Archive for maio \12\+00:00 2008

Redação cooperativa: complemento 4

maio 12, 2008

Em comentário a post anterior sobre redação cooperativa, meu amigo Carlos Seabra indica referência que pode ser encontrada no blog de Alex Primo. Trata-se de um apanhado histórico sobre redação colaborativa, mostrando que muito antes da Internet existiram experiências literárias de caráter colaborativo. O post em questão elenca diversas realizações de produções cooperativas na Web. O material é muito rico e esclarecedor. Além disso está linkado com diversos estudos acadêmicos que merecem uma leitura.

Minha proposta de redação cooperativa é bem mais modesta. Ela está baseada em experiências anteriores de meu velho amigo Bernie Dodge no ambiente Hypercard do MacIntosh. Adaptei as idéias do Bernie para uma situação de uso educacional do Word. As reações de meus alunos têm mostrado que minha sugestão de redação cooperativa funciona bem e pode ser aperfeiçoada.

A perspectiva aberta pelo post de Alex Primo é muito mais ampla que a proposta que fiz. Ela é muito rica em termos literários e tecnológicos (aponta diversos ambientes que podem facilitar escrita colaborativa). Seria muito bom se alguns alunos meus da área de letras estudassem o assunto e propusessem algumas experimentações. Fico à disposição se alguém se interessar pelo desafio.

Barato em Reading

maio 9, 2008

Nara, minha filha mais velha, ganhou uma bolsa da sociedade britânica de engenharia de alimentos para um estágio de meio ano na Inglaterra. O local de trabalho da minha herdeira é este lugarzinho “feio” mostrado pela foto, a Universidade de Reading. Nara está lá faz duas semanas, certamente ansiosa para voltar aqui para a terrinha…

Para ver mais fotos da Universidade de Reading, clique aqui.

Redação cooperativa: complemento 3

maio 6, 2008

Ainda há muito assunto sobre redação cooperativa para papos aqui no Boteco. Copio relato feito em comentário por um de meus alunos:

Prof. Jarbas, sou seu aluno do 4ºano de Pedagogia e tive a oportunidade de realizar essa dinâmica da redação cooperativa e achei uma ferramenta educacional interessante, gostei tanto que acabei aplicando com meus alunos da escola pública. Porém a aplicação se deu de uma maneira um pouco diferente como não havia pc na escola, utilizei apenas papel, caneta e criatividade. Após a aplicação desta técnica tive um retorno inesperado de meus alunos que chegaram a pedir “bis”. Essa ferramenta de trabalho estimula alguns aspectos que muitas vezes permanecem adormecidos nos alunos(principalmente no Ensino Médio), por exemplo a criatividade, a imaginação, além dos conflitos gerados durante a aplicação. Os alunos muitas vezes se deparavam com uma idéia que não lhe agradava, porém eles tinham que continuar aquela mesma idéia. Pude perceber que havia uma dificuldade deles em abraçar uma idéa contrária a suas crenças, valores e princípios. E não muito diferente dos comentários, da Miriam e do Marco, os alunos não apagavam o que o outro havia escrito já que trabalhei com papel e caneta mas mudavam totalmente o rumo da história evidenciando assim essa dificuldade citada acima.
Agradeço a oportunidade de poder compartilhar essa minha experiência com outros educadores e também conhecer as experiências vivenciadas por outros educadores.
Abraços
Paulo Caparroz – 4ºAPGN – São Judas

Acho que o relato do Paulo não precisa de comentários meus. Ele deixa evidenciado que imaginação é o fator mais importante em tecnologia educacional. Se faltar computador, bons aproveitamentos de papel e lápis podem re-encantar a educação.

O relato em tela narra uma aplicação na qual os textos foram escritos em letras cursivas. Isso parece banal. Não é. Uma coisa bastante intrigante é a nossa capacidade de ler textos escritos com letras muito diferentes umas das outras. E não precisamos conhecer previamente as letras dos escrevinhadores. Reconhecemos palavras e sentidos na maior parte dos garranchos que nos chegam aos olhos. Isso não nos maravilha. Pois devia. Não precisamos aprender a reconhecer todos os tipos de letras. Para ler escrita cursiva utilizamos um padrão que inclui uma variação muito ampla de possibilidades, muitas delas ainda desconhecidas para nós. Basta aplicá-lo às novas letras com as quais entramos em contato. Essa maravilhosa capacidade de reconhecimento é uma característica que merece muitos estudos no campo da psicologia do conhecimento. Vale dizer que esta proeza ainda é muito difícil ou até mesmo impossível para os mais sofisticados programas de inteligência artificial.

Inteligência artificial

maio 2, 2008

Muito ouvimos falar sobre ela. Em livros e filmes de ficção científica vemo-la como maravilha ou como ameaça. Mas ela pode ser coisa muito simples. Ela é a inteligência artificial. Vejam este exemplo:

Robô Ed: Converse comigo.

Este robozinho conversante é uma aplicação do Eliza, invenção genial do cientista Joseph Weizenbaum, autor de Computer Power and Human Reasoning, um clássico que merece uma leitura (preciso lê-lo uma vez mais qualquer dia desses). Se quiserem encontrar-se com Weizenbaum, vejam-no no trailer de um filme recente sobre sua vida e obra em:

Dicionário on line de Filosofia

maio 1, 2008

Li no De Rerum Natura (blog que merece sempre uma visita) notícia sobre dicionário on line de Filosofia. Mão na roda para quem quer saber mais ou se vê em apuros para definir certos termos ou expressões que têm a ver com o amor à sabedoria. Curiosos? Dêem uma chegada lá em:

Dicionário Escolar de Filosofia

Não há censuras veniais

maio 1, 2008

Gente mais nova que eu talvez não não conheça a distinção entre pecados veniais e pecados mortais. Os primeiros eram pequenas bobagens e podiam ser apagados com uma estada no Purgatório. Os segundos eram grandes ofensas que, sem a devida confissão e penitência, levavam o infeliz pecador para o Inferno. Faço este esclarecimento sobre dois conceitos do velho catecismo católico (fruto do Concílio de Trento, movimento reacionário urdido para deter a Reforma Protestante) para justificar mais um alerta contra a censura de usos da Internet. Em comentário a post recente sobre a matéria, um de meus alunos, Leandro, admite a possibilidade de bloqueio ao ORKUT e MSM. Tal bloqueio, segundo o ele, é uma censura venial. Meu amigo Carlos Seabra entrou com outro comentário para esclarecer: censura é sempre pecado mortal. Para mostrar os males da censura, qualquer censura, Seabra cita um poema que merece divulgação. E já que nem todos os frequentadores costumam ler comentários, reproduzo aqui a parte final do comentário de meu amigo:

Lembro a todos que pequenas censuras aceitas por quem tem a boca calada ou os olhos vendados encerram em seu bojo escalada de autoritarismo e prepotência muito maiores, como bem nos alerta em poesia o amigo Eduardo Alves da Costa, no trecho que transcrevo abaixo:

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.

Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.

E já não podemos dizer nada.