Celulares, canes et caterva

O título deste post é está escrito em latim decadente. Motivo: chamar atenção do leitor. Metamotivo:  chamar atenção do leitor para um texto delicioso do meu amigo Juvenal Alvarenga.

Minha última arenga sobre celulares, quase um catilinária (Delendi sunt celulares), mereceu diversas considerações numa lista da qual participo (a lista de aposentados do Senac e amigos). Converti algumas daquelas considerações em comentários lá em Celulares: inferno para os  outros. Agora, na mesma lista, o Juvenal envia um belo texto tratando do tema. E para aproveitar a ocasião, insere outros assuntos na conversa, comenta minha proposta de campanha contra os celulares, e aproveita para promover uma outra campanha, a de respeito pelos cães. Paro por aqui. E sem mais, reproduzo o texto do Juca.

REGINALDO et CATERVA!!!

O CELULAR tem suas vantagens. Vivi muitos anos sem telefone fixo (não tinha grana para um). Quando tive utilizei pouquíssimo. É ótimo para marcar consultas médicas. Celular nunca tive. E não sinto falta.


Não nego que é uma comodidade e falar de dentro do carro é muito chic. Mas eu não tenho o que falar de dentro de um carro. Nem de fora. Vivo bem sem. Gostaria de fazer, sim, uma campanha contra o celular dos outros. Esses que aborrecem tanto a CLEO PISANI… e a todos nós que temos auriculares sensíveis. Mas ainda não formulei minha estratégia.

Campanha mesmo que gostaria de fazer é contra certas injúrias que aplicam aos cães. Como ofender alguém o chamando de “cachorro”. Seria esse cachorro da ofensa o mesmo tão louvado por todos nós e pelo recado do REGINALDO que acabo de abrir e desfrutar ao lado de meu indiferente plantel canino? Eles são como os lírios do Salomão… não tecem e não fiam mas transluzem a beleza de Deus. São como Deus pretendia fazer os homens, dóceis e vigorososao mesmo tempo e, pelo jeito, errou na fórmula.

Com os cães acertou. São obras divinas, mais do que nós. Tanto que não precisou criar um Inferno pra eles e criou vários para nós. Lembram-se do catecismo? Limbo, purgatório e o paraíso longe, para onde se chega pelo buraco de uma agulha? Dante tratou de melhorar isso criando outras dependências na mansão dos horrores.

Ontem, vendo o capítulo de  uma novela (não me lembro qual, todas são igualmente péssimas) a personagem queria ofender o namorado e escolheu uma série de impropérios furibundos para fortalecer seu objetivo de injuriar: covarde, vilão, safado, miserável… e terminou com um sonoro CACHORRO! Foi demais para meu frágil equilíbrio glicêmico. Pedi logo meus sais e minhas insulinas e pensei na urgência de uma CAMPANHA contra esse despautério. Essa iniqüidade. Essa correlação malsã. Essa isonomia atravessada. E contra todos os arranjos benfazejos da convivência milenar entre o cão e o homem.

que existem campanhas pra tudo, até pra perpetuar o Hugo Chaves no poder e essa do Jarbas por sua idiossincrasia com os celulares , precisamos fazer uma petição contra a deslealdade com os cães, cuja sinonímia não tem nenhuma correspondência com covarde, vilão, safado… e muito pelo contrário. Que o namorado da mocinha da novela vá à merda, mas com outro vocabulário. Comunique-se ao autor e revogam-se as disposições em contrário.

Estou colhendo assinaturas.

Abraços,

Juvenal

PS. Como alerta o Carlos, a SUPERINTERESSANTE deste mês traz um belo artigo sobre os cães.

Para quem  não conhece o grande boa praça e ótimo escrevinhador, Juvenal Alvarenga, reproduzo aqui foto dele com um de seus muitos cães. Para saber mais sobre o autor, seus cachorros e outras coisas mais, recomendo um dos blogs do Juca.

juve-cao1

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2 Respostas to “Celulares, canes et caterva”

  1. Milena Says:

    Gostei muito da crítica sobre os celulares, nunca atendo o celular porque não sinto necessidade de estar com ele pendurado 24 horas comigo, e é uma tremenda falta de respeito das pessoas que falam em lugares públicos (ônibus, elevador etc.) quase gritando sem pensar que existem pessoas ao seu redor.

  2. Valéria Conceição Says:

    Olá professor, concordo que algumas pessoas não sabem como e onde utilizar o celular, muitos não percebem o quanto encomoda falar alto, e dizer certas coisas que não interessam aos demais, mas que infelizmente dependendo do ambiente são obrigadas a ouvir por não ter outra saída.
    Penso que estas pessoas deveriamter aulas de etiquetas.

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