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Redação cooperativa: complemento 3

maio 6, 2008

Ainda há muito assunto sobre redação cooperativa para papos aqui no Boteco. Copio relato feito em comentário por um de meus alunos:

Prof. Jarbas, sou seu aluno do 4ºano de Pedagogia e tive a oportunidade de realizar essa dinâmica da redação cooperativa e achei uma ferramenta educacional interessante, gostei tanto que acabei aplicando com meus alunos da escola pública. Porém a aplicação se deu de uma maneira um pouco diferente como não havia pc na escola, utilizei apenas papel, caneta e criatividade. Após a aplicação desta técnica tive um retorno inesperado de meus alunos que chegaram a pedir “bis”. Essa ferramenta de trabalho estimula alguns aspectos que muitas vezes permanecem adormecidos nos alunos(principalmente no Ensino Médio), por exemplo a criatividade, a imaginação, além dos conflitos gerados durante a aplicação. Os alunos muitas vezes se deparavam com uma idéia que não lhe agradava, porém eles tinham que continuar aquela mesma idéia. Pude perceber que havia uma dificuldade deles em abraçar uma idéa contrária a suas crenças, valores e princípios. E não muito diferente dos comentários, da Miriam e do Marco, os alunos não apagavam o que o outro havia escrito já que trabalhei com papel e caneta mas mudavam totalmente o rumo da história evidenciando assim essa dificuldade citada acima.
Agradeço a oportunidade de poder compartilhar essa minha experiência com outros educadores e também conhecer as experiências vivenciadas por outros educadores.
Abraços
Paulo Caparroz – 4ºAPGN – São Judas

Acho que o relato do Paulo não precisa de comentários meus. Ele deixa evidenciado que imaginação é o fator mais importante em tecnologia educacional. Se faltar computador, bons aproveitamentos de papel e lápis podem re-encantar a educação.

O relato em tela narra uma aplicação na qual os textos foram escritos em letras cursivas. Isso parece banal. Não é. Uma coisa bastante intrigante é a nossa capacidade de ler textos escritos com letras muito diferentes umas das outras. E não precisamos conhecer previamente as letras dos escrevinhadores. Reconhecemos palavras e sentidos na maior parte dos garranchos que nos chegam aos olhos. Isso não nos maravilha. Pois devia. Não precisamos aprender a reconhecer todos os tipos de letras. Para ler escrita cursiva utilizamos um padrão que inclui uma variação muito ampla de possibilidades, muitas delas ainda desconhecidas para nós. Basta aplicá-lo às novas letras com as quais entramos em contato. Essa maravilhosa capacidade de reconhecimento é uma característica que merece muitos estudos no campo da psicologia do conhecimento. Vale dizer que esta proeza ainda é muito difícil ou até mesmo impossível para os mais sofisticados programas de inteligência artificial.

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