Archive for 21 de abril de 2009

Bullying: uma música

abril 21, 2009

Há três ou quatro anos, um grupo de alunos da Licenciatura resolveu fazer uma WebQuest sobre Bullying. Entre as sugestões que dei à equipe estava o aproveitamento da belíssima canção Don’t Laugh at Me, cantada por Peter, Paul and Mary. A moçada foi longe.  Encontrou um belíssimo clip da canção. Traduziu e legendou o achado. Numa apresentação do trabalho, projetou o clip em tela grande. A platéia ficou emocionada, tanto pela beleza melódica da canção como pela poesia da letra.

A citada WebQuest não está mais no ar. Devo ter cópia do clip em algum lugar, mas não conseguiria disponibilizá-la aqui. De qualquer forma, há várias versões de Don’t Laugh at Me no Youtube. Destaco a que segue. Talvez não seja a melhor interpretação de PP&M, mas é tocante.

Meu palpite de que a canção podia animar reflexões sobre bullying não era original. Muita gente pensou o mesmo. E houve até quem preparasse vídeos especiais para tal fim. Segue aqui um exemplo.

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Imagem e comunicação: colaboração

abril 21, 2009

Bia Guterres comentou meu post anterior: Imagem e comunicação.  Em seu comentário, ela  me avisa que já postou matéria sobre Susan Boyle. Faço aqui o devido link para o blog da Bia.

Imagem e Comunicação

abril 21, 2009

Confesso que chorei. Não confessaria se milhares de outros homens não houvessem confessado. Muitas e muitas pessoas mundo afora sentiram forte emoção ao verem, no Youtube, VT da performance de Susan Boyle no show de calouros Britain’s Got Talent. E por que tanta emoção, tanto choro? Tem a ver com o talento de Susan Boyle. Mas, tem muito mais a ver com as circunstâncias.

susan-boyleSusan não é nada bonita. É feia. Tem quarenta e sete anos. Quando entra no palco, a platéia manifesta desgosto. A mulher não é nada daquilo que aprendemos ser imagem própria para TV. No ar há um clima de preparação para aquelas cenas de bufoneria que às vezes pinta em programas de calouro. Gente sem chanche alguma, feia, mal vestida, desafinada  é chamada para ser humilhada e divertir o público. Susan parece ser mais um caso assim.

É entrevistada. Quando diz a idade – quarenta e sete anos – ouve-se um murmúrio de desaprovação. Vêem-se caras de repúdio na platéia. Quando revela que seu sonho é ser como Elaine Page – a rainha dos musicais no Reino Unido,  mocinhas presentes fazem cara de “coitada, será que ela não se vê no espelho”. Aí Susan começa a cantar I Dreamed a Dream, do musical Les Miserables. Na terceira ou quarta nota, a audiência explode em aplausos. Componentes do júri manifestam emoção, sensibilizados com boa música cantada por quem sabe interpretá-la. A platéia fica de pé, aplaude sem parar, grita, sorri sorrisos de prazer, de admiração.

Conheço o suficiente de TV para saber que o episódio vivido por Susan Boyle foi “produzido”. Mesmo assim, há nele muito de autenticidade. Uma tomada de movimento do pomo de adão – próprio de quem engole saliva para não chorar – de um dos jurados certamente não foi ensaiada. Também não foi ensaiada a reação a platéia. Talvez ela fosse esperada. Mas, ao que parece, superou em muito a expectativa.

O episódio foi para o Youtube. Em duas semanas, o VT original foi visto 35 milhões de vezes. Outros VT”s que reeditam o original chegaram também à casa dos milhões. No total, são cerca de cem milhões de visitas para ver Susan cantando.

Novos meios de comunicação promovem imagem. Tudo que vai para a mass media tem que ter “boa imagem”. Esse modo de ver invadiu todas as dimensões da vida. Políticos, por exemplo, estão sempre preocupados com sua imagem. Na época eleitoral imagem é tudo. A realidade não é nada. Empresas também se preocupam com imagem. E essa passou a ser mais importante que o produto. Na história da imagem, dois componentes dos mitos dos novos meios de comunicação dão as cartas: beleza e juventude.  Gente feia tem de ficar de fora. Gente velha, idem.

Dois autores precisam ser lidos aqui: Daniel Boorstin e Edgar Morin. O primeiro escreveu um livro instigante que mostra como a imagem tomou conta de tudo desde que a comunicação de massas ganhou seus contornos definitivos na primeira metade do século passado. O segundo mostra que os mitos modernos dos meios de comunicação tiram de cena o homem comum, feio, sem charme, sem apelo sexual etc.

Cheguei ao caso Susan Boyle por meio de uma artigo da Bárbara Gancia, na Folha de São Paulo de 17 de abril de 2009:  Shrek de saias. O texto pode ser visto no blog da Bárbara.

Para ver Susan Boyle no episódio famoso de Britain’s Got Talent, clique no destaque que segue [na primeira versão incorporei o VT  aqui; mas, parece que incorporações estão bloqueadas, possivelmente a pedido dos produtores de Britain’s Got Talent].

  • Comunicação e música. A beleza da música cantada por Susan emociona.  E é isso que música deve fazer, deve emocionar. Tudo mais que cerca a música é secundário. Mas emoção não é pieguismo, melodia melosa com letra idem (algo que gente menos informada costuma chamar de romantismo). Emoção tem a ver com estética, com sentir o mundo, com utilizar o corpo inteiro para se expressar, com utilizar o corpo inteiro para comunicar-se com outros que sentirão a mesma emoção.
  • Imagem e comunicação. Susan Boyle contraria a verdade estabelecida que invadiu profundamente nossos corações e mentes. Admiramos imagens. Esperamos belas imagens na comunicação. Estranhamos gente como Susan nos meios de comunicação. Possivelmente o episódio aqui narrado nada vai mudar. As regras do jogo continuarão. Ou será que há esperança? Será que beleza e juventude vão ceder lugar para caras comuns e gente madura que não tem vergonha de mostrar o rosto marcado pelo tempo? Para essas duas questões, espero que meus alunos Ética e Jornalismo forneçam algumas respostas. E, é claro, não dispenso colaborações de outros leitores que queiram comparecer.