. Michel Goulart Says:

    Adorei o texto, Jarbas, a internet mudou mesmo a maneira com que relacionamos com tudo e todos. E dá-lhe crise! Crise na escola, família, na imprensa, na política, na economia…

    Parece a máxima positivista organicista sobre a sociedade: se uma instituição vai mal, tudo vai mal. Não sou positivista, mas não para negar a crise estrutural.

    Então temos a crise da leitura, dos antigos hábitos e saberes. Não sei se a internet é a causa de tantos problemas, nem se haverá uma solução para este aparente caos de informação em que vivemos.

    Acho que, neste contexto, o livro não vai desaparecer, apenas se transformar.

    Um abraço

  2. Adriana Says:

    a velha lei de Lavoiser serve aqui, a leitura de livro se transforma na leitura do blog, do post, do e-mail, da revista online, de um portal…isso significa que modificou a mídia, mas as palavras continuam.Outra discussão , entretanto, é o meio(não a mídia), parece que a imagem, o movimento tem mais apelo, que é o exemplo do próprio cinema (TV), isso quer dizer que a literatura foi transposta para o cinema(TV).Nossa necessidade lírica, de diminuir as frustações(elaborá-las) pela ficção tbm passou do meio semiótico fala para imagem…pelo menos é o q estou pensando cá com meus botões.

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