Archive for 21 de janeiro de 2009

WebQuest e geometria

janeiro 21, 2009

geometriaDia 18 de dezembro de 2008 participei de duas bancas de mestrado na PUC/SP, área de educação matemática. As novas mestras são Clarice  Fernandes e Elen Santiago da Silva

Trabalhos muito interessantes por vários motivos:

  • foram elaborados a partir de uma WebQuest construída por um grupo de estudos do mestrado da PUC.
  • ambas as autoras são professoras de chão de escola e lecionam na rede pública e em escolas privadas.
  • as duas dissertações foram produzidas numa linha de mestrado profissional.
  • as dissertações são apenas uma fase do trabalho; as autoras vão continuar estudos de aplicação da WebQuest que foi objeto de investigação em seu mestrado.

Quem quiser conhecer mais de perto a produção do grupo pode começar por:

E verá uma proposta na qual o objeto central de nosso esporte mais popular é dissecado no campo da geometria dos sólidos arquimedianos. Uma grande façanha, uma vez que não é fácil elaborar WebQuests para as ciências (ditas) exatas.

Clarice aplicou a WQ Bola de Futebol para determinar como a proposta muda modos de ver no campo do trabalho docente. Você pode conferir os resultados dessa investigação em:

Elen centrou sua análise nas reações dos alunos, procurando determinar os impactos de usos do modelo WebQuest na aprendizagem. Você pode ver esse trabalho em:

Eu poderia comentar mais ambos os trabalhos. Mas isso talvez diminuisse a curiosidade de um contato com o material original.  Paro por aqui, sem me esquecer de agradecer as duas mestras e o pessoal do programa de mestrado em educação matemática. Clarice e Elen, assim como os professores da PUC, me deram oportunidade muito prazerosa de participar de sua magnífica aventura investigativa.

A notícia merece um complemento. Trabalhos que articulam WebQuest e educação matemática estão se tornando uma tradição na PUC paulista. Dois anos atrás, outra dissertação de mestrado abordou naquela instituição educacional uma WebQuest no campo da geometria, dessa vez, voltada para os sólidos platônicos. Tive a honra de participar da banca examinadora. O mestre na ocasião foi o professor Maurício Barbosa da Silva. Você pode ver tal investigação em:

Coincidência ou confluência favorável de astros que regem os estudos matemáticos? No mesmo dia em que Clarice e Ellen defenderam suas dissertações na PUC, a professora Gilian Cristina Barros estava fazendo qualificação no mestrado em educação da Universidade Federal do Paraná. Advinha qual é o título da investigação conduzida pela Gilian?

  • Tessituras em rede: Possibilidades de interação e pesquisa a partir de WebQuests em álgebra.

Pois é…  logo logo a gente pode fazer um congresso brasileiro de uso de WebQuests em educação matemática!

Blogs Obrigatórios

janeiro 21, 2009

O caderno Folhateen, de 19 de janeiro de 2009, publicou matéria com o mesmo título que este post: Blogs Obrigatórios. O parágrafo de abertura da reportagem diz:

Aquela idéia de que blogs são espaços democráticos onde cada um escreve o que bem entende está cada vez mais distante. As ferramentas de publicação não são só analisadas durante um processo de seleção para estágio ou trabalho como também são obrigatórias. Pelo menos quando se trata de comunicação, literatura e arte.

A matéria narra episódios de candidatos a emprego que foram obrigados a blogar. Mostra casos em que departamentos de seleção levam em conta textos produzidos em blogs dos candidatos. Apresenta casos de blogs de “conteúdo” cujos autores foram ou poderão ser contratados por empresas interessadas em suas capacidades de articulação na blogosfera. Aparentemente as notícias são boas novas. Não acho.

No caso de blogs de “conteúdo”, produções cujos autores se dedicaram a blogar sobre temas que lhes interessam, a matéria sugere possibilidades de profissionalização. Empresas dos ramos de negócio relacionado com o conteúdo podem propor um contrato. O blog passa a ser “profissional”, e o blogueiro se compromete a promover os produtos de seu patrão. Exemplifico essa possibilidade no caso dos edublogs. Algum blog de sucesso na área de educação poderia ser  incorporado por uma editora de livros didáticos. O espaço continuaria a  ter o velho espírito que o tornou famoso, mas o autor teria de publicar posts para promover livros da editora.

Blogs obrigatórios, nas direções indicadas pela reportagem, ferem de morte os ideais libertários da internet. Contrariam a natureza de espaço público que caracteriza a blogosfera. Revelam um perigo sempre presente em propostas de usos das ferramentas sociais na web: a apropriação de iniciativas de interesse público pelo capital.

Não vou elencar montes de argumentos para fundamentar minha posição sobre o caso. Até porque não saberia estabelecer tais argumentos. O que me leva ver blogs obrigatórios como um mau caminho é um tipo de intuição. Não sei explicar com clareza os porquês, mas sinto que o cheiro da coisa não é sadio. Logo no início da matéria, a repórter usa a expressão “espaços democráticos onde cada um escreve o que bem entende”. Parece coisa inocente. Não é. A escolha de palavras (escreve o que bem entende) no caso desqualifica os blogs livres. Fica parecendo que  liberdade é sinônimo de anarquia.

A mesma intuição, que me fez escrever os parágrafos anteriores, pintou quando comececei a ver as primeiras notícias sobre o compudar de cem dólares. Parecia coisa boa, mas torci o nariz. Tinha algo fishy na história. Uma das coisas que explica minha intuição no caso da suposta bondade de computadores acessíveis para meninos e meninas pobres é a proposta de que podemos ter metodologias e recursos distintos para cada camada da população. Argumentos desse tipo só fazem manter e aumentar o fosso profundo entre os que tudo tem e os que não tem nada. Computadores de cem dólares para a camada pobre da população soa em meus ouvidos como metodologia da esmola. Ao acessar saber nestas bases, o aluno aprenderá que máquinas e equipamentos mais sofisticados não são para o seu bico.