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Tecnologia é imaginação: um case de Brasília

julho 1, 2008

Gentes das áreas de RH e marketing costumam utilizar a palavra case para dar status a bons exemplos. Imito esses profissionais tão sabidos para contar uma história sobre uso inventivo de computadores em educação. Aliás, de nada adianta definir o que é imaginação na minha fórmula tecnologia = ferramenta + imaginação. Definições abstratas não encantam ninguém. A saída é contar histórias e mostrar bons exemplos.

Há uns vinte anos participei de um seminário sobre usos de computadores em educação, promovido pelo MEC. O evento aconteceu com um grupo pequeno, reunindo apenas gente que estava com a mão na massa nos anos oitenta. Éramos uns dez educadores. Além de conversas sobre o que estávamos fazendo, visitávamos escolas da Fundação Educacional do Distrito Federal (a secretaria de educação do DF). E, verificamos que, no chão-de-escola, havia professores fazendo um trabalho admirável.

Numa das escolas visitadas, uma professora de música mostrou-nos trabalho de seus alunos. No laboratório com uns dez Apples IIe, a classe havia criado uma execução orquestral. Cada computador tocava a partitura de um instrumento. Ligados simultaneamente, os computadores “tocavam” trechos de uma peça clássica estudada pelos alunos. Os detalhes desta história parecem banais. Não são. O som emitido pelos velhos Apples era muito limitado (uma vibração sonora com clara identidade de máquina). Fazer um computador tocar qualquer música exigia programar a máquina com linguagem que a instruisse a fazer os sons desejados. Outra coisa: os computadores não estavam ligados em rede. Por isso, para simular uma orquestra, as máquinas precisavam ser sincronizadas manualmente (ligadas simultaneamente, e programadas com todas as notas, andamento, ritmo e pausas próprios de cada instrumento). Por isso tudo, a “orquestra” daquele laboratório de uma escola pública do Distrito Federal era uma realização extremamente criativa. Ouvir a música feita por alunos de sexta e sétima série foi uma experiência emocionante.

Já não sei mais se é possível encontrar a professora de música que conseguiu proporcionar com os velhos Apples IIe uma experiência de execução orquestral a seus alunos (talvez a Lea Fagundes, consultura da Fundação na época, saiba quem era a moça). Ela certamente era e é alguém que dá às ferramentas vida por meio da imaginação.

Usei aqui o termo case de maneira parecida com o uso que lhe dão os profissionais de consultoria. Case, porém, é um conceito muito mais rico, desde os tempos que a HBS o desenvolveu nos anos vinte do século passado.