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Qualidade da educação brasileira

maio 23, 2008

Nossa educação não é das melhores. Ninguém duvida. Basta ir a uma escola e ver o que anda acontecendo. Basta ver o que nossos alunos estão (ou não estão) aprendendo. Mas nem sempre as críticas ao estado precário de nossa educação acertam a mão. Vi exemplo disso num blog (clique aqui para ver o original) faz algum tempo. Para não ter de muito explicar, reproduzo o registro (post) que me chamou a atenção:

Na falta de assunto e marasmo dos jornais de hoje, eu perambulando de site em site achei essa pérola no Jornal do Brasil.

do JB Online

Na imagem, lê-se:

04) Qual a função do apóstrofo?
Apóstrofos são os amigos de jesus, que se juntaram naquela jantinha que Michelângelo fotografou.

Depois desta resposta de um aluno numa prova, a Bíblia terá de ser reescrita, se ele virar um doutor em História e provar sua tese.

Vocês ficaram tão escandalizados como esse leitor do JB? Se sim, sinto muito. Duvido que a tal resposta foi obra de uma aluno. Ela tem toda a pinta de ser invenção de alguém que quer fazer graça com a falta de conhecimento dos nossos estudantes. Se de fato deu tal resposta, acho que o aluno deveria ser premiado por criatividade e pela fina ironia utilizada para desqualificar uma pergunta babaca.

Mas é bastante provável que a dita resposta seja invenção de algum pseudo intelectual. Tal inventor procura causar escândalo a partir de algo inteiramente descabido. Muita gente pode achar que o caso é prova cabal do péssimo estado de nossa educação. Bobagem pura. Quem é que precisa definir com correção o que é apóstrofo? Vocês, leitores, saberiam? Eu não sei. Nem quero saber. O conteúdo é totalmente irrelevante.

Se o caso fosse verdadeiro (e eu continuo insistindo que ele tem cheiro de invenção), o escândalo estaria na pergunta. Um sistema educacional onde ocorrem perguntas como “qual a função do apóstrofo?” perdeu o rumo. Cobrar definições formais de sinais diacríticos ou de qualquer outra convenção da escrita é pura perda de tempo. Como já disse, se verdadeira, tal resposta seria prova de que nossa educação anda muito bem. Dada por um aluno, como faz crer o JB e o blogueiro que a divulgou, ela seria indicador de grande espírito crítico e de capacidade inventiva elogiável.

Ignorância dos alunos não é o sintoma mais preocupante de nossa crise educacional. Mais preocupantes são as concepções educacionais de gente (educadores inclusos) que se acha ilustrada e dá importância a conhecimentos irrelevantes. E mais, acha que o tipo de pergunta do caso aqui citado é algo que deva integrar propostas avaliativas do dempenho escolar.