Ecologia e ética

Há nos meus guardados muita coisa que escrevi e ficou engavetada. Não sei qual era o destino original dos textos guardados. Ás vezes são notas para aulas que não dei. Ás vezes são inícios de artigos que não publiquei. Ás vezes são rascunhos para posts que não amadureceram.

Acabo de encontrar notas sobre ética e ecologia. Tem cara de ser versão de um artigo curto, provavelmente para publicação digital. Acho que é um texto que pode contribuir para conversas atuais em torno do código florestal. Por isso, trago o dito texto para este Boteco.

Crise ecológica. Ameaça à vida humana no planeta. Descuido com ecologia provoca doenças, desertifica o solo, muda o clima, requer uso sempre maior de defensivos agrícolas, mata rios, diminui número de peixes no mar, provoca desaparecimento acelerado de muitas espécies, etc. Descuido com nosso planeta e a com vida que há nele não é apenas um problema biológico. É um problema econômico. É um problema moral. Do ponto de vista econômico, exaure rapidamente riquezas cujo desaparecimento castigará as gerações futuras. Parte da fome na África está relacionada com isso. Do ponto de vista moral, desrespeito pelo planeta e pela vida é uma imoralidade de quem não sabe ver o outro.

Conto um caso para ilustrar a insensibilidade ecológica como uma questão moral. Há uns quarenta anos, propaganda governamental sobre uma estrada, mostrava, nos grandes jornais brasileiros, uma colina rasgada por bulldozers. Sob a foto lia-se: “a colina que estorvava o progresso”. A intervenção humana, removendo milhões de toneladas de terra em nome do progresso, apenas facilitou por algum tempo o tráfego de automóveis. Hoje, aquele trecho de estrada vive congestionado. Sempre me incomodou a frase sob a foto. Ela sintetiza a crença de que os seres humanos tudo podem. Ele sugere que sempre que tenhamos recursos técnicos disponíveis, podemos fazer o que quisermos.  Esse modo de pensar é a-ético. Desconsidera os efeitos das ações humanas e promove a idéia de que o uso da técnico-ciência não deve ter qualquer limite moral.

Acho que a crise ecológica é uma crise de moralidade.  Nossa falta de cuidado com toda a vida que nos cerca e com as condições essenciais para essa mesma vida é resultado de uma visão limitada de compromissos éticos. Ela é sinal de barbárie. Quando ofendemos a mãe terra, mostramos pouca aprendizagem com história. Mostramos, como já disse, insensibilidade. Parece que nossos avanços em termos de poder não foram acompanhados por avanços em termos compromissos morais.

Paro por aqui. Acho que não preciso escrever um ensaio para expressar minha opinião. Espero que possíveis leitores desta nota sobre o problema mais avancem a análise.

Causas e Consequências. Há muitas causas para a crise ecológica. Uma delas é a ignorância. Muitas vezes não entendemos os processos vitais sobre os quais agimos. E, às vezes, a descoberta dos males decorrentes de nossas intervenções chega quando já é tarde demais. Cito um exemplo nesse rumo. Na cidade de São Paulo, ocupamos de modo desorganizado as várzeas dos rios. Essa ocupação é a principal responsável por gigantescas enchentes que atingem milhões de pessoas quase todos os anos. E agora é tarde para recuperar para os rios o espaço das várzeas. Nem sempre é possível antecipar o que poderá acontecer com decisões que tomamos sobre espaço, manejo de vegetação, urbanização e muitas outras intervenções no território em que vivemos. Ignorantes, podemos causar males irreparáveis. Cabe aqui o famoso alerta de aprender com os próprios erros.

Talvez a maior causa de danos ecológicos à vida e ao planeta seja o interesse econômico imediato. Temos, por exemplo, um litoral cujos berços de vida marinha forma eliminados por imobiliárias. A ocupação do solo, no caso, foi feita de maneira desorganizada. Outros interesses econômicos podem ser mais graves. Esse é o caso de explorações de mineradoras. Há, em diversas partes do mundo, mudanças profundas que aconteceram por causa da exploração de minérios. As mineradoras, para ganharem mais em menos tempo, nada respeitam: florestas, rios, espécies raras, montanhas, lençol freático etc. Outra causa econômica provocadora de crise ecológica é a industrialização. Dejetos tóxicos, sólidos, líquidos e gasosos de muitas indústrias são fontes de poluição.

A ganância, a vontade de fazer dinheiro fácil, os interesses imediatistas do capital são talvez os fatores que mais contribuem para a poluição em larga escala. No mesmo sentido, parece que há uma aliança entre os interesses das grandes corporações e os interesses individualistas dos cidadãos. Esse é o caso, por exemplo, do uso indiscriminado de automóveis, uma das fontes poluidoras mais importantes das grandes cidades.

Consequências? São muitas. Doenças. Câncer por causa de contato com materiais tóxicos produzidos por indústrias ou por aplicações de substâncias venenosas pelo agro-negócio. Nascimento de crianças sem cérebro em regiões com ar envenenado (isso aconteceu muitos anos na cidade de Cubatão, no Brasil, por exemplo). Redução de fontes de água potável. No Brasil, até as profundidades do Aquífero Guarani, um dos maiores do mundo,  já foram, em parte, envenenadas por materiais tóxicos.

Explorações agrícolas descontroladas e incêndios de florestas milenares mudam áreas imensas do planeta. Causam desertificação. Matam rios importantes. E por aí vai. Paro por aqui para não pintar um quadro muito assustador. Mas, não há dúvida de que a poluição é uma ameaça á vida. E o pior é que no dia-a-dia não temos consciência disso.

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