WebGincana no chão-de-escola

teia-de-aranha

Elaborar materiais para uso da Web em educação precisa ser atividade co-laborativa. Professores isolados conseguirão pouco, pois o tempo de planejamento e elaboração é muito. E tempo é um bem que os mestres não têm em abundância. O outro é grana, mas esta não é foco da nossa conversa…

WebGincanas, WebQuests e outros formatos de organização da informação para aproveitamento educacional da Web precisam, formal ou informalmente, acontecer numa rede.  Professores de história, por exemplo, poderiam ter um projeto comum de produção de WebGincanas para cobrir número significativo de assuntos. Dessa forma, uma comunidade de interesse geraria produtos para uso coletivo. As vantagens não são apenas de volume de produção. Uma comunidade como a que estou pintando aqui aprenderia e criaria muitas soluções interessantes em usos das WG’s de história.

communitiesEm escolas que integram redes, talvez uma proposta co-laborativa aconteça mais facilmente. Numa experiência antiga, o Programa de Informática e Educação do Senac, participei de uma comunidade com as características aqui apontadas. Na época (metade da década de 1980), usar computadores em educação dependia de softwares. E estes eram raros. Além disso, a equipe do PIE acreditava que tecnologia envolve fazer. Simples usuários de produtos tecnológicos dependem inteiramente de uma elite. Não dominam a tecnologia presente nas ferramentas que utilizam. Por isso, nosso projeto era o de contar com professores que usariam softwares educacionais, mas também dominariam os processos básicos de produção. Para tanto deveriam ser autores.

O PIE trabalhou sobretudo com professores de cursos na área de saúde. No campo da enfermagem, por exemplo, fizemos softwares sobre vacina, insulina, sangue, microbilogia etc. Cada um desses softwares surgia como proposta de um professor (o autor). Nossa equipe de instructinal designers, analistas e programadores entrava na dança para dar o necessário apoio e realizar as etapas de produção que lhe competiam. Com o tempo, foi se estruturando uma comunidade de interesse. Conseguimos uma produção razoável. E cada docente tinha à sua disposição diversos programas produzidos por ele mesmo e seus pares.

Toda essa conversa me veio à cabeça depois que passei umas oito horas elaborando uma WebGincana para a minha próxima aula de filosofia no curso de Comunicações.  Devo ter gasto umas três horas levantando sites para estruturar a parte de Recursos. Depois devo ter passado tempo  semelhante bolando e escrevendo questões, atividades e missões. Finalmente, passei umas duas horas colocando todo o conteúdo na versão espanhola do phpwebquest. Tudo isso para uso num período de duas aulas. E olha que o produto final é apenas um primeiro rascunho. Para obter um produto com melhor correção de linguagem, mais imaginativo, mais instigante  eu precisaria ainda de umas quatro horas de trabalho. Que professor tem todo esse tempo para preparar duas aulas? Fiquei pensando num professor da rede pública… Sem participar de uma comunidade co-laborativa ele certamente pouco poderá fazer quanto a usos mais estruturados da Web em seu ofício.

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2 Respostas to “WebGincana no chão-de-escola”

  1. Conceição Rosa Says:

    Oi professor

    Sou professora da rede pública, e passo um tempo enooooorme desenvolvendo atividades para uso no laboratório da escola… Faço porque vejo esta necessidade, mas ando um tanto quanto cansada. Será este um “efeito colateral” das tecnologias educacionais?
    A comunidade co-laborativa para a construção de atividades com os recursos tecnológicos ainda está em formação.

  2. jarbas Says:

    Oi Conceição,

    Bom saber de sua dedicação. Essa é uma condição para que a gente possa dar alguns passos à frente. Mas sozinhos, nosso esforço terá resultados muito limitados.
    Estou cada vez mais convencido de que uso expressivo de NTCI’s em educação depende muito mais de uma radical mudança na gestão das atividades de ensino. Isso inclui alterações significativas no contrato de trabalho dos professores. Para produzir, precisamos de tempo e dedicação. Nossos contratos de hoje remuneram, mal e porcamente, tão só as horas-aulas. Merecemos remuneração por autoria de materiais e propostas pedagógicas originais. Escolas e sistemas continuam a nos contratar nos moldes da velha crença de que os docentes são complementos para materiais didáticos, dadores de aulas. Cobram-nos novidade e criatividade, mas ninguém se senta conosco para conversar sobre os novos papéis que os professores devem assumir hoje e como repactuar condições de trabalho e remuneração.
    O novo modelo de gestão do ensino inclui, é claro, muitos outros itens. As necessárias formas de re-organização dos espaços de aprendizagem e de sua administração terão grandes consequências para o nosso trabalho docente. Se a gestão não mudar, continuarão a culpar os professores pelo atraso. Erradamente.

    Apesar de ver as coisas desse modo, acho que não podemos esperar as mudanças no campo da gestão. Precisamos investir em mudança já. De preferência com parceiros que, de alguma forma, entrem em comunidades de prática para produzir soluções que usem as NTIC’s.

    Vamos conversar mais sobre o assunto. Abraço grande, Jarbas.

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