Arquivo da categoria ‘Usos educacionais da Web’

O Poder de Aprendizagem das WebQuests

março 5, 2013

As Webquests têm duas referências indispensáveis, Bernie Dodge, inventor do modelo, e Tom March, autor de exemplos clássicos da genial forma de organização de informações para usos inteligentes de recursos do webespaço. Um e outro não são acadêmicos tradicionaios. Pouco escrevem “sobre”. Preferem produzir indicações de como elaborar webquests criativas e bem feitas. Esse modo de trabalhar traz grandes embaraços para quem procura fazer investigações sobre o modelo criado por Dodge nos moldes de trabalhos acadêmicos. Além disso, orientadores de dissertações e membros de bancas em investigações que têm webquests como objeto sentem desconforto por acasião de qualificações e defesas, pois até hoje não há referências “teóricas sólidas”" (ou tradicionais, na minha opinião) para conversas sobre um dos modelos melhor sucedido de proposta de uso da internet para fins educacionais.

Há, porém, alguns artigos fundamentais sobre o modelo criado por Bernie Dodge. Um deles foi escrito por Tom March e deveria ser literatura obrigatória em qualquer estudo sobre WebQuest. Para interessados, segue link para o texto do Tom:

Avaliação de blogs: mais informações

agosto 31, 2012

Faz algum tempo que publiquei neste Boteco uma rubrica elaborada para avaliar blogs de meus alunos. Para vê-la, clique aqui.

Amigos me disseram que era muito difícil avaliar blogs em propostas que resultavam na publicação de diários eletrônicos pelos estudantes. Me parece que a dificuldade pode ser superada por meio da utilização de rubricas. Rubricas são um instrumento no qual o educador estabelece aspectos (critérios) a serem observados e, para cada aspecto, descreve diferentes níveis, geralmente quatro, que correspondem a possíveis desempenhos (em termos técnicos, essa providência se baseia na ideia de distribuição normal de um traço em quartis).

Não vou aqui entrar em detalhes sobre elaboração de rubricas para blogs. Prefiro indicar exemplos para quem estiver interessado, pois encontrei uma boa fonte que pode inspirar educadores que queiram avaliar mais criteriosamente blogs de seus estudantes. A fonte a que me refiro, pode ser encontrada no link indicado a seguir:

 

Sem Sistema

abril 20, 2012

Acabo de ser vítima da praga moderna do “estamos sem sistema”. Encomendei um livro via Livraria da Vila, loja do Shopping Center Higienópolis. No quinto dia útil depois do meu pedido, fui até a loja para saber se o livro tinha chegado no tempo prometido. Não tinha. Me deram novo prazo: dia 19 deste mês de abril. Cheguei hoje (20/04) de viagem. Minha mulher não havia recebido aviso da livraria, mas como eu almocei ao lado da loja, resolvi dar uma passada lá para ver se o livro já estava disponível.

Fui até o guichê de reservas. A moça me disse que o livro chegara, mas, como estavam sem sistema, ela havia mandado o produto para a loja. Sem condições de verificar o acontecido no sistema, anotou meu CPF num papelzinho e prometeu que me daria feedback assim que o sistema voltasse à vida. E, por achar que o livro estava em alguma prateleira da livraria, me sugeriu falar com um dos vendedores.

Fiz o que a moça sugeriu. Falei com um dos vendedores. Ele me pediu nome do autor, nome da obra e nome da editora. Forneci-lhe os dados pedidos. E lá foi ele em busca do livro. Demorou alguns minutos. Pensei que ele havia me esquecido. Quando minha irritação chegou à tampa, o moço voltou e me disse que estava difícil a procura porque sem o sistema ele não tinha condições de ver a “cara” do livro. Mostrou certa boa vontade para continuar a busca, mas dispensei a gentileza. Vi que não havia qualquer motivo para esperanças.

Além de minha irritação por causa de um atendimento de qualidade precária, fiquei preocupado com descontinuidades de serviços por causa da ausência de sistemas. O que rolou na livraria foram cenas de personagens perdidas porque o ator principal, o tal de sistema, estava ausente. Isso mostra que a história do cliente-rei, que sempre denuncio, é bobagem para inglês ver. O sistema é muito mais importante que o cliente*[i] .  A moça do guichê de reservas e os vendedores da loja não sabem o que fazer sem sistema. Não há plano B. Os profissionais são apenas periféricos do sistema. Sem este último não funcionam.

Parece que o sistema da Livraria da Vila voltou à vida. A moça do setor de reservas acaba de me telefonar, dizendo que o livro ainda não chegou, pois houve problemas operacionais na editora (acho que o sistema também morreu esses dias na Penso-Artmed!). Promessa: terei o livro certamente na próxima quarta feira. Sei não … E se o sistema cair de novo?

Antes de seguir em frente, quero deixar registrado meu agradecimento à moça que me ligou e cujo nome minha memória de velho não registrou. Possivelmente ela viu minha decepção e procurou entrar em contato assim que possível. Ponto para ela.

Não quero fazer deste post apenas um registro de descontentamento com os serviços da Livraria da Vila. A praga do “estamos sem sistema” é geral. Precisamos examiná-la com cuidado, pois em alguns casos, num atendimento de pronto socorro hospitalar, por exemplo, ela pode ter consequências fatais. Por isso vou continuar a conversa por mais algumas linhas.

Conto um caso antigo. Na metade dos anos 80, meu saudoso amigo Roberto Rocha, gerente da Área de Informática no SENAC de São Paulo, entrou numa loja de construção para comprar cinco preguinhos. O produto custava alguns centavos. O vendedor avisou que a venda seria impossível, pois o sistema estava fora do ar. Roberto insistiu. Ele precisava mesmo dos cinco preguinhos. Sugeriu ao vendedor que lhe doasse a preciosa mercadoria. Propôs-se a pagar cinco pilas pelos preguinhos. Disse ao moço para registrar a venda quando o sistema voltasse. Com isso teria bom lucro, embolsando o troco. Em vão. O vendedor permaneceu irredutível, sem sistema os preguinhos não saiam da loja.

Quando ouvimos a história dos preguinhos da boca do Roberto Rocha, eu e outros amigos dele fomos implacáveis, pois no Centro de Informática, gerenciado pelo Roberto, havia muitos cursos para formar profissionais de sistemas. Dissemos a ele que aquilo era castigo.

No meu caso recente e no caso antigo acontecido com o Roberto, fica evidente nossa  dependência dos sistemas. Estes se tornaram soberanos. Sem eles não sabemos viver. Não sabemos agir. Não sabemos vender. Não sabemos dar respostas satisfatórias para os fregueses.

Os casos que contei e muitos outros que poderiam ser lembrados mostram que precisamos fazer alguma coisa para que não nos tornemos escravos dos sistemas, essa suposta forma impessoal  de melhorar controles, tornar os serviços mais rápidos, buscar informações com mais precisão. Conversas sobre sistemas parecem ter como pressuposto que essa solução baseada em tecnologia digital independe de gente. O sistema parece um bezerro de ouro que veio de  outra galáxia para ser adorado por seres inferiores, nós. Mas, ele é uma criação humana. Pode ser mudado.  Precisamos pensar em sistemas que não sejam imperiais, em sistemas que, se falhos ou ausentes, não impeçam a simples venda de preguinhos, a informação correta para quem fez uma encomenda, o atendimento médico para um acidentado grave que não pode aguardar com paciência que o computador recupere sua saúde digital depois de um engasgo com um bug qualquer.

É bom a gente trazer a conversa sobre sistemas para a área da educação.  Professores e alunos já começam a depender do sistema. E, quando o sistema morre a educação para. Isso acontece com certa frequência com professores que planejaram atividades no laboratório de informática. Se o sistema da escola ou, em outros casos, o sistema externo (a internet, por exemplo) está fora do ar, tudo para, há certa confusão, falta plano B.

Faço uma última observação. Vamos dar nome de sistema ao Google. Ele está se convertendo num “sistema” que gera total dependência na busca de informação. Humanos estão se convertendo apenas em repetidores do Google. Isso pode se converter num pesadelo. Exagero só um pouquinho ao afirmar que a vida sem o Google está se tornando impraticável.


[i] Continuo a preferir a boa e velha palavra “freguês.

Professores e Computadores

março 11, 2012

Segue roteiro de minha conversa com professores das ETEC’s do Centro Paula Souza dia 07 último. Na apresentação, procurei ressaltar a importãncia dos professores como autores de propostas para uso de computadores em educação.

Nosso livro em português

março 8, 2012

Aqui está a capa de Computadores em sala de aula, versão brasileira de obra coletiva do grupo WebQuest Cat. O livro apareceu originariamente em catalão. Logo a seguir apareceu a versão espanhola. Agora, neste mês de março, começa a ser distribuído em livrarias do Brasil. Esse trabalho aconteceu graças à coordenação entusiasmada de Carme Barba e Sebastià Capella.

Quase todos os capítulos do livro são escritos por educadores do chão de escola e descrevem experiências vividas de usos de tecnologia educacional. O inspirador de quase toda essa ampla produção é meu amigo Bernie Dodge, criador do modelo WebQuest.

Escrevi um dos capítulos da obra a pedido de Carme Barba. Aproveitei a ocasião para sistematizar o modelo WebGincana desenvolvido com base em sucessivas experiências com meus alunos, experimentos feitos por Carla Betiolli na Secretaria de Educação de Campinas, oportunidade de capacitação com professores em São Bernardo do Campo, experimento feito no Senac.sp em parceria com meu amigo Carlos Seabra, e produção de uma forma adaptada de WebGincanas (graças a insistência de meu amigo Fernando Fonseca) para o Programa Estadual de Qualificação Profissional da Secretaria de Emprego e Relações de Trabalho de SP. Se alguém foi esquecido nessa história, entre em contato e reclame, por favor.

No processo de estruturação da obra, os coordenadores me solicitaram permissão para publicar, como capítulo, artigo escrito para número monográfico sobre WebQuest, em Quaderns Digitals, revista eletrônica catalã. Assim, El Alma de las WebQuest foi integrado ao livro coordenado por Carme e Sebá.

Daqui algum tempo voltarei a esta obra coletiva da qual participei com muito prazer.

 

Recursos para educadores

janeiro 31, 2012

O Conselho Nacional de Cinema do Canadá coloca no ar muitos recursos que podem ser aproveitados por educadores atentos. Entre as coisas que o Conselho oferece para uso livre, há um bom número de curtas e desenhos animados. Acabo de ver um deles, Every Child, desenho feito para desenvolver sensibilidade a respeito do direito que as crianças tem a um nome, uma nacionalidade, uma vida digna. Como acontece com a maior parte dos desenhos disponibilizados pela instituição canadense, o material é completamente imagético, o que dispensa conhecimento dos idiomas inglês e francês. Tudo o que precisa ser dito é dito por meio de imagens.

Convido interessados e curiosos a verem Every Child. Para tanto, basta clicar aqui.

Blogs e aprendizagem de idiomas

agosto 15, 2011

No ambiente Web, os blogs são um recurso cuja utilização pode oferecer ajudas interessantes na aprendizagem de idiomas. Esses diários eletrônicos tanto podem ser ambientes criados por docentes, como ambientes criados por alunos.

Recente artigo na revista Quaderns Digitals, El blog como almacén de recursos para el aula de E/LE: una propuesta de materiales didácticos interactivos , aborda o tema, destacando características técnicas e fundamentos linguísticos. O texto é um bom ponto de partida para professores de idiomas interessados em propor uso de blogs em suas aulas.

No parágrafo anterior   já criei um link para o artigo. Mas, caso o leitor ainda não tenha clicado sobre o título da matéria publicada por Quaderns Digitals, repito a dose. Para acessar resumo do artigo e possibilidade de copiar integralmente o texto em pdf, clique aqui.

Literatura Recomendada

maio 22, 2011

Ontem – 20/05 – estive no lançamento do livro Redes e Comunidades: Ensino-aprendizagem pela Internet, de Jaciara de Sá Carvalho. Comecei leitura da obra. Mas, antes de chegar ao fim, já firmei convicção: é literatura recomendada para gente que se importa com usos da Internet em educação. Vá atrás. Leia. Converse com a Jaciara lá no blog dela.

WebQuest e Web 2.0

abril 2, 2011

Em 1995, quando criou o modelo WebQuest, Bernie tinha como colaborador Tom March. Este último estava vinculado ao Departmento de Tecnologia Educacional da Faculdade de Educação da San Diego State University como pesquisador associado. É dele a primeira WebQuest que mereceu ampla divulgação na Web: Searching for China. Tom, casado com uma australiana, mudou-se para a Austrália onde  vive  até hoje apesar da morte prematura de sua esposa.

March tabalha com formas modificadas do modelo WebQuet. Ainda mantém algum contato com Dodge, mas não tem mais com este uma colaboração estreita. Ao contrário do criador do modelo, Tom March produz bastante referências teóricas sobre WebQuests. A mais recente delas é o artigo cujo link aparece a seguir:

Na foto, Tom, sem paletó, e Bernie, o barbudo, num encontro em 2005.

Nosso livro: uma resenha

janeiro 13, 2011

Já anunciei aqui livro produzido pela equipe Webquestcat – grupo de educadores da Catalunha que trabalha com WebQuests e com muitas outras soluções de uso da Internet em educação. Tenho o privilégio de ser membro de grupo tão envolvido com propostas educacionais de qualidade. O livro, Computadores na Sala de Aula: a chave é a metodologia, foi lançado inicialmente em catalão. Depois apareceu a edição em espanhol. Daqui algum tempo, a Artmed deverá lançar uma versão da obra em português.

Hoje, via e-mail, Carmè Barba, uma das coordenadoras do livro, noticiou publicação de resenha recente de nosso livro na Revista D’Innovació i Recerca en Educació, do Instituto de Ciências da Educação da Universidade de Barcelona. O texto está em catalão, mas pode ser lido e entendido com um pequeno esforço. Faço aqui registro de mais esse comentário favorável sobre uma obra que foi escrita com muito carinho pelo grupo Webquestcat. Leitores que quiserem ver a citada resenha devem clicar sobre o destaque que segue:


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