Imagem, Arte e Significado

Abro esta mensagem com uma uma foto enviada por meu amigo Juvenal:

Para quem gosta de cães, o bichinho da foto está rezando de verdade. Para quem não gosta, o impostor está, mais uma vez, fingindo para continuar na boa vida. Eu poderia parar por aqui. E era isso que queria fazer até hoje de manhã. Mas em minhas meditações matinais, a imagem mandada pelo Juca sugeriu uma penca de considerações. Entre elas, a sugestão de propor um desafio para meus alunos do 4° de Pedagogia.

Nos idos de 1980 trabalhei com uns franceses que vieram ao Brasil mostrar possibilidades de uso de computadores em educação. Para iniciar conversas sobre novas tecnologias com os educadores, eles utilizavam uma coleção de imagens, gravadas em belas lâminas protegidas por plástico. As lâminas tinham imagens de gente, paisagens, equipamentos etc. Eram espalhadas pelo chão. Os participantes eram orientados a contemplar em silêncio todas aquelas imagens e, depois da algum tempo, escolher três delas que expressassem de algum modo seus sentimentos sobre tecnologia. Num segundo tempo, cada participante era convidado a mostrar as imagens escolhidas e explicar os motivos de suas escolhas. A atividade estava fundada em sólidos estudos sobre imagens e arte como formas de expressão de valores humanos. A técnica toda tinha um nome, em francês, que minha memória é incapaz de recuperar. Destravava línguas de gente que quase não fala em público. E, acima de tudo, era um ótimo ponto de partida para aprendermos qual era o conhecimento prévio dos participantes.

Uso de imagens como ponto de partida para conversas sobre saberes aconteceu em outras praias. A mais bonita delas é a de proposta metodológica de alfabetização de adultos de Paulo Freire. Nosso mestre maior criou, com a colaboração do artista V. Abreu, uma coleção de lâminas para debates nos círculos de cultura. As imagens, projetadas numa tela, sugeriam falas que iam aos poucos tecendo uma visão sobre cultura e natureza. Creio que o insigth freirino de uso de imagens deveria ser mais estudado.

Até agora não falei do desafio. Vamos pois a ele, com validade para meus alunos do 4° de Pedagogia e para todos os educadores que quiserem entrar numa bela aventura de aprender. O que eu gostaria de ver desenvolvido é um projeto de uso de imagens como ponto de partida para o aprender. Há muitos temas mais sensíveis. Penso, por exemplo, em bullying, racismo, cidadania, tecnologia, avaliação,  ética, responsabilidade social. Uma vez escolhido o tema, será preciso sair à cata de imagens que possam ser ponto de partida para conversas sobre o assunto. Isso dá um belo samba em termos de busca de materiais na Internet. Acho que uma coleção de cinquenta imagens será suficiente. Sugiro que dessa coleção sejam selecionadas vinte imagens. Tudo isso deve ser colocado num arquivo de minhas imagens. Meio caminho andado.

Com imagens selecionadas será então possível partir para a produção: um material em Powerpoint,com todas as imagens e com uma introdução bastante breve propondo o que fazer [escolher três imagens que mais sensibilizem os possíveis alunos]. Depois disso, resta mais uma providência:colocar o material produzido no Slideshare.

Resta falar um pouco sobre modo de usar. Meu palpite é o de fazer algo análogo ao que os franceses faziam na experiência que narrei no começo desta conversa. Num laboratório de informática, os alunos seriam convidados a contemplar no Slideshare todo o material produzido,  tentando descobri o que mais os sensibiliza. Num segundo tempo, seriam convidados a mostrar as três figuras que escolheram para comunicar seus pontos de vista sobre o tema.

Estou sendo meio telegráfico na proposta. Teria muito mais a falar. Mas excesso de texto na web chateia qualquer um. Por isso vou terminando por aqui. Mas ainda quero fazer um registro final. Gente interessada no significado de imagem e arte nas tramas do conhecimento precisa ler Art as an Exemplar of Meaning-Making, capítulo 10 do livro The Meaning of the Body: Aesthetics of Human Understanting.

3 Respostas to “Imagem, Arte e Significado”

  1. aluna Says:

    professor , que imagem maravilhosa, fiquei até emocionada e nao consigo prestar atenção na sua aula vendo essa foto

  2. Regina Says:

    Você recebeu o prêmio Dardos.
    Dê uma olhada no meu blog

    http://inclusodepneesnaescola.blogspot.com/
    Um abç
    Regina

  3. Fátima Campilho Says:

    Olá, Jarbas!
    Gosto demais deste trabalho com imagens. Já participei de algumas oficinas com versões sobre o mesmo tema. Uma foi com fotos de jornais.
    Criávamos manchetes ou notícias e dépois líamos (ou não) as originais. Outra idéia era um recote na imagem, completávamos a ilustração e produzíamos um texto qualquer: frase, verso, propaganda, crônica. Hoje há muitos livros de imagem de ilustradores brasileiros de ótima qualidade.
    De todas, prefiro a sua sugestão porque falamos das nossas histórias pessoais e desenvolvemos a oralidade. A idéia de fazer slide é muito boa.
    Falei de Bloom nesta semana com uma colega. Havia perdido o meu material. Vou reproduzir o seu. Posso? Há muito tempo não ouço falar sobre ele.
    Recebeu meu e-mail?
    Abraços,
    Fátima.

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