Celular de novo

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Salvo engano, há uma expressão gringa que significa ” reagir intempestivamente a partir do que está rolando no momento”: on the spur of the moment. É o que estou fazendo a partir do que acaba de acontecer em uma de minhas aulas. Estávamos no laboratório. A turma desenvolve um projeto de WebQuest. Não costumo fazer exposições nessa fase de trabalho; procuro ir conversando com cada grupo a partir de demandas específicas de como as coisas vão indo. Mas, vez ou outra tenho de me dirigir publicamente à classe toda. Hoje tive que fazer isso para enfatizar necessidade de planejamento, pois observei que alguns grupos já decidiram que Tarefa propor sem saber muito bem que conteúdo deverá ser estudado, nem que situações e eventos estão rolando no mundo e têm alguma relação com a WebQuest em construção. Além disso, para ajudar meus alunos a se situarem no curso, resolvi apontar o que já vimos até a data. A exposição toda não durou mais que vinte minutos. Enquanto eu falava um de meus alunos, sentado na primeira bancada do laboratório, batia um longo papo com alguém via celular. Resolvi não intervir. Apenas parei de falar durante um perído bastante longo. O moço do celular não se abalou, continuou a conversa. Voltei à exposição. O episódio sinaliza, a meu ver, uma tendência preocupante em termos de relações humanas. A maior parte dos contatos face a face estão num segundo plano. Qualquer chamada via celular tem prioridade.

A tendência que me preocupa (e deixa irritado quando alguém me ignora para atender a um chamado telefônico) mereceu destaque no Fantástico do último domingo. Não vi a matéria, mas ouvi a chamada diversas vezes no final de semana. Assunto: o uso do celular deve ser proibido na sala de aula? A própria pergunta já é espantosa pois situa o trabalho escolar em plano inferior a qualquer apelo externo que venha por meio da telefonia móvel. A facilidade técnica tornou-se uma prioridade: se é possível comunicar-se por telefone a qualquer hora e em qualquer lugar, isso precisa e deve ser feito.

Encontros humanos presenciais perdem terreno pois não precisam ser assitidos pela tecnologia. Muitas pessoas com as quais converso sobre o assunto devem me achar um velho chato. Talvez eu o seja, mas agradeceria muito se alguém me explicasse o que é que se ganha em humanidade nas conversas sem substância que rolam via celular.

8 Respostas to “Celular de novo”

  1. raiosdevivencia Says:

    Oi professor,

    Concordo quando diz que a maior parte dos contatos face a face estão em segundo plano e isso acontece não só com o celular, mas também com e mails, chats etc.
    Agora existem alguns aspectos que devem ser considerados e um deles é o fator da emergência e da urgência de receber um telefonema. Isso quando falamos de casos que não há como não atender como um caso de doença por exemplo.
    Outra questão é o respeito, atender o telefone durante a aula não é muito agradável com quem está lá na frente falando, dá a impressão que está falando sozinho. A melhor opção de repente seria ausentar-se da sala e atender o celular lá fora.
    Não acredito que proibir o uso é a melhor saída, mas um lembrete à galera do quanto pode ser desagradável esse tipo de interrupção é um começo!
    Bjos
    Erika Ramos

  2. Fátima Says:

    Olá,menino sumido
    Nas escola onde trabalho, é proibido o uso de celular em sala de aula para alunos. Você é benevolente. A atitude descrita é falta de educação mesmo.
    Sou totalmente prática. Costumo dizer que meu planejamento é mental. Tenho preguiça de colocar tudo no papel. Dá certo para quem tem experiência. Tenho que concordar com você, pois nem sempre foi assim .
    Abraços.

  3. prof. Denize thomaz Says:

    Olá Prof. jarbas visitei o seu Blog e devo dizer que gostei muito dos seus criativos posts. Gostaria de comentar o fato ocorrido em sua aula, pois comigo também já ocorreu, porém eu não tive a mesma paciência que o senhor. O fato me irritou tanto, que pedi para o aluno se retirar e atender o celular fora de sala de aula. Lamentável esta atitude para um futuro professor. Será que quando ele estiver dando aula , vai permitir esse tipo de atitude com todos que precisarem atender o celular. Fico estarrecida quando vejo qualquer pessoa aos berros em lugares públicos conversando como se estivesse em sua própria casa. Os tempos mudaram, mas a educação cabe em qualquer lugar, principalmente em um curso de Formação de professores.Abraços. prof. Denize Thomaz

  4. Elisa Kerr Says:

    Jarbas,

    O celular tem sua importância na era da comunicação assim com a internet. O que tem que ser revisto é a prioridade de cada ser humano, que atualmente banalizou a comunicação. A nosso corpo, nossa expressão facial, ou seja, cada movimento que fazemos é uma transmissão do que somos e de como estamos. Essa comunicação é mais verdadeira que nossas palavras. A era da comunicação está suprimindo a aprendizagem do olhar no outro, do contato humano, da presença gostosa e de aprender com essa convivência a enxergar o outro com igual a você; com limites, competências e melhor ainda, sem surpresas.

  5. marlene Says:

    Olá Professor!
    Também concordo com sua colocação a respeito do celular, porém não sei se proibir é a solução, já que tudo que é proibido é mais interessante. Por outro lado virou uma febre e está encomodando por demais.

  6. Cristiane Rodrigues Hidalgo Says:

    oi Professor,
    Concordo com o que disse, e sinceramente achei uma falta de respeito o que aconteceu…acho que se a pessoa tem que falar no celular sai da sala…

    Celular realmente atrapalha e muito em sala de aula…

    UM abraço
    sua ex aluna…fiz essa disciplina o ano passado

    Cristiane

  7. Leonardo Says:

    Acho que são coisas distintas: O recurso tecnológico, importante e útil, e seu uso, o qual deve, como todas as outras coisas, ser ditado pela educação e respeito ao próximo.

    Assim, realmente concordo que o celular deva ser desligado em sala de aula, assim como já o é em cinemas. É uma questão de educação básica, algo que está se extinguindo rapidamente entre as novas gerações, por culpa das mais antigas, as quais abriram mão de impor o respeito a que teriam direito, em nome da “pedagogia moderna”, do “estatuto do menor”, da “progressão continuada” e de outros lindos conceitos que hoje autorizam qualquer pirralho de 11 anos a discutir de “igual para igual” com adultos, pois todas as punições foram extintas.

  8. Paulo Says:

    Olha, essa questão do celular, e até mesmo o fixo, é bastante complicada. Já estive em diversas situações onde fiquei horas em filas esperando minha vez para ser atendido, quando chegou minha vez tive que aguardar o atendente atender uma ligação que acabou de ser feita. Quanto ao atendimento de celular em salas de aula, palestras, provas e outros eventos é uma demonstração pura de FALTA DE EDUCAÇÃO! Isto, infelizmente é de berço. Sou adepto da tecnologia e todos devem adaptar-se a ela a cada, mas isso nem de longe deve substituir a boa educação e o bom senso. Mesmo para atendimentos de emergência, eles devem ser feitos fora desses ambientes. Inclusive para que a devida atenção possa ser dada a eles.

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