Praça e rua do povo

Quase todo mundo conhece os versos iniciais de um poema de Castro Alves:

A praça é do povo

Como o céu é do condor.

Um grito de liberdade. E para nós, hoje, uma lição política: é preciso recuperar praças e ruas como espaços urbanos de convivência. É preciso não aceitar passivamente a idéia de que as crianças devem ser retiradas das ruas. A direção  é  outra: as ruas devem ser recuperadas como espaços onde as crianças vivem a vida da cidade.

O que estou escrevendo aqui é resultado de uma aprendizagem que vem mudando meus modos de ver escola, cidade e educação. Tudo começou quando escrevi o primeiro post sobre arquitetura e educação. A partir disso naveguei muito pela web para me informar sobre o assunto. No processo, lembrei-me de observações resultantes de velhas leituras e conversas com amigos. Finalmente, estabeleci relações entre o projeto cidade da criança de Francesco Tonucci e o arquiteto holandês Aldo van Eyck, cujos projetos de parques  infantis acabei conhecendo na leitura de The Craftsman, de Richard Sennett.

Pode ser que  ninguém esteja lendo estas linhas. Não importa. Uma das características dos blogs (como diz a Lilia Efimova, aí do lado) é a possibilidade do autor conversar consigo mesmo. E essa conversa é um bom modo de aprender.

Ao ir atrás de informações sobre van Eyck, encontrei um livro de arquitetura cujos originais estão disponíveis na web. Trata-se de Team 10: arquitetura como crítica, de Ana Cláudia Castilho Barone. Nele há um capítulo sobre o arquiteto holandês que se empenhou em recuperar os espaços urbanos de Amsterdam para a convivência de adultos e crianças. Para nós importa a seguinte passagem de tal obra:

Os espaços urbanos dedicados à criança podem ser entendidos como um primeiro deslocamento da instituição, pois dão à criança terreno de atuação dentro da cidade. Esses projetos são exemplos da preocupação de Van Eyck com uma apropriação corporal do espaço. O significado político desta atitude não pode ser desprezado: de ser em potencial, segregado durante longo tempo de sua “formação”, a criança torna-se um ser atuante, inserido na vida pública, compartilhando do mesmo espaço do adulto: tem para si um espaço desenhado em plena rua. (pág. 127)

van-eickA foto acima mostra mais um dos playgrounds desenhado por Aldo van Eycken.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: