Epistemologia

canico

Voltei a dar aulas de filosofia. Desta vez no curso de comunicações. Um belo desafio. Estou tentando encontrar pontos de interesse comum entre estudos filosóficos e os trampos profissionais na área de comunicações. Não é fácil. Muitas vezes os estudos filosóficos ficam fora de foco. Isso me obriga a rever continuamente o que e  o como no desenvolvimento do programa. Até agora naveguei com meus alunos por problemas do conhecimento. É claro que em tais navegações, a questão mais aguda é a da verdade. Onde está essa senhora? Que importância tem para o saber humano? Podemos falsificá-la? E por aí vão perguntas e mais perguntas.

Usei poucos textos filosóficos. Decidi lançar mão de muitas atividades reflexivas. Comecei com a história da cotovia e dos sapos, contada por Rozsak, em Contracultura. Apelei para pensadores como Paulinho da Viola, Pascal, Descartes, Protágoras e Lupicinio Rodrigues. Mostrei o filme Adeus Lenin. Fiz exercíci0s que apelavam para a criatividade. E até dei uma aula expositiva.

Um resumo do que rolou até agora foi organizado numa coleção de eslaides que publiquei no Slideshare. Se quiser ver o material, dê um pulo até

E se você for meu aluno ou se quiser entrar no espírito da coisa, vá até comentários e escreva algo sobre um ou mais dos seguintes pontos depois de ver os eslaides :

  • A verdade é a verdade de cada um? Justifique seu ponto de vista.
  • Na relação de conhecimento, o objeto determina o sujeito. É isso mesmo? O sujeito não tem papel ativo em tramas de conhecer?
  • Se você viu Adeus Lenin, faça um pequeno comentário sobre crença e verdade com base no enredo do filme.
  • Editores ou diretores vão pedir para você verificar os fatos. O que isso tem a ver com epistemologia? Utilize o verso de Paulinho da Viola na sua argumentação [“As coisas estão no mundo. Eu só preciso aprender”]
  • Explique por que o modo de ver dos sofistas inviabiliza ciência e filosofia.

Está bom para começo de conversa. Volto ao assunto assim que der.

ET.  Nos slaides,  proponho uma audição de Mi Unicornio Azul, de Silvio Rodrigue. A letra sugere uma busca apaixonada. Pode ser busca por esperança.  Pode ser busca pela verdade. Se quiser ouvir a bela canção do grande compositor e cantante cubano, clique aqui.

A figura que ilustra este post é um caniço pensante. A referência, claro, é Pascal. Mas podia ser Lupicínio.

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3 Respostas to “Epistemologia”

  1. José Antonio Küller Says:

    Jarbas

    Sobre o tema não conheço nada mais instigante para uma discussão que um poema de Drummond:

    VERDADE

    Carlos Drummond de Andrade

    A porta da verdade estava aberta,
    mas só deixava passar
    meia pessoa de cada vez.

    Assim não era possível atingir toda a verdade,
    porque a meia pessoa que entrava
    só trazia o perfil de meia verdade.
    E sua segunda metade
    voltava igualmente com meio perfil.
    E os meios perfis não coincidiam.

    Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
    Chegaram ao lugar luminoso
    onde a verdade esplendia seus fogos.
    Era dividida em metades
    diferentes uma da outra.

    Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
    Nenhuma das duas era totalmente bela.
    E carecia optar.Cada uma optou conforme
    seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

  2. jarbas Says:

    Obrigado, ZéAntônio.

    Acho que ainda dá tempo de usar o poema do Drummond em minhas aulas.
    Abraço, Jarbas.

  3. Tati Martins Says:

    Caríssimo Jarbas!
    Quanta honra tê-lo em meu blog!!! Em primeiro lugar, gostaria de lhe agradecer a indicação para a entrevista na revista Carta na escola. O jornalista me procurou, trocamos vários emails, agora vamos ver o que ele vai apresentar em maio na reportagem.
    Vim responder a pergunta que deixou em meu blog e encontrei aqui uma série de questões instigantes e deliciosas. Não é à toa que sempre digo que adoraria ser/ter sido sua aluna. Vou pensar nessas questões também. Adorei o filme “Adeus Lenin”!
    Com relação aos termos confusos do Libâneo, tenho de concordar plenamente. Ele é muito objetivo e pontual em uma série de pontos, mas também consegue ser abrangente e subjetivo em muitos outros. Eu já tinha apontado isso com relação aos termos “culto” e “cultura” que são amplos demais. Agora, com relação à citação, talvez ele esteja sendo um pouco redundante ao tratar da qualidade da aprendizagem. Mas seu texto gira todo o tempo em torno da formação do professor prioritariamente, para atingir um objetivo maior que deve ser o horizonte de toda pesquisa em educação: a aprendizagem do aluno. Creio que “qualidade cognitiva” se refira à qualidade do conhecimento, pois a escola pode promover a aprendizagem de conhecimentos importantes e válidos ou não, para a produção de saberes em uma sociedade que inclua todos. Que “conhecimentos” são realmente importantes? Por que a escola ensina umas coisas e não outras?
    Espero não ter falado alguma besteira. Sou apenas uma iniciante…
    Um beijinho!

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