Archive for 15 de fevereiro de 2009

Mais música na escola

fevereiro 15, 2009

well-tempered-mind

Continuo, lá no Aprendente a comentar a obra A Well-Tempered Mind, livro que narra a aventura e resultados da presença de um quinteto de sopro da orquestra sinfônica de Wiston-Salem numa escola pobre e com alunos que tinham dificuldades de aprendizagem. Estou indo devagar, no estilo slow blogging. Desta vez resumo e comento o primeiro capítulo da obra: Fanfare. O espaço já mereceu a honra da visita de Carme Miró, grande educadora catalã.

Interessados podem ir até lá com um clique aqui.

Botecos e academias

fevereiro 15, 2009

Para clarear o sentido da conversa em botecos e bares da vida prometi, desde a inauguração deste Boteco Escola, postar aqui de vez em quando coisas  relacionadas com a cultura botequeira. Mas, quase sempre, me esqueço do compromisso. Por sorte, acabo de receber mensagem de meu amigo Juvenal com informação sobre a cultura maior de todos nós. Trata-se de uma reflexão comparativa que procura ver quais são as vantagens de frequentar bares e academias. Vejam o resultado no texto que segue.

Por que será que é mais fácil freqüentar um bar do que uma academia? Para resolver esse grande dilema, foi necessário freqüentar os dois (o bar e a academia) por uma semana. Vejam o resultado desta importante pesquisa:

Vantagem numérica:
– Existem mais bares do que academias.
Logo, é mais fácil encontrar um bar no seu caminho.
*1×0 pro bar.**

Ambiente:
– No bar, todo mundo está alegre. É o lugar onde a dureza do dia-a-dia amolece no primeiro gole de cerveja.
– Na academia, todo mundo fica suando, carregando peso, bufando e fazendo cara feia.
*2×0.**

Amizade simples e sincera:
– No bar, ninguém fica reparando se você está usando o tênis da moda. Os companheiros do bar só reparam se o seu copo está cheio ou vazio.

*3×0.*

Compaixão:
– Você já ganhou alguma saideira na academia?
Alguém já te deu uma semana de ginástica de graça?
– No bar, com certeza, você já ganhou uma cerveja ‘por conta’.
*4×0.*

Liberdade:
– Você pode falar palavrão na academia?
*5×0*.

Libertinagem e democracia:
– No bar, você pode dividir um banco com outra pessoa do sexo oposto, ou do mesmo sexo, problema é seu…
– Na academia, dividir um aparelho dá até briga.
*6×0.**

Saúde:
– Você já viu um ‘barista’ (freqüentador de bar) reclamando de dores musculares, joelho bichado, tendinite?
*7×0.*

Saudosismo:
– Alguém já tocou a sua música romântica preferida na academia? É só ‘bate-estaca’ , né?
*8×0.*

Emoção:
– Onde você comemora a vitória do seu time?
No bar ou na academia?
*9×0.*

Memória:
– Você já aprontou algo na academia digno de contar para os seus netos?
*10×0 pro BAR!!!**

Portanto, se você tem amigos na academia, repasse este e-mail para salvá-los do mau caminho!**

PS: Você já fez amizade com alguém bebendo Gatorade???

ENTÃO, VAMOS SIMBORA PRO BAR!!!
BEBER, CAIR E LEVANTAR…

Crickets, Scratch e Machados de Pedra

fevereiro 15, 2009

Acabo de ler o artigo Sowing the Seeds for a more Creative Society,  de Mitchel Resnick, do MIT Media Lab. No texto, o autor procura mostrar que nosso mundo hoje é uma Sociedade Criativa, uma compreensão que vai muito além de conceitos como os de Sociedade da Informação ou Sociedade do Conhecimento. No confronto com este último conceito, a Sociedade Criativa exige, além de construção de conhecimentos, capacidades para resolver de modo criativo os problemas que vão surgindo com muita rapidez em nossa sociedade.

scratchResnick aponta a necessidade de uma educação atenta e capaz de promover aprendizagens sintonizadas com nosso mundo. Sugere que duas tecnologias que desenvolveu no MIT com suas equipes de trabalho, o Cricket e o Scratch, são ferramentas que podem ajudar as crianças a desenvolverem as habilidades criativas demandadas pelos novos tempos. Ambas as tecnologias permitem que as crianças inventem e  elaborem produtos interessantes. No processo, a produção irá exigir  imaginação, domínio de determinados conteúdos e alguma programação para que os computadores concretizem  os resultados desejados. Aqui e ali, o texto de Resnick ia me lembrando promessas feitas pelos entusiastas do Logo [e no final do artigo o próprio Resnick nota que ambas as tecnologias tem certas ligações com as idéias já presentes na famosa programação da tartaruga].crickgirl-new

Sou professor de tecnologia educacional com mestrado na disciplina num dos mais afamados departamentos de tecnologia educacional das universidades americanas, o EdTech Department da San Diego State University. Deveria, portanto, anunciar o artigo do Resnick com um sentimento de esprit de corp orgulhoso das novas conquistas de nossa corporação. Mas na leitura, um anjo torto me soprou dúvidas que não querem calar. Fiquei pensando: criatividade não é uma demanda dos novos tempos, é uma demanda humana de sempre. Nossos ancestrais, capazes de ver nas pedras machados muito bem talhados, às vezes mais bonitos que funcionais, eram criativos. E criativos tinham de ser os aprendizes da arte de fazer machados na distante cultura auchelense.

O tal anjo torto ainda me sugeriu outra heresia. O entusiasmo pelo Cricket e pelo Scratch lembra certas virtudes que se proclamou certa vez com relação  à aprendizagem do xadrez. Mas como já disse o arguto Jaguar: “aprender xadrez desenvolve de modo significativo … a capacidade de jogar xadrez”.