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Imagem, Educação e Tecnologia

outubro 3, 2008

Vivemos numa sociedade da imagem. Isso é bom. Isso é ruim. Do lado bom, temos o acesso, a possibilidade de aprender sinteticamente. Do lado ruim, temos a substituição do real por falsificações [basta ver manipulação de imagens de candidatos em tempos de eleição], a perda da capacidade de análise que o texto expandiu consideravelmente em nosso mundo. Recomendo dois autores clássicos, Neil Postman e Daniel Boorstin. O último escreveu um livro indispensável: The Image. O primeiro defende a escrita e tem também uma obra que todos os educadores deveriam conhecer: Tecnopólio: A rendição da cultura à tecnologia.

É preciso conversar mais sobre o assunto nos meios educacionais, pois as imagens invadiram o cotidiano e são elementos de formação de todos nós.

Eu tinha planejado este post ontem, depois de minha aula no 4° ano de pedagogia. E hoje, logo pela manhã, encontrei na Folha a seguinte declaração do criador do Creative Commons, Lawrence Lessig:

Nos séculos 19 e 20, ser alfabetizados significava aprender a escrever, unir palavras para expressar idéias. O que vemos neste século é que as palavras são só uma forma de alfabetização e que há outras formas mais atraentes para os nossos filhos, como as imagens.

Como trabalhar com imagens em educação? Não creio que existam respostas prontas, mas acho que podemos ensaiar algumas possibilidades, sobretudo aquelas assistidas por tecnologias da informação e comunicação. E é isso que estou tentando fazer com meus alunos no momento. Eles foram desafiados a criar um conjunto de imagens em Powerpoint para posterior publicação no Slideshare. O material utilizado é fruto de levantamnetos na Internet. O critério de seleção é dos grupos de produção. A sugestão de uso, em linhas gerais é a que segue:

  • Solicite aos alunos que percorram, no laboratório de informática, a coleção de imagens publicada nos Slideshare.
  • Instrua-os para escolherem duas ou três imagens que mais os sensibilizem.
  • Peça a cada estudante que diga os números dos slides escolhidos.
  • Instrua a classe para ir até os slides escolhidos a cada intervenção individual dos alunos.
  • Peça a cada aluno para falar livremente sobre sua escolha, enquanto a classe toda examina os slides por ele escolhido.
  • Faça,se necessário, intervenções e perguntas que julgue pertinentes para animar a conversa sobre o tema a partir de comentários individuais sobre as imagens.

Já iniciamos sessões de uso de imagens na direção proposta. A experiência está mostrando um caminho interessante que dá margem a falas muito autênticas sobre os temas apresentados. Tal alternativa de uso de imagens parece ser um bom ponto de partida para estudo de temas que exigem certa dose de sensibilidade social. Não quero aqui teorizar sobre a matéria. Sigo uma linha que privilegia produções baseadas em intuições sobre uso dos recursos que temos com certa imaginação.Sugiro que a teorização nasça dos produtos e de suas aplicações. Vejam aqui cinco das propostas que meus alunos construíram:

Vejam o material e se puderem registrem seus comentários aqui neste Boteco. Queremos construir uma teoria que parta de propostas concretas de uso das TIC’s.

Nota. A imagem que ilustra este post foi emprestada do Mosteiro de Balamand, um centro do cristianismo ortodoxo. Essa escolha não foi mero acaso. Na história do Império Bizantino, o uso de ícones teve consequências trágicas, mostrando que as imagens não são apenas decorativas.