Archive for outubro \13\+00:00 2008

O saber no trabalho

outubro 13, 2008

Um repórter do Jornal da São Judas me perguntou, há pouco, o que eu estava lendo. Minha primeira resposta não seria muito útil para os leitores. Um dos livros que eu estava lendo era o romance Fresh Kills, de Bill Loehfelm, escritor novo na praça.

Resolvi então falar de uma outra obra que li recentemente: O Saber No Trabalho – Valorização da inteligência do trabalhador , livro que analisa os saberes invisíveis presentes em profissões pouco valorizadas no mundo em que vivemos. Escrevi uma resenha para a obra de Rose. Você pode vê-la clicando bem aqui. Vale apena conhecer as idéias de Mike Rose, ele é um intelectual de origem operária que continua a admirar a obra em trabalhos bem executados. Há muito o que aprender na leitura de seu livro.

Encontro sobre WebQuest

outubro 13, 2008

No dia 20 de outubro de 2006, aconteceu um encontro sobre WebQuest na Universidade do Minho, Portugal. No programa do evento há indicação de várias WebQuests interessantes, e de comunicações de pesquisadores portugueses sobre o modelo criado por Bernie Dodge. Vale a pena dar uma olhada. Basta clicar aqui.

Estágios da vida blogueira

outubro 12, 2008

Acabo de ver, no blog da Miriam, e recomendo com entusiasmo coleção de charges sobre vida blogueira. Não percam!

O que é blog?

outubro 12, 2008

Acabo de ver, no Mario, indicação de um VT claro, bem sacado, e muito bem realizado sobre o que é blog. Ótimo material para um começo de conversa sobre uma das ferramentas conversacionais do nosso tempo. Recomendo e classifico com cinco estrelas.

Exemplo de processo em WebQuest

outubro 9, 2008

Processo é um andaime que deve dar aos construtores (alunos) de conhecimento todo o conforto necessário para:

  • lidar com os materiais (recursos) e organizá-los,
  • circular pela área de saber com desenvoltura,
  • aproveitar bem materiais (recursos) que foram fabricados por especialistas,
  • cooperar com companheiros na produção de uma obra comum.

Já enfatizei tais pontos em outra parte. É bom agora apontar um bom exemplo. Vou fazer isso indicando o processo de uma WQ elaborada por Tom March. Mas, antes de indicar o bom exemplo, preciso falar um pouquinho do autor.

Tom acompanhou as WebQuests desde o berço destas. Em 1995, quando Bernie Dodge alinhavou as primeiras idéias sobre o modelo WQ na na San Diego State University, Tom estava no pedaço como aluno do programa de pós em tecnologia educacional e pesquisador associado de um projeto uso da Web para educação. Foi ele que publicou a primeira WebQuest digna do nome, Searching for China. Logo depois que terminou o mestrado na SDSU, Tom March mudou-se para a Austrália, onde vive até hoje. Ele continua a trabalhar com WQ’s, embora sua linha seja um pouco diferente da de Bernie Dodge. Quem quiser ver um dos trabalhos do Tom, a galeria de WebQuests que ele organiza após análise e classificação das obras que lhe enviam, basta clicar em Best WebQuests.

Tom é autor de várias WQ’s muito bem escritas e criativas. Todas elas têm processos bem estruturados. Alguns anos atrás, traduzi uma dessas obras para que meus alunos pudessem contar um bom exemplo. Trata-se de uma WebQuest que parte de uma caso real, the tuskegee tragedy, de pesquisa científica que ignorou a ética em nome da ciência. O autor utiliza ocaso para introduzir estudo de questões éticas candentes de nosso mundo. Duas partes de tal WQ são notáveis: a Introdução e o Processo. Para quem está planejando Processo dentro do modelo criado por Bernie Dodge, recomendo esse trabalho de Tom March. Para vê-lo, em minha tradução para o português,

clique aqui.

Ravitch: cinco mil visitas

outubro 9, 2008

Ontem, o pequeno texto A Importância das Escolas, de Diane Ravitch, que traduzi e publiquei neste Boteco alcançou a cifra de cinco mil visitas. Não é muito se a gente considerar blogs de sucesso com mensagens que já foram visitadas muitos milhares e até milhões de vezes. Mas é muito para este estabelecimento. Visitas à A Importância das Escolas chega a dez por cento de todo o movimento deste Boteco. Mérito da autora, cujo texto claro, simples e profundo conquistou tantos leitores.

Noticio o fato não apenas para fazer um registro de relativo sucesso. Noticio o fato sobretudo para voltar a um tema que já abordei outras vezes neste espaço: a natureza conversacional dos blogs. A conversa não acontece apenas por meio de comentários a posts. Ela flui de muitos outros modos na blogosfera. No caso das visitas aqui abordadas, a conversa é iniciada por meio de sites de busca (alguém quer saber o que há sobre importância das escolas na Web), por meio de links de outros blogs ou páginas com o texto da Diane, por meio de sugestões de leitura em programas presenciais ou online. Identifiquei todas essas alternativas em acompanhamentos de como o Boteco Escola está sendo visto na blogosfera. Creio que as visitas à A Importância das Escolas revela um pouco da natureza comunicativa dos blogs e de caminhos que podemos seguir em usos de tal ferramenta no espaço educativo.

A figura que ilustra este post é cópia da capa de Left Back: A Century of Failed School Reforms, cuja página final traduzi e publiquei com o título A Importãncia das Escolas.

Para preparar aulas de inglês

outubro 8, 2008

Vi no twitter do Bernie indicação de recurso online para preparar aulas de inglês quando o professor quer explorar um texto. Gostaria que algum teacher do pedaço examinasse o material para avaliar utilidade. O citado recurso pode ser visto aqui.

Re-pensar a escola

outubro 8, 2008

Recebi e reproduzo convite que estendo a meus alunos e educadores aqui de São Paulo.

Leitura atlética

outubro 7, 2008

O texto que segue apareceu primeiro no Aprendente. Mas desconfio que poucos são os amigos que frequentam meu velho blog. Por isso, resolvi entrar com o mesmo papo aqui neste Boteco.

Acabo de escrever um texto que faz referência aos muitos problemas da aprendizagem da leitura em nossos dias. E no processo de escrever, lembrei-me de um antigo companheiro de república nos idos de 68/69.

Usávamos um pequeno escritório do casarão para estudo. Minha mesa ficava ao lado da mesa do citado companheiro. Quase todos os dias eu observava uma cena engraçada e dolorosa: a atividade de estudo do moço.

Antes de falar da graça e da dor que testemunhei, preciso apresentar o personagem. Ele era um atleta. Zagueiro central titular do time da escola. Não era um craque, mas seu vigor físico e vontade impunham respeito aos mais brilhantes dianteiros. Era um menino nascido na roça, filho de sitiantes italianos. Fizera um primário abreviado (três anos) com professores leigos. Quando começou o ginásio na cidade ainda não estava completamente alfabetizado.  Aos trancos e barrancos chegou ao ensino superior.

Volto à graça e à dor.  Qualquer texto de estudo, superficial ou profundo, fácil ou difícil, era um desafio quase que insuperável para meu companheiro. Mas ele era um moço voluntarioso e valente. Não desistia. Tratava os livros como se fossem atacantes a serem anulados dentro da área.  Pegava-os com força, segurando-os com ambas as mãos. E fazia da leitura uma atividade física, um briga contra as letras. Textos mais difíceis eram lidos repetidamente em voz alta. Textos mais fáceis eram lidos sem som aparente, mas com lábios que não paravam de se movimentar. E parecia que aquelas mãos fortes iriam estraçalhar os pobres livros.

Imagem, Educação e Tecnologia

outubro 3, 2008

Vivemos numa sociedade da imagem. Isso é bom. Isso é ruim. Do lado bom, temos o acesso, a possibilidade de aprender sinteticamente. Do lado ruim, temos a substituição do real por falsificações [basta ver manipulação de imagens de candidatos em tempos de eleição], a perda da capacidade de análise que o texto expandiu consideravelmente em nosso mundo. Recomendo dois autores clássicos, Neil Postman e Daniel Boorstin. O último escreveu um livro indispensável: The Image. O primeiro defende a escrita e tem também uma obra que todos os educadores deveriam conhecer: Tecnopólio: A rendição da cultura à tecnologia.

É preciso conversar mais sobre o assunto nos meios educacionais, pois as imagens invadiram o cotidiano e são elementos de formação de todos nós.

Eu tinha planejado este post ontem, depois de minha aula no 4° ano de pedagogia. E hoje, logo pela manhã, encontrei na Folha a seguinte declaração do criador do Creative Commons, Lawrence Lessig:

Nos séculos 19 e 20, ser alfabetizados significava aprender a escrever, unir palavras para expressar idéias. O que vemos neste século é que as palavras são só uma forma de alfabetização e que há outras formas mais atraentes para os nossos filhos, como as imagens.

Como trabalhar com imagens em educação? Não creio que existam respostas prontas, mas acho que podemos ensaiar algumas possibilidades, sobretudo aquelas assistidas por tecnologias da informação e comunicação. E é isso que estou tentando fazer com meus alunos no momento. Eles foram desafiados a criar um conjunto de imagens em Powerpoint para posterior publicação no Slideshare. O material utilizado é fruto de levantamnetos na Internet. O critério de seleção é dos grupos de produção. A sugestão de uso, em linhas gerais é a que segue:

  • Solicite aos alunos que percorram, no laboratório de informática, a coleção de imagens publicada nos Slideshare.
  • Instrua-os para escolherem duas ou três imagens que mais os sensibilizem.
  • Peça a cada estudante que diga os números dos slides escolhidos.
  • Instrua a classe para ir até os slides escolhidos a cada intervenção individual dos alunos.
  • Peça a cada aluno para falar livremente sobre sua escolha, enquanto a classe toda examina os slides por ele escolhido.
  • Faça,se necessário, intervenções e perguntas que julgue pertinentes para animar a conversa sobre o tema a partir de comentários individuais sobre as imagens.

Já iniciamos sessões de uso de imagens na direção proposta. A experiência está mostrando um caminho interessante que dá margem a falas muito autênticas sobre os temas apresentados. Tal alternativa de uso de imagens parece ser um bom ponto de partida para estudo de temas que exigem certa dose de sensibilidade social. Não quero aqui teorizar sobre a matéria. Sigo uma linha que privilegia produções baseadas em intuições sobre uso dos recursos que temos com certa imaginação.Sugiro que a teorização nasça dos produtos e de suas aplicações. Vejam aqui cinco das propostas que meus alunos construíram:

Vejam o material e se puderem registrem seus comentários aqui neste Boteco. Queremos construir uma teoria que parta de propostas concretas de uso das TIC’s.

Nota. A imagem que ilustra este post foi emprestada do Mosteiro de Balamand, um centro do cristianismo ortodoxo. Essa escolha não foi mero acaso. Na história do Império Bizantino, o uso de ícones teve consequências trágicas, mostrando que as imagens não são apenas decorativas.