Tempo e história

Como ver o tempo? Mil anos é muito? Que tal dez mil? Ou duzentos? Parece que os anos que se passaram ganham sentido dependendo daquilo que queremos examinar. No prólogo de seu TheCraftsman , Richard Sennett faz uma observação que merece destaque. O autor, dada a ausência de perspectiva histórica predominante nos dias de hoje, relembra uma proposta de John Maynard Smith.the-craftsman1

Smith nos pede para imaginar um filme de duas horas sobre a evolução dos vertebrados. Em tal película, nossa aparição como “fabricantes de instrumentos” aconteceria apenas no último minuto. Ele nos convida para um segundo experimento: um filme sobre o inventor de instrumentos. Nessa nova película, “a domesticação de animais e plantas apareceria apenas na segunda parte do minuto final, e o período entre a invenção do motor a vapor e da energia atômica seria apenas de um segundo”.

As propostas cinematográficas de Smith pretendem contrapor-se àqueles que acham que o passado é um território estrangeiro. Nos quinze segundos finais de nossa história estão Homero, Agostinho, Shakespeare e Goethe. Numa perspectiva histórica de longo prazo, estes grandes homens são nossos contemporâneos. Embora diferentes de nós, podem ser bem entendidos, assim como o seu tempo.

Insisto em um dos meus preferidos, Agostinho. Ele viveu de 354 a 430. Parece muito distante. Não é. Se usarmos as lentes dos filmes propostos por Smith, Agostinho é um contemporâneo. Aliás, uma das coisas mais inteligentes que já li sobre o tempo foi escrita pelo grande africano que viveu nos séculos quarto e quinto de nossa era.

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