Crickets, Scratch e Machados de Pedra

Acabo de ler o artigo Sowing the Seeds for a more Creative Society,  de Mitchel Resnick, do MIT Media Lab. No texto, o autor procura mostrar que nosso mundo hoje é uma Sociedade Criativa, uma compreensão que vai muito além de conceitos como os de Sociedade da Informação ou Sociedade do Conhecimento. No confronto com este último conceito, a Sociedade Criativa exige, além de construção de conhecimentos, capacidades para resolver de modo criativo os problemas que vão surgindo com muita rapidez em nossa sociedade.

scratchResnick aponta a necessidade de uma educação atenta e capaz de promover aprendizagens sintonizadas com nosso mundo. Sugere que duas tecnologias que desenvolveu no MIT com suas equipes de trabalho, o Cricket e o Scratch, são ferramentas que podem ajudar as crianças a desenvolverem as habilidades criativas demandadas pelos novos tempos. Ambas as tecnologias permitem que as crianças inventem e  elaborem produtos interessantes. No processo, a produção irá exigir  imaginação, domínio de determinados conteúdos e alguma programação para que os computadores concretizem  os resultados desejados. Aqui e ali, o texto de Resnick ia me lembrando promessas feitas pelos entusiastas do Logo [e no final do artigo o próprio Resnick nota que ambas as tecnologias tem certas ligações com as idéias já presentes na famosa programação da tartaruga].crickgirl-new

Sou professor de tecnologia educacional com mestrado na disciplina num dos mais afamados departamentos de tecnologia educacional das universidades americanas, o EdTech Department da San Diego State University. Deveria, portanto, anunciar o artigo do Resnick com um sentimento de esprit de corp orgulhoso das novas conquistas de nossa corporação. Mas na leitura, um anjo torto me soprou dúvidas que não querem calar. Fiquei pensando: criatividade não é uma demanda dos novos tempos, é uma demanda humana de sempre. Nossos ancestrais, capazes de ver nas pedras machados muito bem talhados, às vezes mais bonitos que funcionais, eram criativos. E criativos tinham de ser os aprendizes da arte de fazer machados na distante cultura auchelense.

O tal anjo torto ainda me sugeriu outra heresia. O entusiasmo pelo Cricket e pelo Scratch lembra certas virtudes que se proclamou certa vez com relação  à aprendizagem do xadrez. Mas como já disse o arguto Jaguar: “aprender xadrez desenvolve de modo significativo … a capacidade de jogar xadrez”.

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2 Respostas to “Crickets, Scratch e Machados de Pedra”

  1. Scratch: informações e dúvidas « Boteco Escola Says:

    […] Por outro lado, certo anjo cantado por Drummond me soprou dúvidas sobre a ferramenta que vem despertando tantos entusiasmos. Talvez seus envangelistas estejam prometendo demais. Esta, pelo menos foi a impressão que me ficou da leitura de um artigo de Mitchel Resnick,  o pai do Scratch.  Minhas dúvidas estão registradas em post recente:  Crikets, Scratch e Machados de Pedra. […]

  2. ana Says:

    esse é o pior site de perguntas!!!!!!!!!!!!!!!!!

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