Arquivo da categoria ‘Orientações’

Netiqueta

Fevereiro 4, 2008

netiqueta.jpgDesde que a rede mundial de computadores se tornou um ambiente de comunicação, surgiram problemas relacionados com boas maneiras no ciberespaço. A gente escreve. Manda mensagens. Troca informações. Mas muitas vezes o intercâmbio com outras pessoas não é direto nem imediato. Isso pode dar margem a situações que incomodam os frequentadores do pedaço, pois é tão fácil colocar coisas no ar que às vezes nos esquecemos que estamos numa conversa

Um ambiente onde os malentendidos são frequentes é o das listas de discussão. Recentemente critiquei numa lista comportamento inadequado: a publicação de uma cópia de mensagem de origem duvidosa e que propagava opiniões políticas disfarçadas de testemunho de pessoa respeitável. Tratava-se de uma mensagem que supostamente reproduzia observações de uma pesquisadora da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto sobre o que anda acontecendo em Roraima. Bons leitores percebem de cara que se trata de uma falsificação tosca. Mas há quem considere o texto um alerta sobre os perigos de ocupação da Amazônia pelos americanos. E quem assim pensa usa listas de discussão e grupos em e-mails para divulgar a suposta denúncia feita por uma acadêmica de uma das melhores escolas de medicina do país. Se quiser conferir a mensagem a que me refiro, dê uma olhada nesta matéria do site quatrocantos.

Enviar mensagens de origem duvidosa é um comportamento que traz desconfortos para os cibernautas. E há muitas outras coisas desconfortáveis. Uma delas, em listas de discussão ou em blogs, é a de colocar no ar cópias de matérias que o copiante acha interessantes. Cabe fazer isso uma ou outra vez quando o assunto é muito relevante, desde que o reprodutor da matéria dê as devidas explicações ou peça desculpas. Mas fazer isso constantemente enche a paciência até do Jó. Em muitos casos fica me parecendo que o copiante não leu, ou não leu com atenção, ou não leu com entendimento aquilo que está colocando no ar. Serve-se apenas da facilidade mecânica de copiar em ambientes digitais. Os resultados são desagradáveis para os leitores. Blogs , listas e outros ambientes são espaços de autoria, não de reprodução sistemática de textos alheios. Acho que, no mínimo, os copiantes são preguiçosos ou não têm redação própria.

O objeto deste post faz parte de uma discussão necessária sobre como usar a internet para mandar mensagens, participar de discussões, convidar pessoas para conversas. Isso tudo acabou sendo classificado com netiqueta, um código de normas de comunicação para a internet. Todo blogueiro, vez ou outra, deveria pensar um pouco sobre o assunto. Para começar, sugiro uma chegada até entrada netiqueta na Wikipedia.

Meme da página 161

Dezembro 4, 2007

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Minha amiga Miriam me pediu para revelar o livro que utilizei no meme da página 161. Lá vai: a obra da qual saiu aquele texto de mistério sobre um acadêmico, noviços, escada, luz e uma biblioteca é Um Cântico para Leibowitz, clássico da ficção científica escrito por Walter M. Miller Jr.

Logo acima da tela do computador que utilizei para elaborar o post do meme 161, há uma estante com livros “passantes”, obras que andei manuseando por motivos diversos. Nela tudo se mistura. O Cântico não era o primeiro da fila. Na verdade era o décimo. Mas foi o primeiro livro que vi assim que levantei meus olhos para saber quais eram as obras mais próximas. Para matar a curiosidade dos amigos, listo aqui, na ordem em que aparecem da direita para a esquerda, as primeiras obras que estavam na minha estante de passantes: Confissões, de Santo Agostinho; Forces of Production, de David F. Noble; Gaia, organizado por Willian Irwin Thompson; The Gutenberg Elegies: The fate of reading in an eletronic age, de Sven Birkerts; O Modelo da Competência, de Philippe Zarifian; The Discoverers, de Daniel Boorstin; e A Distant Mirror: The calamitous 14th century, de Barbara Tuchman. Havia outros no caminho do Cântico, mas eram obras com menos de 161 páginas.

Como vêem, os livros ao meu alcance formavam um conjunto extremamente eclético. Explicação: estavam fora de lugar. Os passantes são obras que separo por motivo imediato: citação incidental, vontade de rever um trecho, intenção de recomeçar algum estudo que nunca chega aos finalmentes, pedido de amigos ou alunos etc. O Cântico, por exemplo, estava entre os passantes porque o separei para mostrá-lo para uma aluna que me houvera pedido indicação de obra de ficção que abordasse alguma dimensão do conhecimento humano. E o clássico de Miller Jr. é ótimo para quem quiser refletir sobre as idas e vindas do saber elaborado historicamente por nossa espécie. Recomendo.

Modalidades de conversa nos botecos da vida

Dezembro 3, 2007

Tenho a impressão de que muitas pessoas acham que a conversa é um intercâmbio de opiniões, bem organizado, no qual os interlocutores se alternam em falas claramente definidas. No caso de blogs. essa visão resulta num entendimento de que a conversação é constituída por mensagens (posts) e seus respectivos comentários. Vez ou outra, procuro mostrar que essa visão do conversar é limitada. A conversa, em blogs e fora deles, rola de muitas maneiras.

Um caso recente aqui no Boteco, o meme da página 161, mostra mais uma possibilidade conversacional na blogosfera. Todo o jogo para pegar o livro mais próximo, encontrar e publicar a 5ª frase completa, passar a mensagem para mais cinco blogueiros gera uma prosa muito interessante que não fica apenas na relação mensagem/comentários. E isso me lembra alguns jogos muito comuns nas noitadas boêmias dos botecos de Ribeirão Preto em meus tempos de estudante.

O grande animador de jogos em botecos na Ribeirão dos anos setenta era Isaías Pessotti, cientista famoso, ótimo professor, boêmio de carteirinha. Se alguém quiser experimentar, resumo aqui a dinâmica de um dos jogos do Isaías:

  1. Numa roda de botequeiros, proponha uma desafio vocabular para que os participantes encontrem palavras que começam pelas três letras escolhidas pelo primeiro jogador (por exemplo: “as três primeiras letras são SER”).
  2. No sentido horário, cada participante deverá dizer uma palavra quer comece com as três primeiras letras escolhidas (no caso de SER, teríamos coisa como: sermão, serrote, servidão, sertão, seresta, serótino, etc.
  3. Cabe observar que a dinâmica deverá obedecer algumas regras simples. Essas regras são: valem apenas substantivos (exceto nomes próprios) e adjetivos; vale apenas uma palavra com a mesma raiz (assim, por exemplo, se alguém já disse serra, não valerá a palavra serrote), cada participante terá alguns segundos para dizer sua palavra (o grupo determinará um tempo razoável que mantenha a boa dinâmica do jogo), a roda do jogo para determinado conjunto de três letras continuará até que um participante não consiga dizer mais uma palavra, cada participante perde um ponto sempre que for incapaz de encontrar uma palavra quando chega a sua vez, o participante que não encontrou sua palavra tem direito de iniciar outra rodada propondo novo conjunto de três palavras iniciais (FAR, por exemplo), o jogo termina assim que o grupo julgar que é hora de é hora de parar, o perdedor do dia será o participante que acumulou mais pontos negativos; se combinado com antecedência, o perdedor paga uma rodada final de cerveja ou chope para todo o grupo.

A brincadeira que acabei de descrever é um grande exercício de vocabulário, além de exigir invenção de certas estratégias de uso da memória. Bons leitores dificilmente pagarão a rodada final de chope ou cerveja… Nos anos oitenta reproduzi o jogo de mestre Isaías para frequentadores do Bar do Zé. Foi um sucesso.

Jogos de botecos ou jogos de blogs são uma modalidade de conversação que, além do que fica dito ou escrito, coloca na roda modos de ser e pensar não revelados em diálogos convencionais.

Se você quiser conhecer mais o Isaías, sugiro leitura de alguns romances que ele escreveu depois de uma longa carreira acadêmica. É uma delícia ler Aqueles Malditos Cães de Arquelau, Manuscrito de Mediavilla, e Lua da Verdade.

Assim não tem conversa

Dezembro 2, 2007

Repito, a cada passo, que blog é um espaço de conversação. E sempre que posso, ofereço exemplos de textos blogueiros que nos convidam a conversar. Em blogs, assim como em muitos outros contextos de comunicação, a escrita precisa ser amigável. Acho que tal orientação vale também para os escritos chamados de “científicos”. Escrever mal com a desculpa de que o essencial é o conteúdo, ou que a precisão exige uma linguagem mais contida e unívoca, é conversa fiada.

Nos meus tempos de estudante de tecnologia educacional, um de meus mestres, Brock Allen, insistia muito na necessidade de fornecer, além de exemplos, contra-exemplos. Acabo de ler um resumo de tese que é perfeito contra-exemplo de texto que afasta o desejo de qualquer conversa. Reproduzo aqui parte do escrito para que vocês vejam o que não se deve fazer na produção de textos.

Objetivando aduzir elementos para a reflexão em tomo da Pedagogia Histórico-Crítica na direção da dinamização do movimento teoria-prática-teoria e, mais propriamente, no que tange à verificação das possibilidades de estabelecimento da unidade da teoria e da prática num processo de alfabetização, foi realizada uma experiência docente durante um ano letivo em uma turma do 1º ano do I ciclo junto a uma escola da Rede Municipal de Ensino do município de (…). Tomando enquanto problemática o como estabelecer a referida unidade na perspectiva da teoria pedagógica em questão e, como hipótese, que esta unidade pode ser efetuada a partir de uma prática pedagógica mediada por uma didática escolar critica, a primeira parte deste trabalho aborda a Pedagogia Histórico-Crítica a partir da história de sua formulação no bojo dos acontecimentos sociais e políticos brasileiros, chegando à sua explicitação através do destaque dos elementos teóricos centrais que a corporificam e do levantamento de seus pressupostos teórico-metodológicos.

Conversas na blogosfera

Novembro 17, 2007

Quem vê um blog pela primeira vez percebe que há mensagens (posts) que funcionam como convites para a conversa, e comentários (comments) que facilitam a interação entre autor e prováveis leitores. Concluir que essas duas ferramentas estruturam o ambiente conversacional dos blogs é mais ou menos natural. Mas as aparências enganam, posts e comments são apenas a face visível da conversação na blogosfera. Tempos atrás, ao abordar a matéria, Miriam, correspondente deste Boteco, revelou que alguns dos leitores de seu blog preferem conversar via e-mail. Quando isso acontece, quem vê o espaço da Miriam não tem acesso a certos diálogos que estão ocorrendo. E há mais. Há uma dimenssão da conversa que, por falta de outro termo, chamarei aqui de referência.

Vou exemplificar referência com o que aconteceu com  7. Blogs e educação: uma entrevista. Além de alguns comentários que podem ser vistos aqui no Boteco, esse post, que publiquei ali em Páginas, foi referenciado por gente que tem espaços importante no mundo dos blogs. A primeira referência apareceu no espaço mantido por minha amiga Miriam Salles. Posteriormente muitas referências apareceram em blogs da Espanha, num movimento talvez iniciado por Carlos Santos, blogueiro de Galícia, em seu imperdível Sekeirox, Não vou comentar todas as referências que consegui identificar na blogosfera espanhola. Vou apenas listá-las aqui para mostrar a extensão da “conversa” que acaba acontecendo via referência. Aqui estão as menções a 7. Blogs e educação: uma entrevista que consegui identificar na blogosfera ibérica:

  1. El vistazo
  2. Sekeirox
  3. Planeta Educativo
  4. Aulablog21

A referências repercutem na blogosfera. Leitores que jamais entrariam no Boteco aparecem por aqui por causa das referências registradas nos espaços que frequentam. Os autores que me referenciam estão dialogando comigo, embora frequentadores deste espaço não possam ver o papo que está rolando.

Espero ter mostrado que a conversa na blogosfera acontece de muitas maneiras e não fica reduzida á relação post/comentários. Há na verdade uma teia de relações que não se esgota nas ferramentas visíveis para quem visita um blog. Essa teia de relações abre possibilidades muito interessantes de conversação no ciberespaço. Essa é uma lição que a gente só aprende blogando.

Dicas sobre blogs em educação

Junho 18, 2007

Acabo de postar um texto muito útil de Anne Davis, importante edublogueira da primeira leva de educadores que criaram coisas muito originais com os diários eletrônicos. Trata-se de uma tradução que cometi em 2005. O material está aí do lado na Página de número 5. Comentários serão bem vindos aqui ou lá.

Ambiente da família

Maio 16, 2007

Não, não é o que você está pensando. Não vou falar de temas tradicionais de uma instituição social que anda em crise. Vou falar de algo que compromete minhas alunas do 4apgn +Fabiano. Alô, pessoal! Vocês não podem deixar de ler o que segue. E mais, espero que vocês compareçam com comentários. E é claro que espero que os demais leitores sigam em frente e entrem na dança.
Em botecos sofisticados (restaurantes 3 estrelas, ou restaurantes de bons hotéis) há uma área que se chama “família”. E que local é esse? É o local onde os funcionários da casa fazem as suas refeições. Paro com meus comentários técnicos sobre coisas de hotelaria e restauração. Parto para os finalmentes. Com este post quero abrir um espaço para comentários do Fabiano e de minhas alunas (uma conversa no ambiente família). O que espero? Espero comentários individuais de todos sobre a experiência inicial com blogs, pois já é hora de um primeiro balanço sobre o que começamos. Mais não preciso dizer. O resto fica por conta de vocês. Para os demais leitores fica a expectativa de ver os textos avaliativos da turma e, quando for o caso, comentar os comentários. Espero que este meu pedido resulte em dados precisosos para a gente ir construindo nosso saber sobre possibilidades de usos de blogs em educação.

Um adendo. Solicito de vocês um contato com a Professora Mônica (lembram-se dela?), convidando-a para uma passadinha no Boteco escola, devidamente registrada com um comentário…

Censura atinge enciclopédia eletrônica

Abril 24, 2007

Eu queria dar um tempo para que os visitantes do Boteco Escola pudessem entrar no estabelecimento pela “Festa de Inauguração”. Além disso estava aguardando as  publicações dos blogs de meus alunos para construir mensagens sobre os ensaios preliminares de marinheiros de primeira viagem. Mas as coisas da vida andam atropelando meus planos. E, infelizmente, uma dessas coisas foi a descoberta de mais um dos muitos efeitos da censura aos blogs. O acidente aconteceu quando procurei testar um link para o verbete Blog na Wikipedia. Meu teste aconteceu na rede de uma instituição que bloqueia blogs. E mais que isso, ela bloqueia qualquer endereço (URL) que inclua o termo ‘blog’. Consequência: os censores, analistas e progamadores preguiçosos, simplesmente bloquearam qualquer acesso que fale mal ou bem de blogs. Ou para dizer de outra forma: censuraram por tabela qualquer publicação (enciclopédia, dicionário, artigo acadêmico, notícia de jornal etc.) cuja indicação de link utilize a ‘diabólica’ palavra BLOG. Alguém mais bondoso que eu diria que tal situação acontece porque a censura é burra. Penso diferente. Acho que tal coisa acontece porque os censores se dão o direito de governar arbitrariamente as possibilidades de acesso dos usuários. As semelhanças entre isso e a censura nos tempos da ditadura não são fortuitas.

Minha indignação pede um texto duro e longo contra a censura. Mas não vou amolar os leitores com discursos extensos a favor da liberdade de informação. Contento-me em sugerir que a censura a blogs e outras publicações Web passa mensagens importantes no campo da educação. Crianças, estudantes e trabalhadores que sofrem os efeitos da censura em seus ambientes de uso da internet aprendem a lição de que mentes mais esclarecidas decidem por eles o que é bom e o que é mau no ciberespaço. Aos mortais comuns fica vedado o direito de ‘pecar’. E a internet é usada apenas para as atividades que os esclarecidos censores acharem adequadas para o povão. Assim, em vez de autonomia, aprende-se dependência, em vez de liberdade, aprende-se aceitação de controles dos poderosos, em vez de decisão pessoal, aprende-se expectativa de que alguém mais sábio fará a melhor escolha. É essa a educação que queremos para nossos filhos e netos?

Blog, Café, Boteco

Março 10, 2007

Há autores que definem os blogs como espaços públicos de conversação. E tais autores geralmente utilizam uma matriz teórica baseada no filósofo Jurgen Habermas. É bom explicar isso melhor.

Os blogs podem permitir novas formas de exercício democrático, pois são um espaço no qual as pessoas quase sempre conversam com liberdade em busca de consenso. Elmine Wijnia é uma dos autores que aborda os diários eletrônicos com tal visão. Em sua tese, Understanding Weblogs: a communicative perspective, Wijnia diz:

Blogs podem ser um modo de estabelecer consenso, de acordo com Ito (2004). Um filósofo muito importante de nossa era, Jurgen Habermas, descreve explicitamente como as pessoas podem construir tal consenso. Muitos pesquisadores conectaram a teoria de Habermas com aquilo que chamam de blogosfera, a rede de blogueiros (Thompson, 2003; Mortesen & Walker, 2002). Esses pesquisadores se perguntam se a blogosfera pode guardar alguma correspondência com aquilo que Habermas chama de esfera pública. A esfera pública, de acordo com o filósofo, é um domínio de vida social no qual a opinião pública pode ser formada.. Esse domínio é acessível para todas as pessoas. Parte da esfera pública é constituída por conversações que acontecem sempre que as pessoas se encontram e formam um público. (Thompson, 2003). Habermas compara essas conversações como os salões e cafés do século XIX. [...] e distingue três aspectos com base nos salões e cafés que constituíam uma esfera pública: “não igualdade, mas total desconsideração por status; problematização de áreas que até então não eram questionadas; e visão do público como inlusivo, não excusivo”. (Mortesen & Walker, 2002)

Do mesmo modo que os cafés, os blogs se situam entre o público e o privado. São escritos por pessoas que expressam atitudes e opiniões. São, portanto, subjetivos. Ao mesmo tempo, são parte do domínio público, pois aparecem na internet abordando assuntos para uma parcela da população [um público]. Para sermos capazes de criar uma esfera pública por meio de blogs, é importante, de acordo com Habermas, que as pessoas queiram ouvir opiniões divergentes, especialmente quando tentamos alcançar concordância.

É interessante notar que, sabendo ou não da teoria de Habermas, muitos blogueiros deram a seu espaços o nome de cafés. No Brasil, por exemplo, há um blog bastante famoso que se chama Café Alexandrino. E um dos blogs dedicados a nossa área é o Café Educacional. Ao escolher tal nome, os autores tiveram certamente a intenção de mostrar que o espaço que criaram é um local para grandes papos, sem censura, acompanhados por coisas que tornam a convivência agradável. Além disso, querem mostrar que “o café é do povo”. Ou seja, é um local onde todos os participantes podem expressar livremente suas opiniões. Esse modo de ver os blogs é, sem dúvida, algo parecido com o sonho de Habermas.

Os blogs, portanto, não são simples páginas para registro de textos. São, muito mais, um local para grandes papos, sem barreiras de hierarquia social, sem compromissos com o relógio, com total liberdade de dizer “a sua palavra”, com aquele prazer de estar conversando com os amigos. Como observa Habermas. tais papos aconteciam nos famosos cafés parisienses do século XIX. Aqui para os nossos lados, aconteciam e talvez ainda aconteçam nos cafés uruguaios e argentinos. Conheci uma dessas casas de encontro de amigos para grandes papos, o Café Sorocabano de Montevidéu. Mas não há tal tradição no Brasil. Por isso, acho que devemos fazer uma adaptação. O grande espaço público brasileiro para conversas com muita liberdade e prazer chama-se boteco, uma invenção nacional com algumas tintas das tascas portuguesas. Por isso mudei o nome deste nosso blog. No começo, este espaço se chamava Experimentos Blogueiros (um nome acadêmico e meio pedante). Hoje, 10/03/2007, caiu a ficha. Aprendi que a palavra boteco expressa muito melhor o que se pretende aqui. Por isso, a partir desta data, nosso espaço de conversa passa a ser chamado de Boteco Escola. Espero que tal nome inspire as conversas e oriente rumos dos blogs que serão criados por meus alunos do 4°apgn na USJT.

Volto a citar o ótimo trabalho Understanding weblogs; a communicative perspective:

O weblog ou blog é uma página na qual o autor publica coisas com a intenção de começar uma conversa.

Para terminar este palpite orientativo sobre sentido geral dos blogs, falta apontar para duas teses que desenvolvem com profundidade as relações entre as idéias de Habermas e a possibilidade abrir espaços públicos de conversação na internet. Vamos lá. Uma jornalista portuguesa elaborou bela pesquisa sobre o tema. Quem quiser dar uma olhada deve ir até Blogs e a fragmentação do espaço público. A outra tese, trabalho de uma pesquisadora holandesa já citado aqui, é Understanding Weblogs: a communicative perspective.