Archive for 16 outubro, 2010

Qualidade no uso de TIC

outubro 16, 2010

Bateu uma grande saudade do amigo-irmão Steen Larsen. O sentimento é maior porque nos últimos tempos não tenho conseguido contato com ele.

Na busca de informações sobre o Steen na Web, acabei topando com um velho artigo dele que serve como uma luva para conversas sobre uso de tecnologias na educação de agora. Cito aqui o trecho inicial do esrito de meu amigo das lonjuras nórdicas:

A importância de altos padrões no uso de tecnologias para crianças com déficits de aprendizagem é auto-evidente. Porém, não se percebe normalmente que o fator crucial na utilização de recursos tecnológicos reside nas considerações por trás do uso, não na tecnologia em si mesma.  Assim, uma ferramenta específica para crianças com déficits de aprendizagem nunca pode ser de qualidade superior aos princípios pedagógicos nos quais se baseia. Como afirmou Pogrow (1990): “A sofisticação da aprendizagem produzida pela tecnologia depende da sofisticação das conversações que envolvem seu uso, não da sofisticação da tecnologia.”

Creio que não preciso explicar a sugestão de Steen. Ele deixa muito claro que, mais que ferramentas modernosas, precisamos de bases científicas sólidas e atualizadas para desenvolver uma educação com a qualidade requerida em tempos tão avançados como o nosso.

Numa conversa que teve com educadores aqui no Brasil, Steen Larsen procurou mostrar que não devemos ficar deslumbrados com as tecnologias. Devemos endendê-las e usá-las com naturalidade, guardando nossa admiração para descobertas sobre quem somos, como aprendemos , como lidamos com o saber.

Recreio com música

outubro 16, 2010

Já é tarde. Estou um pouco cansado. Doi o joelho que ralei, há pouco, em tombo nas cercanias do prédio do FHC. Será que ele me rogou alguma praga,dada minha ojeriza do PSDB?

Achei que merecia um recreio. E no recreio resolvi ouvir música delicada e bonita de alguém que já se foi, mas canta cada vez melhor: John Denver.

Paper Chase, the film

outubro 16, 2010

For those who understand English, here is a famous scene of  The Paper Chase, showing how Kingsfield have dealt with a difficult teaching situation.

Fill the classroom with your intelligence

outubro 16, 2010

Nos últimos dias andei buscando vídeos sobre programas que meus filhos viam nos Estados Unidos na época que moramos em San Diego, CA. Na onda de recordações, acabei me perguntando se haveria algo na Internet sobre uma das séries de TV que me encantavam na época: The Paper Chase. Fui à caça de informação e encontrei muita coisa.

The Paper Chase foi uma série de TV, baseada em livro homônimo, que contava aventuras de uma das classes de Direito da Universidade de Harvard. A série migrou da CBS para a PBS (onde vi, provavelmente os primeiros episódios dela) e posteriormente para a TV a cabo ShowTime, onde devo ter visto outras partes da famosa série.

Em The Paper Chase, a figura central é a do Professor Charles Kingsfield que desafia os alunos com problemas que os coloca numa situação de stress positivo. As questões postas por Kingsfield estão sempre no limite superior da capacidade de seus alunos. No início parecem insolúveis, difíceis. Mas o mestre sabe apresentar problemas de maneiras muito atrativas. Ele não faz concessões, sempre cobra muito dedicação e compromisso de seus estudantes. Não dá “matéria”. Não facilita. Não faz acordos de mediocridade. É um professor fantástico. Severo, mas justo. Exigente, mas sempre capaz de reconhecer méritos de trabalhos bem feitos. Ás vezes é irônico, mas sem ofender pessoalmente seus estudantes.

Quem fazia o Professor Kingsfield era John Houseman, um grande ator. Creio que boa parte do sucesso de The Paper Chase se deveu ao modo como Houseman construiu Charles Kingsfield na série. Vale a pena ver a citada produção só para conferir como um grande ator dá vida a um personagem.

Vi diversas vezes a cena inicial do primeiro filme da série. Ela mostra as características mais marcantes do estilo de ensino de Kingsfield.

Um aluno tímido, Hart, convidado a falar sobre o primeiro caso que os estudantes deveriam resolver não sabe o que fazer. Kingsfield é duro com ele. Pergunta se o pobre estudante esperava no primeiro dia uma aula expositiva. Hart diz que sim. O grande mestre comenta “nada presuma sobre minhas aulas”. Alunos mais antigos, levantam continuamente as mãos candidatando-se a responder as questões postas para Hart. Isso reflete o alto espírito competitivo existente na Universidade de Harvard (e parece que Kingsfield não se preocupa em eliminar tal atitude).

Kingsfield desenvolve uma metodologia peculiar de PBL (Problem Based Learning). Talvez um pouco personalista, mas extremamente efetiva. Do que me lembro na série, depois de buscas e um intenso trabalho coopertaivo, os alunos resolvem sempre os complicados problemas propostos pelo mestre. Vale a pena rever The Paper Chase para alimentar conversas sobre atividades de ensino. Kingsfield aparentemente é anárquico. Mas, com o tempo, os alunos reconhecem sua profunda mestria em criar interesse, em proporcionar oportunidades de descobertas prazerosas, em fazer com que os alunos entendam que eles são os autores de seu próprio saber.

Minhas lembranças da série que retrata aventuras intelectuais em Harvard despertaram interesse em revê-la. E descobri que isso é possível. Todos os filmes foram reeditados recentemente em DVD. Encomendei o DVD com filmes da primeira leva. Se alguém se interessar, cá está o link para o produto na Amazon.

Por coincidência minhas andanças para rememorar The Paper Chase aconteceram neste período em que comemoramos o dia do professor. Assim, este post é mais um ato de homenagem aos mestres.

Falta dizer uma coisa. O título deste post sugere que é preciso encher a sala de aula com inteligência. A expressão está numa recomendação irônica que Kingsfield faz a Hart. Mas, descontada a ironia, é isso mesmo que bons professores desejam: que seus alunos encham a sala de aula com manifestações de suas inteligências.

Para terminar, em benefício de quem nunca ouviu falar em The Paper Chase ou no fantástico mestre Charles Kingsfield, finalizo este post com o vídeo da cena inicial do primeiro filme da série.


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