Archive for the ‘Usos educacionais da Web’ Category

Sociedade da informação. Da informação… Da informação…

agosto 4, 2014

blog tOs educadores usam com certo entusiasmo a expressão Sociedade da Informação. E costumam achar que a fartura de informação que há na Web faz com que a escola perca cada vez mais sentido. Para mim, este modo de ver o que anda acontecendo em nosso mundo é um equívoco. A fartura de informação não gera necessariamente mais conhecimento. Alan Kay, cientista da computação, já chamava atenção para isso num artigo que publicou em Scientic American em 1995. Kay observava que com tanta informação disponível as pessoas estão cada vez mais incapazes de dizer o que há por trás da informação. Perderam o rumo dos significados.
Análise interessante sobre o fenômeno foi feita por Jodi Dean em Blog Theory. Em 2011 escrevi resenha do livro de Dean. Na resenha, tento enfatizar alguns dos pontos que a autora considera importantes nas práticas comunicativas na Web. Ela, como Kay e muitos outros autores, chama atenção para aspectos que deveriam ser analisados pelos educadores.
Não pretendo resumir a resenha que fiz. Acho que ela não faz inteira justiça a toda a riqueza do livro de Jodi Dean. Não cabe, portanto, reduzir mais ainda considerações sobre a obra. Por esse motivo, resolvi trazer para cá o texto integral da resenha, esperando assim oferecer uma boa referência para julgar os rumos da Sociedade da Informação.

Dean, Jodi. Blog Theory: Feedback and capture in the circuits of drive. Malden, MA: Polity Press, 2010, 153 p.
Novas tecnologias da informação e comunicação – NTIC’s ganham espaço cada vez maior na vida cotidiana. Essas tecnologias são vistas como avanços desejáveis, pois os ganhos que trazem em termos ampliação do conhecimento são imensos. Tal interpretação do papel das NTIC’s tem uma dupla face. De um lado, ela entende que a produção e acumulação de saberes é processo contínuo e cumulativo. De outro lado, ela ressalta a necessidade de se adotar as mudanças que as mais recentes tecnologias trazem. Comentários nos meios de comunicação e em produções acadêmicas tendem à tecnofilia. Ao mesmo tempo, a aceitação entusiasmada das NTIC’s tem muitos traços de ingenuidade.
O pensamento hegemônico sobre as novas tecnologias da informação e comunicação sugere que sociedade e indivíduos têm conhecimento cada vez maior, que a educação dará um salto de qualidade, e que a prática política ganhou grandes espaços de exercício da liberdade. Tais conclusões não são fruto de análises aprofundadas das NTIC’s. São, muito mais, conseqüências de crenças que ignoram qualquer análise crítica dos novos meios de comunicação.
Blog Theory, obra de Jodi Dean, contesta o pensamento hegemônico. Examina o fenômeno dos blogs, tentando perceber o significado dessa prática comunicativa na sociedade e para os blogueiros individualmente. A autora, porém, não se restringe aos blogs. Na verdade, realiza uma análise mais ampla, incluindo em seu estudo outras práticas comunicativas que ganharam espaço expressivo na Web.
A intenção de Dean é a de analisar criticamente as NTIC’s a partir de uma tradição que busca entender o significado e impactos sociais das tecnologias, assim como a maneira pela qual as forças hegemônicas se apropriam das ferramentas de comunicação. Ela procura superar o nível das aparências para desvelar o que está acontecendo no plano coletivo e individual. Há mudanças. Mas, que mudanças estão acontecendo em modos de ver a vida, no plano dos valores, na vida política, no plano epistemológico? Respostas e a essas perguntas balizam o caminho percorrido por Dean.
A autora reconhece que análises críticas da NTIC’s não é tarefa fácil. A atualidade das análises é efêmera, pois as novas redes de comunicação são turbulentas, sempre mutantes. Muitos de seus aspectos definidores desaparecem em pouco tempo. A obsolescência de equipamentos e ferramentas é extremamente acelerada. Por esses motivos, livros que abordem criticamente os novos meios de comunicação correm risco de ficarem desatualizados assim que chegarem às livrarias. Por outro lado, utilizar a própria Web para registrar aspectos críticos em blogs e outros ambientes de publicação digital é providência vã, pois a conteúdo não merecerá devida atenção.
Dean mostra que os livros desempenham papel importante na elaboração e registro de análises críticas. Sugere que as mídias digitais não conseguem substituí-los em tal função. Conclui que eles continuam a ser o veículo mais adequado para articular análises que evidenciem as conseqüências mais profundas das NTIC’s.
O funcionamento da Internet, segundo a autora, mostra a emergência do capitalismo da comunicação. Esse fenômeno vem recebendo diversos nomes, com destaque para Sociedade da Informação. Mas, quase sempre, os analistas ignoram o capital como o maior interessado na produção, circulação e uso de uma commodity intangível que vem mudando relações entre as pessoas, formação de identidade, modos de ver o mundo. Para Jodi Dean “o capitalismo marca a estranha convergência da democracia e do capitalismo em redes de comunicações e mídias de diversão” (p.4).
Para mostrar desdobramentos ideológicos do ambiente mediático de nossos dias, Dean examina como movimentos de esquerda com raízes nos anos de 1960, acreditando em virtudes intrínsecas das redes de comunicação, acabaram caindo em armadilhas e passaram a defender valores que criticavam. Para ela, este é o caso, por exemplo, dos novos comunalistas. Estes, ao abraçarem promessas libertárias da Internet, aliaram-se aos adversários de outrora – as forças armadas, o capital, a burocracia – promovendo idéias neoliberais e justificando flexibilização do trabalho e outras decorrências de um capitalismo dentro do qual se entranha a comunicação.
As observações de Jodi Dean sobre aspectos ideológicos promovidos no e pelo uso das redes digitais nada tem a ver com teorias conspiratórias. A autora examina as práticas comunicativas correntes e nelas encontra características que não são evidentes para usuários e entusiastas das novas mídias. A autora busca caracterizar que cultura e sociedade estão sendo construídas naquilo que se convencionou chamar de Sociedade da Informação.
Na produção e circulação de informações, a autora vê um fenômeno que precisa ser considerado, o fenômeno da reflexibilidade. Este fenômeno, em síntese, é caracterizado por uma circularidade na qual informação gera mais informação sem qualquer referência a realidades que não integrem as redes digitais. No plano individual, a reflexibilidade gera comportamentos análogos aos da obsessão pelo jogo. Utilizadores de redes sociais entram num circuito que não privilegia conteúdos, mas, o constante uso de veículos de informação.
Nos planos axiológicos e epistemológicos, Jodi Dean sugere que a utilização das novas mídias caminha na direção do declínio da eficiência simbólica. Ou seja, as pessoas deixam de ter uma referência sólida para julgar informação. Vale tudo. Em blogs e outros meios de expressão digital, acredita-se que todas as opiniões são válidas. A tendência reforça traços de relativismo que já presentes na cultura ocidental antes do advento das redes digitais. No caso dos valores, há um esvaziamento de referências aceitas coletivamente. No caso da ciência, há uma crença de que todo e qualquer saber é equivalente. O resultado dessas maneiras de ver é o de que banalidades sem fundamento e afirmações ancoradas em investigações sistemáticas em nada diferem. São informações que entram no circuito, reivindicando tratamento igualitário.
Predomina na rede digital impulso para o uso, não importando outros fins. A lógica do sistema é a de um consumo cada vez mais avassalador de informações, não pelo valor intrínseco destas últimas, mas pelo sentimento de participar de um processo informativo que não cessa. A comunicação constante é uma obrigação. Mais ainda: uma obsessão. É preciso comunicar-se, não importa para que, nem o que comunicar.
Dean consagra um capítulo inteiro à questão do afeto (Affective Networks). A autora observa:
O capitalismo da comunicação nos manda divertir, ao mesmo tempo ele nos adverte que não estamos nos divertindo o bastante, ou tão bem como os outros. Nossa diversão permanece frágil, arriscada. (p. 92)
A ordem para nos divertir aparece de diversas formas. Uma delas é a de sentir-se membro de uma comunidade que, segundo a autora, “é uma comunidade sem comunidade”. Contraditoriamente, as redes facilitam a superação do isolamento, embora as pessoas continuem isoladas. Outra forma é a da repetição. Faz-se a mesma coisa o tempo todo. Não importa o significado do que é repetido. Importa sempre a repetição, num ritmo cada vez mais envolvente. Repetição e redundância é o nome do jogo. Isso já era característico nos meios de comunicação de massa que chegaram um pouco mais cedo que as redes digitais. Essa circunstância foi e é largamente utilizada em publicidade na TV. Convém, mais uma vez, recorrer ao texto da autora:
A dimensão aditiva da comunicação pela comunicação marca um excesso. Esse excesso não é novo significado ou perspectiva. Ele não se refere a um novo conteúdo. Em vez disso, ele advém da repetição, da agitação ou emoção por mais. Na duplicação reflexiva da comunicação, a diversão incorporada à comunicação pela comunicação desaloja intenção, conteúdo, e significado. O extra na repetição é diversão, a diversão que é capturada no impulso e na diversão expropriada pelo capitalismo da comunicação. (p.116).
A meta, como já se disse, é a de usar a rede. E usá-la à exaustão. O discurso ideológico justifica tal uso com promessa de mais conhecimento. Mas, conforme diz a autora “quanto mais conhecimento incorporamos, menos sabemos”. Na verdade, o que predomina é a circulação de informação, não a sua apropriação pelos usuários. Uma das conseqüências disso é a falta de ação. Em vez de agir, busca-se mais informação. Os resultados encontrados não satisfazem. Por isso mais informações são procuradas. Esse processo não tem fim. E estar nele é fonte de prazer. A produção de informação com características de reflexibilidade é uma criação dos usuários. Eles acabam produzindo o ambiente em que vivem. As conexões estabelecidas no interior do sistema configuram as pessoas. Gerar informação, consumi-la, reproduzi-la, dentro de um loop, substitui busca de sentido, de significado, é tudo que se quer.
Apesar do título de seu livro, Dean não tem como foco os blogs, mas as práticas mediáticas que se tornaram comuns com a chegada dos recursos digitais. O livro, porém, tem um capítulo dedicado aos blogs. A autora faz menção às características técnicas dos diários eletrônicos. Examina as analogias mais comuns que são utilizadas para defini-los. Ela, porém, não se prende a visões mais tradicionais. Para além de aparências óbvias de blogs como diários eletrônicos ou formas de expressão de um novo jornalismo, Jodi Dean mostra como a prática deles está a serviço da expressão da subjetividade.
A autora vai buscar nas práticas epistolares do antigo Império Romano, assistida por estudos realizados por Michel Foucault, analogias para iluminar o sentido da escrita em diários eletrônicos. Revela que as correspondências produzidas pelos latinos tinham acima de tudo características de auto-escrita. A arte de escrever cartas era vista como um elemento de reflexão. Neste sentido, importava pouco o que comunicar. Importava o próprio exercício de produzir as cartas, mesmo que estas não fossem enviadas aos seus destinatários. Essa é uma descoberta intrigante. O ato, a prática era mais importante que o escrito. E é isto o que acontece com os blogs. Valem para eles as observações feitas para todo o sistema de comunicação digital. Os blogs são uma alternativa de ingresso na ciranda interminável de gerar e consumir informação, pouco importando o conteúdo. Eles também concretizam o sentimento de participação no qual se acentua a dimensão afetiva. Não são, assim, diferentes de qualquer outro formato que facilita a participação dos usuários na Web.
Blog Theory é um livro denso e exigente. A autora, para desenvolver seus argumentos, recorre a uma ampla literatura influenciada principalmente por Lacan. Cada capítulo da obra mereceria uma resenha própria para que não se perdessem elementos importantes das análises feitas por Dean. Porém, os registros aqui feitos são suficientes para situar a obra e sua importância em áreas relacionadas com informação e comunicação.
Importa assinalar como Blog Theory sugere novos modos de ver NTIC’s em educação. O estudo de Dean mostra que aproveitamentos de qualidades aparentes da Web para finalidades pedagógicas não podem acontecer de modo ingênuo. O predomínio de práticas de comunicação pela comunicação é um traço que deveria merecer análises críticas dos educadores. Usos educacionais das NTIC’s, caso ignorem uma visão crítica, irão apenas facilitar ingresso dos alunos em circuitos comunicativos que desconsideram conteúdos e significados.

Jarbas Novelino Barato. Professor. Mestre em Tecnologia Educacional pela San Diego State University (SDSU). Doutor em educação pela UNICAMP.

Fartura de informação e educação

julho 11, 2014

Ontem coloquei nesta Boteco, na seção páginas, texto do paper que preparei em 2005 para a Fundação Telefonica, abordando questões relativas a usos da internet em educação (cf. página 064. Quem lê tanta notícia). No começo do referido paper faço algumas considerações sobre o aumento exponencial de registros de informação na história recente. Acredito que é preciso contar com uma visão histórica do aumento constante de registros de informação para não ficarmos deslumbrados com a internet. Para interessados, reproduzo a seguir a página inicial do meu paper para a Telefonica.

 

O SOL NAS BANCAS DE REVISTA
ME ENCHE DE ALEGRIA E PREGUIÇA
QUEM LÊ TANTA NOTÍCIA
(Caetano Veloso)

Começo com versos de Alegria, Alegria nos quais, entre admirado e provocativo, Caetano Veloso lança uma questão aparentemente banal: “quem lê tanta notícia?”. Não creio que a pergunta do famoso músico e poeta baiano refira-se apenas a um número muito grande de eventos registrados por jornais diários. Penso que a questão vai um pouco mais longe. Ela retrata certa admiração com a quantidade de publicações que podem ser encontradas numa simples banca de revistas. Ela tem a ver com a produção crescente de informação em nossa sociedade. Simples bancas de revista têm mais informação que a capacidade de consumo de um cidadão comum. Num levantamento informal realizado há alguns anos, calculei que a famosa banca de revistas da praça Villaboim oferecia a seus frequentadores cerca de quinhentos diferentes títulos de jornais, revistas, livretos, e livros publicados em edições de bolso. E, diferentemente das livrarias, o acervo de uma banca de revistas, renova-se em prazos muito curtos (alguns dias, pois as publicações periódicas ali vendidas são no máximo mensais). É esse o contexto que, a meu ver, melhor situa a pergunta feita por Caetano no já distante ano de 1968: “quem lê tanta notícia?”.
Um contraponto aos versos de Caetano é a constatação que aparece em A Distant Mirror, livro em que Bárbara W. Tuchman (1978) narra passagem da Peste Negra pela Europa. Ao falar dos bens de Carlos V, rei de França na segunda metade do século XIV, a autora constata que aquele soberano tinha uma riqueza de preço incalculável: uma biblioteca. Uma biblioteca de mil e poucos volumes! Ou seja, uma coleção de livros que hoje é uma marca apenas razoável para o acervo de um professor universitário. Na Europa de 1372, mesmo para o rei do país mais poderoso do continente, reunir número significativo de fontes de informação era um desafio formidável. Seis séculos depois da Peste Negra, a disponibilidade de informações sofreu um salto significativo. A coleção de mil e poucos livros que deu origem ao acervo bibliográfico do museu do Louvre é um número insignificante quando sabemos que uma simples banca de revista pode oferecer mais de quinhentos títulos aos seus clientes.
É tentador utilizar os dois casos que delineei nos parágrafos anteriores para mostrar a imensidão da Internet ou, mais propriamente, do espaço Web. Mas não vou fazer isso imediatamente. Acho que antes é preciso compreender melhor quando começou a revolução informativa que Caetano Veloso identificou nas bancas de revista. A explosão informativa já era visível em 1968. Será que ela é uma criação da segunda metade do século passado? Ou será que a mesma tem raízes mais distantes?
Sabemos que a biblioteca de Carlos V era constituída por manuscritos preciosos e caros. Livros, no século XIV, eram produtos de arte, elaborados individualmente por pacientes copistas. Essa circunstância vai mudar apenas no século XV, quando Gutenberg cria tipos móveis fáceis de usar e prensas que podem imprimir livros dentro de um escala de centenas ou até milhares de volumes. Mas tal escala de produção ainda não é muito expressiva se a compararmos com a escala de produção de nossos dias. Hoje, potencialmente, as informações podem ser produzidas na casa dos milhões a custos cada vez mais reduzidos.
Para gente que gosta de marcar certos períodos históricos com determinados nomes, os dias em que vivemos podem ser caracterizados como a Era da Fartura de Informações. Será que os números impressionantes das possibilidades de reproduzir informações são a marca distintiva de nosso tempo? Podemos dizer que sim. Mas é preciso qualificar tal resposta. Acredito que Steen Larsen faz isso quando usa, sem pretensões com exatidão, dois jogos de relações interessantes. Numa figura mostra um pequeno conjunto contido por outro conjunto bastante maior. O conjunto menor ocupa uma área de cerca de dez por cento da área do conjunto que o envolve. O que Larsen quer representar com isso? A proporção entre saberes de um indivíduo e os saberes disponíveis no inicio do século XX. Ao lado de tal figura, Larsen desenha outra; um grande conjunto contendo um conjunto muitíssimo menor. Este último ocupa apenas uma pequena fração (algo menor que um por cento) da área abrangida pelo conjunto que o envolve. Na nova figura, o autor pretende mostrar a mesma relação entre saberes individuais e saberes disponíveis no século XXI. Cabe notar que nas duas situações a capacidade de “guardar informações” permaneceu constante para os indivíduos. O que cresceu de modo espetacular foi a capacidade social de produzir e distribuir informações.
As figuras utilizadas por Larsen mostram de forma dramática um dos problemas com o qual nos confrontamos hoje em educação; o que ensinar tendo em vista a imensidão de informações disponíveis?

 

 

Prova de tecnologia educacional

junho 22, 2014

Entre os meus guardados, tenho provas que fiz para cumprir o dever de elaborar instrumentos que pudessem me ajudar a dar nota para os alunos. Eu nunca fui muito rigoroso em dar notas. Sempre utilizei critérios para que meus estudantes já partissem para a prova com nota 4, pois ninguém é ZERO. Nunca cheguei a dizer isso claramente para meus alunos. Eu partia da nota 4 como mínimo, o que tornava muito difícil a reprovação de quem eu avaliava. Neste post não vou conversar sobre avaliação. Vou apenas matar saudades, reproduzindo uma prova de tecnologia educacional que elaborei em 2006.

Tecnologia Educacional 4apgn
Avaliação Semestral

Universidade São Judas Tadeu
Curso de Pedagogia
Prof. Jarbas N Barato
Parte 1 (3 pontos)

Nas questões que seguem, escolha a melhor alternativa.

1. Atualmente, com a divulgação das novas TIC’s –Tecnologias da Informação e Comunicação – é comum um modo de pensar que pode ser chamado de instrumentismo. Esse modo de pensar pode ser caracterizado como:
___a) um entendimento de que os novos meios são “apenas ferrramentas” cujo uso depende de planejamento didático-pedagógico.
___b) a idéia de que basta adquirir e usar as novas ferramentas para que haja tecnologia no espaço escolar.
___c) a tendência de achar que o uso de novas ferramentas faz com que os alunos aprendam mais e melhor.
___d) a idéia de que usar ou não as novas ferramentas de comunicação é indiferente.
___e) a convicção de que os educadores precisam necessariamente utilizar as novas ferramentas.

2. Com as novas tecnologias da informação e da comunicação:
___a) passamos a contar com mais ferramentas para diversificar a comunicação dos conteúdos de conhecimento
___b) começamos a reorganizar os conteúdos e a estruturar maneiras inéditas de pensar
___c) podemos tornar a aprendizagem mais divertida, obtendo conseqüentemente melhores resultados
___d) passamos a enfrentar o desafio de maior dispersão e falta de atenção dos estudantes, dada a superficialidade dos novos meios
___e) assistimos a uma mudança radical no papel do professor.

3. Na história da educação, o deslumbramento causado pelo cinema oferece ótimo exemplo de erros de avaliação quanto ao papel que os novos meios de comunicação podem desempenhar em termos de aprendizagem. Isso fica muito claro em declarações de:
___a) Albert Einstein
___b) Henry Ford
___c) Thomas Edison
___d) Santos Dumont
___e) Emile Freinet

4. Cinema e TV, dos meios de comunicação que se desenvolveram no século XX:
___a) tiveram papel importante na educação escolar
___b) foram usados apenas por educadores inspirados pela Escola Nova
___c) ficaram restritos a programas de educação a distância
___d) educaram as pessoas fora dos muros escolares
___e) sofreram sérias resistência dos educadores

5. Visões negativas caracterizam os blogs como:
___a) forma de comunicação restrita a quem gosta de escrever
___b) publicações que incentivam promoção pessoal, superficialidade e fofocas
___c) instrumento de comunicação que exige muito conhecimento do funcionamento da Web
___d) moda passageira que não criará raízes no universo da comunicação humana publicações que incentivam promoção pessoal, superficialidade e fofocas
___e) produção muito trabalhosa, considerados os resultados de aprendizagem que proporcionam

6. Na linha de crítica ao instrumentismo, especialistas em tecnologia educacional chamam nossa atenção para o fato de tecnologia é:
___a) uma opção entre muitas outras
___b) é inteligência humana, não máquinas e equipamentos
___c) uso bem planejado dos recursos disponíveis
___d) opção que exige muita pesquisa do educador
___e) uso adequado dos novos meios de comunicação

7. O ingresso de novos meios de comunicação não tem efeito aditivo (antigo mundo + nova ferramenta). Há no caso mudança profunda comparável a:
___a) ruptura de paradigmas na ciência
___b) revoluções no campo do comportamento e dos costumes
___c) reformas substanciais na estrutura da educação
___d) alteração profunda de visão de mundo
___e) impacto ecológico de um novo organismo no meio ambiente

8. Especialistas preocupados com os rumos que a utilização dos novos meios de comunicação e informação vêm tomando, previnem-nos contra:
___a) a desumanização provocada pela tecnologia
___b) a idéia de que informação e conhecimento são sinônimos
___c) a perda de valores importantes promovidos pelas antigas tecnologia
___d) a idéia de que toda a aprendizagem precisa ser divertida
___ e) a ilusão de que os novos meios nos tornam mais inteligentes

9. Para serem usados com sucesso em educação, os blogs:
___a) precisam ser entendidos primordialmente como meios de comunicação com virtudes próprias
___b) devem ser replanejados para atender a finalidades específicas de aprendizagem
___c) precisam passar por uma atenta supervisão dos educadores para evitar superficialidades
___d) devem atender a orientações pedagógicas previamente definidas
___e) precisam ser produzidos de acordo com normas éticas e de bom gosto

10. Blogs, se usados como espaço de conversação, promovem aprendizagens não reguladas. Tais aprendizagens são conseqüência:
___a) da liberdade que o aluno ganha ao se tornar efetivamente um autor
___b) da experiência de redação que o aluno vai desenvolvendo à medida que publica seus posts
___c) da interação que vai acontecendo à medida que seus posts repercutem no ciberespaço
___d) das amizades virtuais que vão surgindo à medida que sua obra fica conhecida
___e) do efeito causado pela reflexão necessária à produção de suas mensagens

11. Blogs exigem produção textual. Mas não desenvolvem apenas redação no sentido tradicional. Eles são um instrumento importante para:
___a) familiarizar os alunos com o ambiente Web
___b) desenvolver sentimento de autoria
___c) desenvolver gosto pela redação
___d) aperfeiçoar estilo dos alunos-autores
___e) oferecer oportunidade para aprendizagens de produção hipertextual

12. Nas alternativas que seguem, assinale aquela que não corresponde a um entendimento correto do uso de blogs em comunicação e educação:
___a) eles (os blogs) são uma ferramenta para jovens
___b) para publicá-los, não é necessário muito conhecimento de informática, computadores e internet
___c) conversar, esta é a idéia central da produção e uso de blogs
___d) antes de usar, é preciso que os educadores compreendam a natureza comunicativa dos blogs
___e) ingressar na blogosfera é um meio de exercer cibercidadania

Parte 2 (4 pontos)

O mote de nossa disciplina este ano é a fórmula tecnologia = ferramenta + imaginação. Esse modo de pensar é um pouco diferente dos modos hegemônicos de ver o uso das novas ferramentas comunicativas no processo de ensino-aprendizagem. Explique, num ensaio de pelo menos vinte linhas de texto, as direções que a mencionada fórmula sugere para a atuação dos educadores.

 

Água na internet

dezembro 29, 2013

Vai faltar água. Muitos “empreendedores”, tendo em vista escassez de água potável, já se propõem a cuidar do problema, cobrando pelo serviço de fornecimento e ganhando pleno direito de posse desse recurso vital.

Sabemos que a falta d’água é um drama já anunciado faz bastante tempo. É preciso, portanto, que sejamos educados em todos os sentido quanto aos aspectos relativos ao recurso mais importante para a vida.

Em 2010, o educador Javier Escajedo organizou um material muito interessante sobre a água, utilizando o sugestivo título La crisis del agua. Recomendo aos professores uma boa olhada na obra do Javier, seja para usá-la como está, seja para inspirar-se na organização de seu próprio material.

Depois de ver o material do Javier, achei que valia a pena dar uma olhada em algum vídeo que reproduzisse a canção Planeta Água, do Guilherme Arantes. Encontrei vídeo, ilustrado com imagens, que pode ser utilizado como ponto de partida bastante motivador para conversas sobre a água.

Naufrágios na Web

agosto 4, 2013

Em 2004, comecei a escrever um artigo sobre WebGincanas. Mas parei logo no começo. Fiquei apenas na Introdução. Hoje achei, por acaso, o referido texto. Ele retrata a questão do naufrágio de navegadores que buscam informações na internet para fazerem “pesquisas escolares”. No artigo não concluído eu queria usar os casos de naufrágio internético para justificar propostas de uso da Web com estrutura, uma vez que WebGincanas são uma forma estruturada de propor buscas de informação.

Quase dez anos depois, não tenho mais como terminar o artigo que estava escrevendo em 2004. Mas acho que a Introdução que escrevi ainda é uma reflexão útil para conversas sobre usos da internet em educação. Por isso, reproduzo-a aqui nas linhas que seguem.

Naufrágios na Internet: Introdução para um artigo sobre webGincanas

Suponha que você é um professor de biologia e  propôs a seus alunos uma pesquisa na internet sobre Teoria da Evolução. Suponha ainda que tais alunos tivessem a intenção de ler com alguma atenção o material selecionado. O que é que os estudantes iriam encontrar? Se entrassem no motor de buscas Google com a expressão Teoria da Evolução (sem aspas), receberiam a informação de que “foram encontradas aproximadamente 86.400” entradas para o termo pesquisado (dado do dia 11.07.2004). Se entrassem no mesmo Google com a expressão “Teoria da Evolução” (com aspas) o valor seria bem menor: 5.840 entradas. O que é que os alunos iriam estudar? Que escolhas fariam? Já fiz essas perguntas diversas vezes para professores do ensino fundamental e médio. A resposta mais freqüente foi a de que os estudantes costumam dar uma olhada nos três ou quatro primeiros endereços listados pelo buscador. No caso de Teoria da Evolução, os três primeiros endereços são: Teoria da Evolução: refutação, Edificador- Conseqüências da Teoria da Evolução e    A teoria da evolução é fato comprovado? Coincidência ou não, esses três primeiros sites listados pelo Google  se posicionam contra a Teoria da Evolução, refletindo crenças de grupos religiosos fundamentalistas. A que conclusões chegariam os alunos que lessem as três primeiras referências encontradas? Em “Teoria da Evolução: refutação”, logo na abertura, eles  encontrariam a seguinte afirmação:

Muitas autoridades científicas já admitem que esta teoria [Teoria da Evolução] se constitui de 10% de má ciência e 90% de má filosofia.

 

 Este seria um mau começo de conversa sobre um tópico importante das ciências biológicas.Nosso aluno hipotético poderia começar seus estudos  achando que a evolução é apenas uma alternativa para explicar a vida no planeta. Os dados numéricos (86.400, no primeiro caso, ou 5.840, no segundo) podem ser desanimadores. Os primeiros sites relacionados não são propriamente uma introdução esclarecedora sobre o assunto. Em outros idiomas, os problemas podem ser mais assustadores. Em inglês, por exemplo, as cifras são: 4.510.000, para Evolution Theory (sem aspas) e 39.300 para “Evolution Theory” (com aspas). Em espanhol, 216.000 para Teoria de la Evolución e 13.500 para “Teoria de la Evolución”.

 Poucos educadores propõem o uso de operadores lógicos para refinar a busca quando solicito uma pesquisa sobre Teoria da Evolução.  Um ou outro sabe, por exemplo, que é possível associar a expressão pesquisada com um complemento por meio do sinal de mais (+). E quando sugiro que Teoria da Evolução seja associada a algo, quase ninguém indica palavra ou expressão capaz de refinar a pesquisa.  Minha provocação preferida, no caso, é a de perguntar  aos educadores, na seqüência, se a fórmula Teoria da Evolução + Beagle funcionaria a contento. Quase sempre vejo um sorriso de incredulidade nos lábios de meus amigos professores, convencidos de que a  menção da raça do simpático Snoopy logo após o sinal de mais (+) é uma brincadeira minha. (“Teoria da Evolução” + Beagle reduz, no Google, a lista  de referências a apenas 291 sites) . Gente que estudou biologia há muito tempo costuma esquecer-se do navio científico (Beagle) utilizado por Darwin. É improvável, portanto, que estudantes utilizem espontaneamente complementos como Beagle ou Galápagos para refinar a procura. Mais improvável ainda é a possibilidade de algum aluno sem conhecimentos prévios do assunto, mas conhecedor do idioma inglês, utilizar a fórmula “Evolution Theory “+ “moth population”  que pode refinar a busca para apenas 36 entradas.

Uma investigação sobre Teoria da Evolução na internet poderia ainda ser facilitada com a escolha de termos mais adequados do ponto de vista da linguagem científica.(usar, por exemplo, Seleção das Espécies em vez de Teoria da Evolução como tema geral). No Google, para “Seleção das Espécies”, há apenas 361 entradas,  uma lista de sites provavelmente mais confiáveis do ponto de vista científico que o conjunto de 5.810 páginas que se obtém com “Teoria da Evolução”.

Com todas essas observações sobre usos de motores de busca e Teoria da Evolução, quero, inicialmente, destacar os seguintes pontos:

● para cada  termo ou expressão que merece estudo, há milhares ou milhões de referências na internet.

● as listagens dos sites selecionados pelos motores de busca não apresentam necessariamente uma ordem que favoreça prioridades de pesquisa

● para refinar a busca, associando o tema com chaves que possam levar à criação de conjuntos de dados mais manejáveis, é preciso que o pesquisador conheça certos aspectos do assunto (possibilidade de associar Teoria da Evolução com Beagle, ou Evolution Theory com moth population, por exemplo).

Dominar apenas aspectos técnicos de uso de motores de busca não resolve o problema. Um pesquisador que saiba como operar com o sinal de mais (+) precisa decidir que palavras ou termos são adequados. Ou seja, refinar buscas na internet exige algum conhecimento do conteúdo. Mas o que acontece normalmente, nas pesquisas que os alunos costumam fazer, é uma situação investigativa sem qualquer base ou critério. Não é de se estranhar, portanto, que o resultado mais freqüente das investigações na internet seja uma colagem de textos e figuras cuja importância e sentido os estudantes ignoram. Essas constatações parecem sinalizar um caminho completamente diferente daquele pintado pelo otimismo dos entusiasmados amantes das novidades da Sociedade da Informação.

 Náufragos no Oceano Web

Estudantes desafiados a usar internet para pesquisar determinado assunto podem viver aventuras semelhantes aos náufragos dos velhos veleiros do século XVI. Perdidos numa ilha qualquer do imenso mar de informações da Web, esses náufragos do mundo digital acabam mandando mensagens de socorro para qualquer destinatário. Uma das histórias mais ilustrativas sobre isso me foi contada pelo Professor Aquiles Von Zuben.

Ali pelos idos de 2000, Aquiles recebeu o seguinte e-mail:

Querido Professor Aquiles,

Sou estudante do ensino médio e estou pesquisando na internet o sentido da vida. Não encontrei nada. Recorro ao senhor para resolver o meu problema. Mande-me uma resposta sobre o tema. Nada muito longo, bastam duas páginas. E, por favor, responda-me logo, tenho de entregar o trabalho amanhã à tarde.

Abraço,

Fulano de Tal

Ao relatar o episódio, Aquiles ressaltou dois pontos: a solicitação de um texto breve e a urgência da resposta. O autor do e-mail não queria uma explicação, para o sentido da vida, que  ultrapassasse duas páginas. Esse pedido é congruente com uma expectativa cada vez mais comum de nossos alunos: textos, sobre qualquer assunto, devem ser sempre breves. A urgência da resposta retrata outra característica de nossa Sociedade da Informação: tudo é para aqui e agora (Barato, 1993). Brevidade e imediatismo das informações são aspectos que revelam algumas das tendências do mundo em que vivemos. Seria bom discuti-los aqui, mas isso fugiria ao foco deste texto. Por isso, deixo apenas um registro das observações do Professor Von Zuben, esperando que o leitor elabore por conta própria essas duas dimensões retratadas pelo e-mail do aluno que pesquisava o sentido da vida.

Meu interesse maior é o de elaborar uma explicação sobre os porquês de mensagens como a enviada para meu amigo Aquiles. Para tanto, acho conveniente fornecer algumas explicações sobre quem é professor ao qual o e-mail foi destinado. Aquiles Von Zuben é doutor filosofia, formado pela Universidade Católica de Louvain. Nos últimos anos, suas investigações tiveram como foco a questão da bioética. Como é que o aluno interessado no sentido da vida chegou ao site do Aquiles? Provavelmente por acaso. E quando viu que estava no território de um filósofo, resolveu jogar uma última cartada  para fazer sua tarefa escolar. Em vez de ler, estudar, investigar, o aluno resolveu pedir ao filósofo um pequeno tratado sobre a questão. Por que isso aconteceu? As explicações possíveis são muitas.  Provavelmente o aluno foi buscar na internet (com ou sem sugestão  docente) material para elaboração de um trabalho solicitado por algum de seus professores. E não faltam informações sobre o tema na internet. Numa busca por meio do Google (dados de 11.07.2004) há indicação de 984.00 entradas para sentido da vida, e 17.400 para “sentido da vida”. (para “sentido da vida” + Aquiles Von Zuben são 20 entradas!). Há, portanto, um oceano imenso de informações que deixa o navegante inteiramente perdido (o que escolher no meio de quase um milhão de documentos disponíveis?). O número imenso de informações disponíveis, em vez de nos tornar mais esclarecidos, tende a nos deixar inteiramente perdidos. Aliás, muito antes da explosão informativa da internet, Caetano Veloso, em verso célebre e comentando apenas o número muito grande de publicações vendidas nas bancas de jornal, perguntava: “quem lê tanta notícia?” Assim, cercado de informações por todos os lados, o navegador da internet não sabe o que utilizar. Naufraga. Um ou outro náufrago, desde uma ilha desconhecida, manda, em garrafas virtuais,  apelos desesperados. Forneço mais um exemplo sobre tal comportamento.

A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo mantém, na internet, uma página de apoio para educadores que queiram utilizar o modelo WebQuest. Educadores interessados em conversar sobre o tema central da página podem utilizar o e-mail webquest@futuro.usp.br para comunicarem-se com os coordenadores do projeto na Escola do Futuro. De vez em quando, alunos de diversos graus de ensino mandam mensagens de socorro para esse e-mail destinado à troca de idéias sobre usos educacionais de recursos da internet. Tais alunos ignoram completamente as finalidades do referido endereço eletrônico. Recorrem ao e-mail citado solicitando respostas para os mais variados assuntos. Uma das mensagens que chegou ao correio eletrônico do projeto WebQuest dizia:

Prezado WebQuest,

Estou pesquisando a globalização. Preciso de dados e informações sobre Revolução Industrial, sobretudo Inglaterra e França. Séculos XVII, XIX e XX. Eletrônica. Computadores. Novas formas de organização da produção. Mande-me dados e indicação de sites.

Fulano de Tal.

Esse pedido de socorro é parecido com o recebido pelo Professor Aquiles Von Zuben. O solicitante, porém, não se preocupou com qualquer forma de cortesia. Foi direto ao pedido, provavelmente pensando que um serviço da Universidade de São Paulo deve atender de imediato qualquer demanda escolar. Certamente, o autor do pedido não se deu ao trabalho de verificar o conteúdo do site sobre WebQuests, nem observou a natureza do serviço que a Escola do Futuro coloca à disposição dos educadores no caso. Aproveitou a existência de um endereço de uma grande universidade brasileira para obter respostas para sua pesquisa sobre globalização. Entrou na internet para procurar informações. Perdeu-se num mar imenso de referências. Encontrou, provavelmente por acaso, a página WebQuest da Escola do Futuro e resolveu enviar para ela uma garrafa virtual de náufrago do oceano Web.

Na mensagem sobre globalização aparecem informações mais diversificadas que no caso da mensagem sobre sentido da vida.  Nela aparecem indícios de que o investigador relaciona o assunto com Revolução Industrial, história da Europa, novas tecnologias etc. Por outro lado, as possíveis associações não estão logicamente ordenadas. São mais palavras de uma possível listagem de aspectos que podem ter alguma relação com o fenômeno da globalização. O teor da mensagem indica provável anotação de instruções de um professor na definição de uma tarefa escolar. Num e noutro caso fica evidente a ausência de critérios para selecionar as informações necessárias.

A esta altura acho conveniente esclarecer que a questão de desorientação em levantamentos sobre determinado assunto não é uma criatura da internet. Dificuldades na busca de referências sobre assunto a ser estudado têm como fonte inabilidades investigativas e ausência de conhecimento. Investigar é uma atividade que exige o domínio de determinadas estratégias, capacidade de fazer indagações conseqüentes, e habilidade de ler, interpretar e julgar informações disponíveis. Todas essas capacidades precisam estar aliadas a alguma familiaridade com o assunto a ser investigado.  Sem conhecimento prévio do assunto, é improvável que o investigador faça indagações consistentes. Essa circunstância pode ocorrer em levantamentos numa biblioteca, num centro de documentação ou na internet. Independe, portanto, da natureza da fonte de recursos. É, muito  mais, um fenômeno vinculado a domínio do campo de conhecimento por parte do investigador. Em outras palavras, sem conhecimento, fartura de informação não resulta em facilidade investigativa. A questão da necessidade do conhecimento como condição prévia para o bom uso de informações disponíveis mereceu um alerta de Alan Kay (1994) em artigo para uma edição especial de Scientific American. Os dois primeiros parágrafos do texto de Kay colocam com bastante impacto a questão:

O físico Murray Gell-Mann observou que a educação no século vinte assemelha-se a ida ao maior restaurante do mundo para alimentar-se (literalmente) com o livreto do cardápio. Com essa metáfora, o autor pretendia mostrar que as representações de nossas idéias substituíram as próprias idéias; os estudantes são ensinados superficialmente sobre grandes descobertas em vez de serem ajudados a aprender profundamente por si mesmos.

 

No futuro próximo, todas as representações já inventadas pelos seres humanos serão imediatamente disponíveis em qualquer parte do mundo por meio de computadores pessoais “de bolso”. Mas seremos capazes de passar do cardápio para o alimento? Ou não seremos capazes de distinguí-los? Ou, pior ainda, perderemos a habilidade de ler o cardápio e ficaremos satisfeitos apenas em reconhecê-lo?

Alan Kay teme que as pessoas achem que simples informação é conhecimento, não uma representação que precisa de intérpretes capazes  para ganhar sentido. O autor aborda assim uma questão central em nossos dias: o engano freqüente de achar que a produção  gigantesca de informação, acompanhada por um consumo cada vez maior desta nova mercadoria, gera automaticamente uma “sociedade do conhecimento”. Esse engano explica os muitos naufrágios no oceano Web.

Scavenger Hunt e WebGincana

julho 29, 2013

Desenvolvi o modelo WebGincana com base num jogo bastante popular nos EUA, Scavenger Hunt. Tal jogo tem como foco a busca de respostas objetivas para questões curtas. Já existe há bastante tempo. Ele foi adaptado para o ambiente Web e é bem interessante para trabalhar conteúdos factuais em educação. Geralmente é bom ponto de partida para que os alunos tenham uma ideia panorâmica de um tema que começarão a estudar.

Acabo de encontrar um bom exemplo de Sacavenger Hunt. Interessados poderão  vê-lo clicando sobre o link indicado a seguir:

 

O Poder de Aprendizagem das WebQuests

março 5, 2013

As Webquests têm duas referências indispensáveis, Bernie Dodge, inventor do modelo, e Tom March, autor de exemplos clássicos da genial forma de organização de informações para usos inteligentes de recursos do webespaço. Um e outro não são acadêmicos tradicionaios. Pouco escrevem “sobre”. Preferem produzir indicações de como elaborar webquests criativas e bem feitas. Esse modo de trabalhar traz grandes embaraços para quem procura fazer investigações sobre o modelo criado por Dodge nos moldes de trabalhos acadêmicos. Além disso, orientadores de dissertações e membros de bancas em investigações que têm webquests como objeto sentem desconforto por acasião de qualificações e defesas, pois até hoje não há referências “teóricas sólidas”” (ou tradicionais, na minha opinião) para conversas sobre um dos modelos melhor sucedido de proposta de uso da internet para fins educacionais.

Há, porém, alguns artigos fundamentais sobre o modelo criado por Bernie Dodge. Um deles foi escrito por Tom March e deveria ser literatura obrigatória em qualquer estudo sobre WebQuest. Para interessados, segue link para o texto do Tom:

Avaliação de blogs: mais informações

agosto 31, 2012

Faz algum tempo que publiquei neste Boteco uma rubrica elaborada para avaliar blogs de meus alunos. Para vê-la, clique aqui.

Amigos me disseram que era muito difícil avaliar blogs em propostas que resultavam na publicação de diários eletrônicos pelos estudantes. Me parece que a dificuldade pode ser superada por meio da utilização de rubricas. Rubricas são um instrumento no qual o educador estabelece aspectos (critérios) a serem observados e, para cada aspecto, descreve diferentes níveis, geralmente quatro, que correspondem a possíveis desempenhos (em termos técnicos, essa providência se baseia na ideia de distribuição normal de um traço em quartis).

Não vou aqui entrar em detalhes sobre elaboração de rubricas para blogs. Prefiro indicar exemplos para quem estiver interessado, pois encontrei uma boa fonte que pode inspirar educadores que queiram avaliar mais criteriosamente blogs de seus estudantes. A fonte a que me refiro, pode ser encontrada no link indicado a seguir:

 

Sem Sistema

abril 20, 2012

Acabo de ser vítima da praga moderna do “estamos sem sistema”. Encomendei um livro via Livraria da Vila, loja do Shopping Center Higienópolis. No quinto dia útil depois do meu pedido, fui até a loja para saber se o livro tinha chegado no tempo prometido. Não tinha. Me deram novo prazo: dia 19 deste mês de abril. Cheguei hoje (20/04) de viagem. Minha mulher não havia recebido aviso da livraria, mas como eu almocei ao lado da loja, resolvi dar uma passada lá para ver se o livro já estava disponível.

Fui até o guichê de reservas. A moça me disse que o livro chegara, mas, como estavam sem sistema, ela havia mandado o produto para a loja. Sem condições de verificar o acontecido no sistema, anotou meu CPF num papelzinho e prometeu que me daria feedback assim que o sistema voltasse à vida. E, por achar que o livro estava em alguma prateleira da livraria, me sugeriu falar com um dos vendedores.

Fiz o que a moça sugeriu. Falei com um dos vendedores. Ele me pediu nome do autor, nome da obra e nome da editora. Forneci-lhe os dados pedidos. E lá foi ele em busca do livro. Demorou alguns minutos. Pensei que ele havia me esquecido. Quando minha irritação chegou à tampa, o moço voltou e me disse que estava difícil a procura porque sem o sistema ele não tinha condições de ver a “cara” do livro. Mostrou certa boa vontade para continuar a busca, mas dispensei a gentileza. Vi que não havia qualquer motivo para esperanças.

Além de minha irritação por causa de um atendimento de qualidade precária, fiquei preocupado com descontinuidades de serviços por causa da ausência de sistemas. O que rolou na livraria foram cenas de personagens perdidas porque o ator principal, o tal de sistema, estava ausente. Isso mostra que a história do cliente-rei, que sempre denuncio, é bobagem para inglês ver. O sistema é muito mais importante que o cliente*[i] .  A moça do guichê de reservas e os vendedores da loja não sabem o que fazer sem sistema. Não há plano B. Os profissionais são apenas periféricos do sistema. Sem este último não funcionam.

Parece que o sistema da Livraria da Vila voltou à vida. A moça do setor de reservas acaba de me telefonar, dizendo que o livro ainda não chegou, pois houve problemas operacionais na editora (acho que o sistema também morreu esses dias na Penso-Artmed!). Promessa: terei o livro certamente na próxima quarta feira. Sei não … E se o sistema cair de novo?

Antes de seguir em frente, quero deixar registrado meu agradecimento à moça que me ligou e cujo nome minha memória de velho não registrou. Possivelmente ela viu minha decepção e procurou entrar em contato assim que possível. Ponto para ela.

Não quero fazer deste post apenas um registro de descontentamento com os serviços da Livraria da Vila. A praga do “estamos sem sistema” é geral. Precisamos examiná-la com cuidado, pois em alguns casos, num atendimento de pronto socorro hospitalar, por exemplo, ela pode ter consequências fatais. Por isso vou continuar a conversa por mais algumas linhas.

Conto um caso antigo. Na metade dos anos 80, meu saudoso amigo Roberto Rocha, gerente da Área de Informática no SENAC de São Paulo, entrou numa loja de construção para comprar cinco preguinhos. O produto custava alguns centavos. O vendedor avisou que a venda seria impossível, pois o sistema estava fora do ar. Roberto insistiu. Ele precisava mesmo dos cinco preguinhos. Sugeriu ao vendedor que lhe doasse a preciosa mercadoria. Propôs-se a pagar cinco pilas pelos preguinhos. Disse ao moço para registrar a venda quando o sistema voltasse. Com isso teria bom lucro, embolsando o troco. Em vão. O vendedor permaneceu irredutível, sem sistema os preguinhos não saiam da loja.

Quando ouvimos a história dos preguinhos da boca do Roberto Rocha, eu e outros amigos dele fomos implacáveis, pois no Centro de Informática, gerenciado pelo Roberto, havia muitos cursos para formar profissionais de sistemas. Dissemos a ele que aquilo era castigo.

No meu caso recente e no caso antigo acontecido com o Roberto, fica evidente nossa  dependência dos sistemas. Estes se tornaram soberanos. Sem eles não sabemos viver. Não sabemos agir. Não sabemos vender. Não sabemos dar respostas satisfatórias para os fregueses.

Os casos que contei e muitos outros que poderiam ser lembrados mostram que precisamos fazer alguma coisa para que não nos tornemos escravos dos sistemas, essa suposta forma impessoal  de melhorar controles, tornar os serviços mais rápidos, buscar informações com mais precisão. Conversas sobre sistemas parecem ter como pressuposto que essa solução baseada em tecnologia digital independe de gente. O sistema parece um bezerro de ouro que veio de  outra galáxia para ser adorado por seres inferiores, nós. Mas, ele é uma criação humana. Pode ser mudado.  Precisamos pensar em sistemas que não sejam imperiais, em sistemas que, se falhos ou ausentes, não impeçam a simples venda de preguinhos, a informação correta para quem fez uma encomenda, o atendimento médico para um acidentado grave que não pode aguardar com paciência que o computador recupere sua saúde digital depois de um engasgo com um bug qualquer.

É bom a gente trazer a conversa sobre sistemas para a área da educação.  Professores e alunos já começam a depender do sistema. E, quando o sistema morre a educação para. Isso acontece com certa frequência com professores que planejaram atividades no laboratório de informática. Se o sistema da escola ou, em outros casos, o sistema externo (a internet, por exemplo) está fora do ar, tudo para, há certa confusão, falta plano B.

Faço uma última observação. Vamos dar nome de sistema ao Google. Ele está se convertendo num “sistema” que gera total dependência na busca de informação. Humanos estão se convertendo apenas em repetidores do Google. Isso pode se converter num pesadelo. Exagero só um pouquinho ao afirmar que a vida sem o Google está se tornando impraticável.


[i] Continuo a preferir a boa e velha palavra “freguês.

Professores e Computadores

março 11, 2012

Segue roteiro de minha conversa com professores das ETEC’s do Centro Paula Souza dia 07 último. Na apresentação, procurei ressaltar a importãncia dos professores como autores de propostas para uso de computadores em educação.


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