Archive for 23 de fevereiro de 2009

Paulo Freire e blogs 2

fevereiro 23, 2009

Tem gente que não vai aos comentários nos blogs. Com isso pode perder parte da conversa que acontece nesses espaços públicos de troca de informação. Por este motivo, vou reproduzir aqui uma referência sobre Paulo Freire e Internet que me foi mandada pelo Carlos Seabra.

Ao comentar o que escrevi no post anterior, Seabra informa que o neto que ajudava Freire em usos da rede mundial de computadores era Alexandre Dowbor. E fez mais, mandou registro de um episódio no qual Freire comenta os possíveis rumos da internet em empreendimentos de educação popular e democrática. Obrigado, Carlos Seabra.

Em 1996, quando foi mostrada a Paulo Freire a página http://www.paulofreire.org, ele ficou maravilhado com as possibilidades da Internet. O site foi construídopara o IPF (Instituto Paulo Freire) pelo seu neto Alexandre Dowbor, filho de Fátima Freire. Maravilhado e preocupado ao ver o Alex navegar com tanta facilidade pela rede, observou logo que as enormes vantagens oferecidas pela Internet estavam restritas a poucos e que as novas tecnologias acabavam criando um fosso ainda maior entre os mais ricos e os mais pobres. E concluiu: “é preciso pensar como elas podem chegar aos excluídos”. Dizia que esse deveria ser o compromisso do instituto (GADOTTI, 2000, p. 263).


Paulo Freire e os blogs 1

fevereiro 23, 2009

Já disse em outro blog que nosso educador maior, se tivesse vivido um pouco mais, seria um blogueiro do primeiro time. Esta minha certeza se deve a dois motivos:

  1. Blogs são espaços de conversa.
  2. Paulo tinha grande interesse pelo ciberespaço.

Começo pelo segundo motivo. Em meu primeiro encontro com Paulo Freire, quando soube que eu era um tecnólogo educacional, ele me contou que estava muito interessado pela internet. Seu interesse foi despertado por informações  de um dos netos (micreiro adolescente) que conversava com muita gente mundo afora, via rede, sobre seu avô. Esse neto inclusive, por meio da internet, havia estabelecido contatos de Freire com educadores que de outra forma não teriam oportunidade de conversar com o autor de Pedagogia do Oprimido. Freire não frequentava diretamente a internet por duas razões: 1. na época, navegar pela rede ainda exigia certas tecnalidades pouco confortáveis para pessoas de mais idade, 2. seu neto lhe fornecia as principais informações de que precisava em termos de conteúdos da internet. Mas, tinha grande esperança de que o meio seria um espaço privilegiado de conversação.

Passo agora para o primeiro motivo. Freire era um conversador. Amava papos com toda gente. Um dos últimos contatos que tive com ele foi para intermediar uma conversa com meu amigo Steen Larsen, grande educador da Dinamarca. Falei com o Mário Sérgio Cortella sobre o desejo de Steen: encontrar-se com Paulo Freire. Mário me disse que seria difícil. Freire estava adoentado. Precisava de repouso. Mas, como o educador dinamarquês dificilmente teria outra oportunidade de se encontrar com Paulo Freire, sugeriu que eu planejasse um encontro de quinze minutos. Segui a orientação do Mário. Mas nada aconteceu conforme o planejado. O papo durou mais de duas horas. Isso porque eu, preocupado com a saúde de nosso mestre, tentava sempre abreviar a conversa. Mas Paulo queria conversar. Queria saber mais. Queria saber como Steen via as possibilidades de uma educação libertadora na Dinamarca. Queria conhecer a obra do dinamarquês. Queria conversar.

Steen registrou a conversa com Freire num artigo que merece ser lido. Kirsten, mulher do meu amigo dinamarquês fez várias fotos do encontro. Reproduzo uma delas aqui.

freire

Este post ganhou vida própria e foi muito mais longe do que eu esperava. Na verdade nem era um post. Era um parágrafo inicial para introduzir comentários sobre um artigo que sugere o uso das idéias de Paulo Freire na caracterização da natureza dos blogs.  Fico devendo. Numa outra oportunidade comento o citado artigo.

A aula que eu queria

fevereiro 23, 2009

Sou professor. Ofício difícil. As condições de trabalho nem sempre são boas. Os alunos nem sempre estão dispostos. Eu, idem. Mas fica um sonho: qualquer dia a gente acerta a mão e aula vira uma obra bem feita. Aliás, esse é o sonho de todo trabalhador:  ver nos resultados de seu ofício uma obra bem feita.

Semana passada quase cheguei lá. Nas minhas turmas de Pedagogia e Licenciatura, para começar o trabalho no laboratório de informática, coloquei o pessoal numa situação de redação cooperativa. Utilizei para tanto idéias e materiais que já são conhecidos de alguns leitores deste Boteco. E quem não os conhece pode vê-los em 012. Redação cooperativa e histórias infantis.

No final do processo, tive que interromper os alunos para saber qual era a melhor história da bancada. E tive dificuldades para interromper. Não queriam parar. Liam as histórias produzidas e riam, ou ficavam com um sorriso de contentamento no rosto. Coisa rara numa tarefa de redação na escola. E mais, durante todo o processo, não vi ninguém desinteressado. Todo mundo trabalhou pra valer, produzindo num ritmo cada vez mais envolvente diversos enredos para as histórias propostas. Fiquei o tempo todo apenas assistindo a um trabalho produtivo e feito com prazer. Aí me veio o sentimento de obra bem feita, não de “matéria dada”…

Faço aqui este registro inspirado por escritos de meu amigo Bernie Dodge. Ele sempre manifesta sua satisfação por obras bem feitas. E quem já teve oporunidade de participar de suas aulas ou oficinas de tecnologia educacional sabe do que estou falando. Estou falando de eventos que envolvem pessoas em aventuras prazerosas de aprender. Não tenho nem a competência nem o carisma do Bernie, mas senti que minhas aulas da semana passada foram obras bem feitas.