Muita informação, pouco conhecimento

Em post recente cito uma passagem de artigo que Alan Kay publicou na Scientific American nos anos 90. Basicamente, o criador de Smalltalk e outras maravilhas que facilitaram usos de computadores pessoais aponta em seu texto que há um risco das novas gerações serem muito informadas mas muito pouco conhecentes. Kay teme que num futuro próximo a maioria das pessoas tenha pouca capacidade para interpretar e dar sentido às informações recebidas.

Hoje (09/04/2009) na Folha de São Paulo, o cartunista Laerte  aborda o problema de modo bastante agudo, mostrando diálogo entre uma pessoa e uma tela informadora. Não tenho como reproduzir a tira da Folha aqui. Mas, posso reproduzir o diálogo entre o humano (HU) e a tela informadora (TI). Veja tal diálogo a seguir.

_ (TI) Há cem anos, no século 21, as pessoas ainda não haviam incorporado a dialética na vida cotidiana…

_ (HU) Oba! Dialética!

_ (TI) … o que as obrigava a esforços inauditos em sua luta pela vida…

_ (HU) Oba! Luta!!

_ (TI) … numa era em que o desastre ambiental levou à escassez generalizada de água e comida.

(HU) Oba! Comida!

Meu amigo Carlos Seabra enviou-me url com a historinha do Laerte. Fiz o devido  link. Assim, além de ler o diálogo que reproduzi anteriormente,você pode ver agora cópia da tira.


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8 Respostas to “Muita informação, pouco conhecimento”

  1. Michel Goulart Says:

    Jarbas, não sei se entendi corretamente o diálogo. Ele expressa a reprodução simples da informação passado pelo computador, ou sugere que no futuro os computadores substituirão os professore? Um abraço

  2. Fátima Campilho Says:

    Laerte é genial.
    Vou dar uma “fuçada” para ver se acho a tira na Folha on-line.
    Não há reflexão para tanta informação. O tempo é necessário para o conhecimento.
    Abraços

  3. Fique por dentro Escola » Blog Archive » Muita informação, pouco conhecimento « Boteco Escola Says:

    […] American nos anos 90. Basicamente, o criador de Smalltalk e outras … fique por dentro clique aqui. Fonte: […]

  4. jarbas Says:

    Oi, Fátima,

    Espero que você encontre a tira do Laerte. É um bom material para conversas sobre “leitura”. Abraço, Jarbas.

    Alô, Michel,

    O diálogo sugere alguém recebendo informações de uma mídia. Tal informação chega cheia de nuances, exigindo intérprete que possa lhe dar significado. Em linha com o que nos diz a linguística, todo e qualquer texto só ganha significado se for interpretado por um leitor. O significado não está no texto, está na interpretação [essa afirmação precisaria ser mais desenvolvida, mas o espaço aqui é escasso].
    Laerte, no diálogo que reproduzi, vai fundo no tema. Mostra uma informação com certo grau de complexidade. Mostra um intérprete humano absorvendo o que chega. Mas tal intérprete parece ser muito limitado. Apreende apenas palavras isoladas, não a argumentação. Apenas repete certos termos. A cena sugere uso de buscadores na internet. Chega muita informação. O que os usuários apreendem são, quando muito, parcelas simplificantes do conteúdo original. [Um autor para aprofundar mais o tema é Neil Postaman].
    Na minha interpretação, não vi sugestão de computadores substituindo professores. Mas acho sua sugestão interessante. Por vários motivos, informações passadas hoje por professores têm destino parecido com as informações da tela do Laerte. Se o professor é mero transmissor de informação merece ser substituído por um computador [que, aliás, transmite mais e melhores informações que os mestres…]
    Abraço, Jarbas.

  5. Michel Goulart Says:

    Pois é, concordo plenamente, principalmente com o último parágrafo. Um abraço

  6. Carlos Seabra Says:

    Jarbas, para publicar no post a imagem é só inserir este link:

  7. jarbas Says:

    Alô, Carlão.

    Obrigado pela informação. Fiz o link sugerido. Abraço, Jarbas.

  8. Guia do empresario Says:

    Talvez a maior dificuldade que a internet trara as futuras geraçoes seja a capacidade de interpretar as informaçoes. Enquanto razoavelmente resolvemos a questao do acesso a informaçao atraves da propria internet, nem conseguimos arranhar a questao da interpretaçao, e o volume de informaçoes crescera exponencialmente

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