Histórias orais cooperativas

Recebi, em Redação Cooperativa e Histórias Infantis,  de Marli Lúcia de Freitas, indagação sobre possibilidade de utilizar técnicas de escrita cooperativa com crianças pequenas. Respondi que acho difícil tal façanha. O uso que faço da mencionada técnica exige autores bem alfabetizados. Mas, como nada sei de educação infantil, minha resposta é só um educated guess, como dizem os gringos. Gostaria muito de ser contrariado por experiências de educadores que sabem trabalhar com crianças pequenas.

childrentalkingA pergunta da Marli me sugeriu uma possibilidade que podemos chamar de histórias orais cooperativas. O modo de trabalhar com tais histórias teria estrutura parecida com técnicas de escrita cooperativa. Os autores, porém, não precisariam ser alfabetizados. Isso abriria um leque de alternativas para a construção de histórias orais elaboradas a muitas vozes e com mudanças surpreendentes na trama. Não deve ser simples fazer isso. Mas não é impossível. Gente que trabalha com podcast [Alô, Seabra, será que colaboradores seus poderiam considerar a possibilidade?] talvez consiga bolar uma dinâmica para fazer isso com crianças pequenas ou adultos analfabetos. Parece meio louco. Por isso acredito que pode dar certo.

Anúncios

2 Respostas to “Histórias orais cooperativas”

  1. Carlos Seabra Says:

    Jarbas, muito interessantes as possibilidades desta idéia de “histórias orais cooperativas”, sem dúvida!

    Vou dar uma discutida com o pessoal envolvido com o Ponto de Cultura Vila Buarque, para ver a viabilidade de uma oficina experimental envolvendo a produção de áudio online, podcast etc.

    A propósito de história oral, não especificamente voltado para o público infantil mas com importantes aspectos em comum, recomendo a leitura do livro “História Falada”, produzido pelo Museu da Pessoa (com apoio do Sesc-SP e da Imprensa Oficial), que pode ser lido online em:

    http://www.scribd.com/doc/9709796/Historia-Falada

  2. Roseane Soares Says:

    Olá, professor Jarbas!
    Estou aqui de novo “fuçando” seu blog, eheheh!

    Falando sério agora… Trabalhei durante três anos nos CEU’s Azul da Cor do Mar e Aricanduva, ambos na Zona Leste de São Paulo. Lá eu desenvolvia atividades teatrais com diversas faixas etárias (CEI, EMEI, EMEF) e uma delas é muito próxima a idéia das “histórias orais cooperativas”, na verdade, acho que é isso mesmo. Só que, naquela época, não utilizávamos esse nome, dizíamos às crianças que iríamos criar uma história juntos e só. Infelizmente não tenho nenhum arquivo disso (áudio…), mas era muito interessante.

    A equipe de educadores iniciava a história (já pré combinada entre nós e com um objetivo específico) e as crianças ouviam. A continuação da história era passada a alguma das crianças (elas se candidatavam a isso) que, durante alguns minutos ia acrescentando coisas até ser, novamente, passada a vez. Todas as vezes que fizemos isso foram muito interessantes para nós e para as crianças, que sempre nos surpreendiam. Alguns alunos faziam vozes diversas, outros mudavam a trama com grandes surpresas e havia sempre muita expectativa a cada novo acréscimo. Após a experiência, quando gostavam muito da história, “brincavam de encenar”; outras vezes só conversávamos sobre como fora, quais as expectativas, o que poderia ter sido diferente ou melhor, etc; sobre a contribuição de cada um, etc. Tudo isso era feito respeitando a faixa etária de cada turma e aproveitando justamente suas características, ou seja, as crianças mais novas, geralmente, fantasiavam mais que as mais velhas. Os pré-adolescentes da EMEF falavam de coisas mais concretas, próximas de suas realidades, etc.

    Isso ajudava muito a desenvolver a imaginação (e várias outras coisas!) dos alunos e, como eu trabalhava teatro com eles, na hora de “improvisar”, tudo fluia com mais facilidade (não era perfeito, claro, mas mudava bastante após experiências assim). Como sempre, nas primeiras vezes era mais complicado: alguns não queriam participar, outros choravam, pulavam e tinham as mais diversas reações que toda a energia infantil permitia ter… mas, uma vez realizado, pegavam gosto e pediam para fazer de novo!

    Já prolonguei-me muito. Tenho muito o que aprender ainda e tenho consciência de que, quando fiz tudo isso, não tinha total ciência do que estava sendo realizado, mas tenho compreendido melhor agora (com a licenciatura…).
    Até mais, professor!

    Roseane Soares

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: