Urgências irrelevantes

 

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Depois que publiquei mensagem sobre o affaire celular em uma de minhas aulas, fiz um bom levantamento na Web sobre os malditos fones móveis. Encontrei muita coisa interessante. Uma delas é o post de uma blogueira chamada Mary.Para conhecimento geral, traduzi um trecho de uma das histórias acontecidas com a simpática blogueira:

Hoje, quando eu estava na fila do caixa de um supermercado com duas pessoas na minha frente, uma mulher conversava ao celular enquanto sua compra era processada pela caixa. E durante todo o tempo em que sua compra era escaneada e ensacada, a moça falava sem parar. Calculei que ela deveria ter uns quarenta anos. Vestia roupas de executiva. Tive tempo suficiente para determinar que a chamada tinha algo a ver com o re-agendamento de uma uma reunião. Perguntei-me qual seria a urgência daquilo.  Ela encerrou a conversa, e,enquanto procurava seu cartão de crédito numa rídicula e enorme bolsa de couro negra, o celular tocou de novo.  Ela, obviamente, atendeu de imediato e continou o papo no ponto em que este terminara segundos antes. Neste momento, a caixa, o senhor à minha frente e eu trocamos um rápido olhar. E todos nós começamos a mudar o peso de nossos corpos de uma para outra perna com as mãos na cintura.  Aquela mulher alta e poderosa teve a audácia de levantar o indicador e apontar para a caixa como que a dizer: “espere um minuto”. A tal virou-se de costas para a funcionária do supermercado, e, enquanto falava com seu escritório, dois fregueses ficaram ali feitos bobos esperando que a bacana terminasse sua conversa.Quarenta e cinco segundos são um tempo demasiadamente longo para quem está numa fila, pricipalmente quando esta é a de um caixa rápido.  Ficamos ali de boca aberta. Tive vontade de gritar : “Acaba logo com essa conversa fiada, dona!”Infelizmente, esse tipo de gente é muito comum…  

 Que importância tem uma reunião de rotina em qualquer empresa? Nenhuma. Mas executivos estressados acham que não se pode esperar alguns minutos para alterar um compromisso de agenda. Tudo tem de ser decidido imediatamente. É claro que antes da existência do celular esse imediatismo era um pouquinho menor. E nenhum desses homens e mulheres de negócios pertubava a paz pública por causa de um compromisso irrelevante. No fundo tais urgências são ridículas pois sua única razão de ser é dar impressão de importância para gente que não tem importância alguma. O grande poeta espanhol Antonio Machado já havia matado esta charada no começo do século XX quando escreveu um verso que diz que “a única importância que certas pessoas têm é a importância que elas se dão…”


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