A aula que eu queria

Sou professor. Ofício difícil. As condições de trabalho nem sempre são boas. Os alunos nem sempre estão dispostos. Eu, idem. Mas fica um sonho: qualquer dia a gente acerta a mão e aula vira uma obra bem feita. Aliás, esse é o sonho de todo trabalhador:  ver nos resultados de seu ofício uma obra bem feita.

Semana passada quase cheguei lá. Nas minhas turmas de Pedagogia e Licenciatura, para começar o trabalho no laboratório de informática, coloquei o pessoal numa situação de redação cooperativa. Utilizei para tanto idéias e materiais que já são conhecidos de alguns leitores deste Boteco. E quem não os conhece pode vê-los em 012. Redação cooperativa e histórias infantis.

No final do processo, tive que interromper os alunos para saber qual era a melhor história da bancada. E tive dificuldades para interromper. Não queriam parar. Liam as histórias produzidas e riam, ou ficavam com um sorriso de contentamento no rosto. Coisa rara numa tarefa de redação na escola. E mais, durante todo o processo, não vi ninguém desinteressado. Todo mundo trabalhou pra valer, produzindo num ritmo cada vez mais envolvente diversos enredos para as histórias propostas. Fiquei o tempo todo apenas assistindo a um trabalho produtivo e feito com prazer. Aí me veio o sentimento de obra bem feita, não de “matéria dada”…

Faço aqui este registro inspirado por escritos de meu amigo Bernie Dodge. Ele sempre manifesta sua satisfação por obras bem feitas. E quem já teve oporunidade de participar de suas aulas ou oficinas de tecnologia educacional sabe do que estou falando. Estou falando de eventos que envolvem pessoas em aventuras prazerosas de aprender. Não tenho nem a competência nem o carisma do Bernie, mas senti que minhas aulas da semana passada foram obras bem feitas.

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2 Respostas to “A aula que eu queria”

  1. Adri Says:

    Oi,
    Primeiro quero parabenizar pelo blog. Também sou educadora. Confesso que estou iniciando nesse mundo de blogs, estou gostando e mesmo com o pouco tempo que tenho, estou tentando encontrar alguns linteressantes e o seu foi um deles, principalmente por falar de nossa profissão, parabéns. Ainda não tive tempo de ler muito, mas chego lá.
    Adorei essa postagem e também busco a cada dia a “aula que eu queria” com meus alunos.
    Obrigadinha pelo comentário no meu blog, também amo Carlos Drummond.
    Abraço fraterno

  2. Suely Says:

    Oi, Professor Jarbas!

    Numa das escolas em que atuo, desde o final de 2007 temos computadores instalados, mas sem acesso à Internet!
    A maioria de nós, professores e alunos da escola, queríamos muito os computadores… eles chegaram… mas continuamos contrariados por causa da ausência da Internet…
    Resolvi inventar o que fazer no laboratório… meus colegas passavam pela sala, viam a porta aberta, espiavam, perguntavam o que fazia lá… com a gurizada…
    E muitas vezes estávamos usando o BrOffice Writer para construir nossos textos… Ah, só isso!
    Não, não era só isso, era outra relação com a escritura… E os alunos não queriam parar de escrever… Fiz o relato dessa experiência hoje no Ufa! Bloguei! (um espaço de aprendizagem, por enquanto meio singular, mas que se tornará plural…)

    Vou tentar usar a ideia de redação colaborativa, talvez a use em alguma trama na literatura…

    Professor, desnecessário dizer, mas… sempre ando por aqui!

    Obrigada!
    Abraços!

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