Archive for junho \18\UTC 2010

Escola de sala única

junho 18, 2010

Nos EUA existe a mística da Little Red Schoolhouse, aquela escolinha de sala única, quase sempre presente em histórias de cinema que mostravam pequenas cidades do século XIX. Por aqui existiram também escolinhas de sala única, sobretudo no meio rural. Meu pai estudou numa escola destas por volta de 1930.

Estou lendo mais uma obra que pode iluminar reflexões sobre arquitetura e educação. Trata-se de um livrinho que historia a saga da escola única em terras do Tio Sam: Small Wonder: The Little Red Schoolhouse in History and Memory, de Jonathan Zimmerman.

No início do livrinho, Zimmerman registra uma história interessante para mostrar como a figura da Red Schoolhouse é um ícone de todas as tendências reformistas da educação nos States.

Conservadores projetam nela seus sonhos de volta a ênfase nos conteúdos e na severidade moral. Reformistas liberais vêem nela um símbolo para uma pedagogia renovada. Neste último caso, por exemplo, a figura de uma escolinha de sala única foi utilizada no lançamento do projeto No Child Left Behind. No primeiro caso, a escolinha foi utilizada na campanha de um conservador por cargo no Conselho de Educação de Rockingham County [cargos de coordenação da educação americana são objeto de eleição, daí a existência de campanhas]. Para mostrar que o governo federal ocupava cada vez mais espaço de decisão que deveria ser da comunidade local (um tema sempre muito caro para os conservadores de nosso grande  Irmão do Norte), Christofer Knight, o candidato da história contada por Zimmerman, fez uma analogia com Guerra nas Estrelas. Numa cena, que vale a pena ver, forças do Império destroem com raios cósmicos uma Little Red Schoolhouse.

A peça de campanha de Christofer Knight, denunciando consequência assemelhadas às maldades de Darth Vader, acabou indo para o Youtube e tornou-se um video hit. A produção é amadora, mas ver as forças do mal destruindo a mítica escolinha de sala única é impagável.

Julgamento de Galileo

junho 16, 2010

O que é verdade? Como comprová-la? Duas perguntas que merecem consideração quando falamos de pesquisa, descoberta, curiosidade, vontade de saber, admiração. Em resumo: duas perguntas básicas quando falamos de ciência.

As idéias de ciência e pesquisa podem ser ilustradas pela vida e obra de um grande cientista: Galileo. O julgamento desse sábio italiano pela Inquisição é um momento histórico do embate entre dogmatismo cego e ciência. É um momento que precisa ser conhecido e estudado por todo cidadão que gosta da verdade.

Faço aqui uma sugestão. O cantor e compositor italiano Aleandro Balgi, em Gira Gira Gira, fez uma linda homenagem a Galileo. Música e letra dessa obra de Baldi podem ser utilizadas em educação para uma primeira conversa sobre Galileo, ciência e verdade. Para quem quiser tentar isso ou, pelo menos, conhecer a canção de Aleandro Baldi, indico VT que está no Youtube.

Arquitetura e educação: mais referências

junho 15, 2010

Hoje, no Twitter, indicação de @pgsimoes aponta para a escola do futuro mantida pela Microsoft. Simões destaca parte do Website da School of the Future na qual há possibilidade de baixar documentos sobre planejamento do projeto. Muitos do itens de planejamento tem vinculação direta com arquitetura e educação. Interessados poderão acessar o material indicado pelo educador de minha tribo tuiteira clicando na figura que segue.

Mercantilismo e educação

junho 15, 2010

O significado mais comum de mercantilismo em educação está relacionado com a finalidade lucrativa das instituições de ensino privado. Critica-se muitas vezes tais intituições porque supostamente elas colocam o lucro na frente de objetivos educacionais. Essa noção está disseminada principalmente em países onde as instituições privadas ocupam muito espaço (no Brasil, por exemplo).

Em países onde predomina a oferta de educação pública em todos os níveis o mercantilismo em educação é, quase sempre, interpretado de uma outra forma. Critica-se, no caso, a idéia de que educação é uma mercadoria sujeita a leis do mercado. Nesse caso, as escolas continuam públicas, mas a educação é vista como um bem de consumo cuja importância é medida por réguas da economia.[ A obra para se ler sobre o assunto é School Commercialism, de Alex Molnar].

As idéias mercantilistas andam rondando a educação nos últimos tempos. Aplicações de modelos neoliberais (mercadistas) vem mudando práticas e discursos das burocracias que gerem a educação em todos os níveis. Nos EUA, autores como Diane Ravitch e Mike Rose, em obras recentes, examinam a questão de modo muito competente e sugerem volta aos grandes objetivos da educação.

Fiz uma longa introdução para citar trecho de El Maestro de Barbiana, biografia de Don Lorenzo Milani escrita por Miguel Marti. O educador italiano, bem antes das críticas de autores que mencionei nos parágrafos anteriores, fez uma observação definitiva sobre o desvio imperdoável de ver educação como mercadoria:

  • É comerciante quem busca satisfazer o gosto de seus clientes.
  • É professor quem busca contradizer e mudar o gosto de seus clientes. (p.27)

Tecnologias digitais e inteligência 2

junho 14, 2010

Publiquei no último post um artigo de Steven Pinker sobre relações entre usos da Internet e inteligência humana. A matéria guarda relação com assuntos quentes como:

  • multitarefa, a alegada capacidade dos jovens em processar simultanemanete diversas fontes de informação,
  • geração Y, uma suposta geração cuja estrutura de pensamento, dados usos das novas mídias, é substanciamente diferente da estrutura de pensamento das gerações anteriores,
  • psicologia evolutiva, a teoria que sugere que nossas estruturas mentais já estão prontas desde o berço, uma vez que surgiram como efeito da evolução,
  • determinismo genético, doutrina que diminui consideravelmente papel de influências sociais sobre o comportamento humano.

Os assuntos quentes a que me referi no parágrafo anterior geralmente são vistos pela rama nos círculos dos tecnófilos, gente tão entusiasmada por máquinas e equipamentos que não tem tempo para considerar dimensões sociais, psicológicas, culturais e sociais da vida humana. Minha conversa neste post tem como alvo justamente os tecnófilos. Acho que faço um esforço vão. Por motivos explicados por Nicholas Carr no texto que segue, essa gente não vai ler nada do que está escrito aqui. Paciência.

O texto de Pinker, publicado anteriormente, contesta idéias de Nicholas Carr. Assim que saiu o artigo do professor de Harvard, Nicholas elaborou uma réplica. É possível que Pinker retruque (espero que não, pois não poderei ir traduzindo em tempo hábil a interessantre polêmica entre essas duas feras). No geral, concordo com Carr. Hora dessas publico um texto com minhas opiniões sobre o assunto. No momento, convém considerar as reflexões de Nicholas Carr. Elas aparecem a seguir, numa tradução que fiz num domingo de muitos jogos da Copa.

Steven Pinker and the Internet

June 12, 2010

Como alguém que apreciou bastante os livros de Steven Pinker e com eles muito aprendeu, fiquei desapontado ao ver o psicólogo da Harvard escrever, na edição de sexta do New York Times, uma coluna [column] sobre as verdadeiras preocupações das pessoas com a influência da Internet nas suas mentes e vidas intelectuais. Pinker parece desconsiderar evidências indicando que nosso uso intensivo da Net e mídias eletrônicas com ela relacionadas esteja talvez reduzindo a profundidade e rigor de nosso pensamento. O professor de Harvard vai longe, chegando a afirmar que tal mídia é “a única coisa que irá nos manter inteligentes”. E a evidência que ele oferece para apoiar sua afirmação precipitada consiste basicamente em opiniões e anedotas, inclusive uma piada muito boa de Woody Allen.

Uma coisa que não me surpreendeu foi a tentativa pinkeriana de rebaixar a importância da neuroplasticidade. Ao mesmo tempo em que ele reconhece que nossos cérebros se adaptam a mudanças ambientais, incluindo (pode se inferir) o uso de mídias e de outras ferramentas, fica implícito no seu texto que precisamos nos preocupar com as conseqüências dessas adaptações. Como todo tipo de coisas influencia o cérebro, ele argumenta de um modo estranho que não precisamos nos preocupar com as maneiras como qualquer coisa influencia o cérebro. Pinker, é bom ressaltar aqui, tem uma agenda oculta no caso. O crescente volume de pesquisas sobre a notável capacidade do cérebro adulto para se adaptar, mesmo no nível celular, às mudanças circunstanciais e às novas experiências desafia a fé de Pinker na psicologia evolutiva e na genética comportamental. Quanto mais adaptável for o cérebro, menos estaremos nós agindo de acordo com padrões comportamentais impostos por nossa herança genética.

Em Adapting Minds, crítica épica ao ramo popular da psicologia evolutiva esposada por Pinker e outros, David J. Buller argumenta que a evolução não “planejou um cérebro que consiste em numerosas adaptações prefabricadas”, como sugere Pinker, mas é muito mais um órgão capaz de “se adaptar às demandas do ambiente local através do tempo de vida de um indivíduo, e algumas vezes no período de dias, formando estruturas especiais para fazer frente a tais demandas “.  Para entender o desenvolvimento do pensamento humano, e a influência das influências externas sobre esse pensamento, precisamos levar em conta o arranjo genético fundamental do cérebro – chamado de capacidades de processamento de informações básicas por Pinker – e o modo pelo qual nossa constituição genética facilita mudanças em processo no arranjo cerebral.

No tópico neuroplasticidade, Pinker sugere que fala em nome de todos os neurocientistas. Ao se confrontar com sugestões de que “a experiência pode mudar o cérebro”, ele escreve que “os neurocientistas levantam as sobrancelhas”. Preocupo-me quando um cientista sugere que sua visão sobre um tema controverso é compartilhada por todos os seus colegas. Fico me perguntando também se Pinker leu as reportagens [reports ] sobre os efeitos cognitivos da Net  publicadas no Times semana passada., nas quais diversos pesquisadores importantes  do cérebro revelam visões que conflitam com a dele. Aqui estão alguns exemplos:

“A tecnologia está reestruturando nossos cérebros”, disse Nora Volkow, diretora da agência National Institute of Drug Abuse e uma das mais importantes cientistas do cérebro em todo o mundo.

A continua interatividade é uma das características mais significativas de mudanças no mundo humano, disse Adam Gazzaley, um neurocientisata da University of California, San Francisco. “Estamos expondo nossos cérebros a um ambiente e pedindo-lhes para fazer coisas cuja natureza necessariamente não corresponde às capacidades que desenvolvemos evolutivamente”, disse ele. “Já sabemos quais são as conseqüências”…

Clifford Nass, professor de Standford, diz que estudos de sua universidade [sobre multitarefas mediáticas] são importantes porque mostram efeitos (cognitivos) duradouros das multitarefas. “A parte amedrontadora é a pessoas como Kord [sujeito de uma das pesquisas] vêem-se impossibilitadas de anular suas tendências multitarefas quando estão executando tarefas que não as exigem.

Num ensaio [essay] curto, publicado semana passada no website do Times, Russell A. Poldrack,  diretor do Imaging Research Center e professor de psicologia e neurobiologia na University of Texas at Austin, escreveu: “Nossa pesquisa  mostrou que as multitarefas podem ter um efeito pernicioso sobre a aprendizagem, mudando de tal maneira os sistemas cerebrais envolvidos que, mesmo que alguém possa aprender em situações de multitarefas, a natureza da aprendizagem é alterada para ficar menos flexível. Esse efeito é particularmente preocupante, dado o crescente uso de diferentes aparelhos pelas crianças durante o estudo”.

Como aponto em meu novo livro, The Shallows, outros investigadores da mente também acreditam, ou pelo menos manifestam preocupação, de que o uso de mídias digitais está causando efeitos profundos, não necessariamente benéficos, em nossas maneiras de pensar. Cito, por exemplo, o eminente neurocientista Michael Merzenich, que vem estudando a capacidade de adaptação do cérebro dos primatas desde os anos de 1960. Ele acredita que os humanos estão sendo “remodelados” significativamente pelo uso da Net e outras mídias modernas.  Maryanne Wolf, uma psicóloga do desenvolvimento da Universidade de Tufts, teme que a mudança da leitura de imersão. baseada em páginas, para leituras com alto teor de distração, baseadas em telas, possa impedir o desenvolvimento de circuitos neuronais especializados para tornar possível leitura profunda, ricamente interpretativa. Podemos nos converter em meros “decodificadores” do texto.

Pinker pode discordar de todos esses pontos de vista, mas ignorá-los é um erro.

Pinker também luta contra um espantalho. Em vez de discutir os argumentos de seus opositores, ele os reduz a caricaturas com o objetivo de desqualificá-los. Ele escreve, por exemplo, que ”a existência da neuroplasticidade não significa que o cérebro é uma massa informe de argila moldada pela experiência”. Quem exatamente Pinker acredita que está propondo tal idéia – John Locke? Não conheço ninguém que esteja propondo que o cérebro é uma massa sem forma de argila. O que estão dizendo é que o cérebro, embora seja obviamente um produto da evolução assim como qualquer outra parte de nosso corpo, não está geneticamente fechado em modos rígidos de pensar e agir. Mudanças em nossos hábitos de pensamento ecoam através dos caminhos neurais, para o bem e para o mal.

Em outros casos, Pinker utiliza generalizações para encobrir sutilezas. Á certa altura ele escreve: “se os meios eletrônicos fossem prejudiciais para a inteligência, a qualidade da ciência deveria estar afundando”. A inteligência humana assume muitas formas. Os meios eletrônicos podem melhorar certos aspectos de nossa inteligência (a habilidade para identificar padrões de cores em conjuntos de dados visuais, por exemplo, ou descobrir fatos pertinentes, ou colaborar à distância) e ao mesmo tempo desagregar outros (a habilidade para refletir sobre nossas experiências, ou capacidade para nos expressarmos numa linguagem sutil, ou ler narrativas complexas criticamente). Declarar que a “inteligência” pode ser medida por um único sistema é uma forma de obscurecer em vez de iluminar.

Pinker observa que “décadas de televisão, rádios portáteis e vídeos de rock foram também décadas nas quais os níveis de QI cresceram continuamente”. Na verdade, como o cientista político James Flynn documentou originalmente, os resultados gerais de QI vem crescendo de modo constante desde os inícios de 1900, por isso devemos ficar preocupados quando se vincula esta tendência de longo prazo com a recente popularidade de qualquer tecnologia específica ou mídia. Além disso, como o próprio Flynn teve o cuidado de apontar, a melhoria do QI é grandemente atribuída a crescimento nas medidas de acuidade e abstração na solução de problemas, tais como na rotação de formas geométricas, na identificação de semelhanças entre objetos dessemelhantes, e no arranjo de formas em sequências  lógicas. Essas habilidades certamente são muito importantes, mas, como descrevo em The Shallows, medidas de outros componentes da inteligência, como habilidade verbal, vocabulário, aritmética básica, memorização, leitura crítica e conhecimento geral, ficaram estagnadas ou estão em declínio. Ao advertir que não é adequado chegar a conclusões amplas sobre inteligência com base no crescimento das mediadas de QI, Flynn escreveu, em seu livro   What Is Intelligence?, “Como as pessoas podem ficar mais inteligentes sem ter um vocabulário mais amplo, sem armazenar mais amplamente informação geral, sem ter grande habilidade para resolver problemas aritméticos?”.

Pinker deixa a ciência e volta-se para as humanidades, sugerindo que a vida cultural nunca foi tão rica, uma conseqüência, aparentemente, das maravilhas das mídias digitais. Como evidência disso, ele chama a atenção para o número de histórias aparecidas no website Arts & Letters Daily. Basta dizer que outros indicadores sobre profundidade e riqueza da vida cultural mostram justamente o contrário.

Pinker faz também diversas observações que, embora acuradas, negam a verdade central de seu argumento. Ele escreve, por exemplo, que “os efeitos da experiência são altamente específicos para a própria experiência. Se você treinar pessoas para fazer alguma coisa (reconhecer formas, resolver quebra-cabeças de matemática, encontrar palavras ocultas), elas se tornam muito boas na habilidade treinada, mas o resto continua inalterado”. Bem, é isso mesmo, e é por essa razão que muitos de nós estamos profundamente preocupados com a devoção cada vez maior da sociedade para com a Net e outras mídias baseadas em tela. (O americano médio agora passa mais que oito horas por dia com os olhos voltados para telas, enquanto dedica apenas cerca de vinte minutes diários lendo livros ou outros materiais impressos). Não é difícil concluir, ou pelo menos suspeitar, que nós estamos estreitando o escopo das nossas experiências intelectuais. Nós estamos nos treinando, por meio de repetição, a sermos ágeis leitores superficiais, esquadrinhadores e processadores de mensagens – habilidades importantes, sem duvida. Mas, perpetuamente distraídos e interrompidos, não estamos nos treinando para modos mais silenciosos, mais atentos de pensar por meio de contemplação, reflexão, introspecção, leitura profunda, e assim por diante.

E há mais isso no texto de Pinker: “Multitarefas genuínas também foram marcadas como um mito, desfeito não apenas por estudos de laboratório, mas também pela visão familiar de uma van esportiva ondulando entre a faixas da estrada enquanto o motorista bate papo no seu celular”. É precisamente isto. Por essa razão muitos especialistas em mujltitarefas estão preocupados com a prevalência das mesmas. As pessoas podem pensar, na medida em que fazem malabarismos com emails, textos, twittes, atualizações, buscas no Google, olhadas em páginas da web, e várias outras tarefas mediáticas, que estão usando de modo competente diversas coisas ao mesmo tempo, mas o que estão realmente fazendo é altenar constantemente diferentes tarefas, e pagando os custos cognitivos que acompanham essa gangorra mental. Como Steven Yantis, professor de psicologia e ciências do cérebro em John Hopkins, disse [told] no Times:

Além do custo da mudança, cada vez que vai e volta de uma tarefa para outra, você precisa se recordar onde estava na tarefa anterior, e no que estava pensando.  Se as tarefas forem complexas, é possível que você esqueça alguns aspectos do que estava pensando antes de mudar, o que requer que você revisite algum aspecto da tarefa que talvez já estivesse resolvido (por exemplo, você talvez tenha que reler o último parágrafo de um texto que estava lendo). Pensamento profundo a respeito de um tópico complexo pode se tornar quase que impossível.

O fato de que as pessoas batem papo ao celular enquanto dirigem perigosamente não deve nos tornar menos preocupados com relação aos efeitos cognitivos das distrações da mídia; isso deve nos deixar mais preocupados [NT: além de nos deixar com muito medo quanto à segurança no trânsito].

E depois há esta outra pérola no texto de Pinker: “Hábitos de profunda reflexão não surgem naturalmente, pois exigem pesquisa bem estruturada e pensamento rigoroso”. Exatamente. E há outra causa para preocupação. Nossos hábitos mentais mais valiosos – os hábitos de pensamento profundo e focado – precisam ser aprendidos, e para aprendê-los é preciso praticá-los, regular e atenciosamente. E é isso que nossas vidas continuamente conectadas e de constante distração estão nos roubando: o encorajamento e a oportunidade de praticar introspecção e outros modos de pensamento contemplativo. Mesmo a pesquisa formal está assumindo a forma de “poder de navegação”, em vez de estudo minucioso e atento. Patricia Greenfield, professora de psicologia do desenvolvimento na UCLA, advertiu, num artigo publicado na Science ano passado, que nosso crescente uso de mídias baseadas em tela parece estar enfraquecendo “nossos processos cognitivos superiores”, incluindo “vocabulário abstrato, reflexões bem fundamentadas, solução de problemas indutivos, pensamento crítico e imaginação”.

Devemos celebrar, junto com Steven Pinker, os muitos benefícios que a Net e tecnologias com ela relacionadas nos trouxeram. Certamente me alegrei com esses benefícios nos últimos vinte anos. E precisamos prestar atenção no conselho de buscar “estratégias de autocontrole” para escapar das qualidades de distração e propensão para criar dependência das novas mídias.  Mas não devemos compartilhar a complacência de Pinker quando se trata dos efeitos perniciosos da Net, e certamente não devemos ignorar a enorme evidência de tais efeitos.

Não tenho dúvida de que Pinker um dia vai escrever uma crítica convincente, bem pensada e equilibrada de ceticismo quanto à Internet. Aguardo ansiosamente para ler tal artigo.

LINK DE BONUS: Caso não tenha ficado claro, confesso minha convicção de que as declarações mais agressivas da psicologia evolutiva são redutivistas, não convincentes e até ofensivas. Para uma consideração incisiva e até mesmo brutal sobre os limites do ponto de vista de Pinker, especialmente no campo cultural, recomendo a resenha [review] de The Blank Slate, feita por Louis Menand e publicada em 2002 na New Yorker. Sou um tipo de connoisseur de frases ferinas , e Menand  cunhou uma muito boa: “A insistência em depreciar a eficácia da socialização leva Pinker a absurdos que ele  desfila com uma festividade que seria charmosa se sua auto-estima não fosse tão hiper-desenvolvida.

Posted by nick at June 12, 2010 07:11 PM

Tecnologias digitais e inteligência

junho 13, 2010

Há um temor de que usos intensivos das novas tecnologias causem danos á inteligência dos usuários. Manifestações desse temor aparecem em comentários a prejuízos que estão acontecendo por causa da brevidade do Twitter, dos erros de sintaxe que aparecem em mensagens publicadas nos diversos ambientes de mídias sociais, nas práticas de buscas da Internet que dispensam leituras aprofundadas etc.

Um artigo que aborda a questão é Is Google Making Us Stupid?, de Nicholas Carr. No texto o autor mostra que está ocorrendo uma profunda mudança em hábitos de leitura. Ele sugere que tal mudança, caracterizada por incapacidade de mergulhar em textos e pela constante alteração de foco deve-se ao uso da Web. O artigo de Carr merece atenção. Ao lê-lo descobrimos que todos nós flanamos pela Internet sem nos concentrarmos em nada. É mais apropriado dizer que vemos as informações na Internet, em vez de lê-las.

Mais recentemente, outro analista dos meios de comunicação, Clay Shirky,  fez observações interessantes sobre o que anda ocorrendo. Veja o que ele escreveu em Does Internet Make You Smarter?.

Numa outra oportunidade comentarei com mais vagar os artigos de Carr e Shirky. No momento, estou interessado em divulgar opinião de Steven Pinker sobre o assunto.

Steven Pinker é autor de um livro de leitura obrigatória, The Language Instict. Li a obra há bastante tempo e fiquei impressionado com o estilo limpo e claro de Pinker colocando em pratos limpos um saber instigante, linguística. Li outros livros do autor, mas, nenhum deles chega perto da força do Instinto da Linguagem (ah! há tradução da obra para o português).

Fiquei sabendo de meu amigo Bernie Dodge, no Twitter, que Steven Pinker escreveu um pequeno artigo sobre a questão das novas mídias e inteligências. Li a matéria e, num impulso, resolvi traduzí-la. A tradução não está um primor, mas acho que dá conta do recado. Publico-a aqui para os interessados. Comentários sobre o tema e a tradução serão muito bem-vindos.

Mind Over Mass Media

By STEVEN PINKER

Novas formas de mídia sempre causaram pânico moral: a imprensa, as revistas populares e a televisão foram todas elas denunciadas como ameaças ao poder cerebral e à integridade moral de seus consumidores.

A mesma coisa acontece com as tecnologias eletrônicas. Muita gente diz que o Powerpoint, está reduzindo o discurso a frases curtas precedidas de bolinhas ( is reducing discourse to bullet points.); que  os motores de busca rebaixam nossa inteligência, encorajando-nos a ficar na superfície do conhecimento em vez de mergulhar nas profundidades do mesmo; que   o Twitter está encolhendo nosso tempo de atenção ( is shrinking our attention spans).

Mas tais pânicos muitas vezes não se justificam se levarmos em conta constatações de realidade. Quando as histórias em quadrinho foram acusadas de converter os jovens em delinqüentes nos anos de 1950, as estatísticas do crime estavam registrando queda significativa; denúncias do mesmo tipo contra vídeo games nos anos de 1990 aconteciam numa época de grande declínio no número de crimes nos EUA. As décadas da televisão, dos rádios portáteis e dos vídeos de rock foram também décadas nas quais os níveis de QI subiram continuamente.

Para uma verificação da realidade nos dias de hoje, tomemos o caso da ciência, atividade que requer um trabalho cerebral que pode ser medido claramente por benchmarks da descoberta. No nosso tempo, os cientistas nunca estão longe de seus emails, raramente utilizam papéis e, para suas exposições, não podem ficar sem Powerpoint. Se os meios eletrônicos fossem prejudiciais para a inteligência, a qualidade da ciência estaria afundando. Mas, pelo contrário, as descobertas estão se multiplicando como drosófilas e o progresso é vertiginoso. Outras atividades na vida da mente, como filosofia, história e crítica cultural, estão florescendo da mesma maneira, como qualquer um que tenha dedicado uma manhã em consultas á página Arts & Letters Daily pode constatar.

Críticos das novas mídias às vezes usam a ciência para reforçar seus argumentos, citando pesquisas que mostram “como a experiência pode mudar o cérebro”. Mas, os neurocientistas  levantam as sobrancelhas quando diante de tais conversas. Sim, cada vez que aprendemos um fato ou uma habilidade nossas estruturas cerebrais mudam; as coisas não se passam como se as informações fossem armazenadas no pâncreas. Mas a existência da neuroplasticidade não significa que o cérebro é uma massa de argila cuja forma é moldada pela experiência.

A experiência não modifica as capacidades básicas de processamento de informação do cérebro. Os programas de leitura dinâmica tempos atrás declaravam que faziam justamente isso, mas o julgamento de tal reivindicação foi bem expresso por Woody Allen depois que ele leu “Guerra e Paz” dinâmicamente e afirmou que a única coisa que ficara no final era: “É um romance sobre a Rússia”.  Multitarefas genuínas também foram marcadas como um mito, desfeito não apenas por estudos de laboratório mas também pela visão familiar de uma van esportiva ondulando entre a faixas da estrada enquanto o motorista bate papo no seu celular [NT: provavelmente o autor se refere a alguma cena bem conhecida nos EUA].

Além de tudo, como mostraram os psicólogos Christopher Chabris and Daniel Simons em seu novo livro “The Invisible Gorilla: And Other Ways Our Intuitions Deceive Us,” os efeitos da experiência são altamente específicos para a própria experiência. Se você treinar pessoas para fazer alguma coisa ( reconhecer formas, resolver quebra-cabeças de matemática, encontrar palavras ocultas) , elas se tornam muito boas na habilidade treinada, mas o resto continua inalterado. A música não nos torna melhores matemáticos, conjugar em latim não melhora nossas capacidades de lidar com a lógica, treinamento em jogos cerebrais não nos torna mais espertos. [NT: se bem me lembro, na mesma linha e muitos anos atrás, Millor Fernandes declarou: “jogar xadrez desenvolve muito nossa capacidade... de jogar  xadrez”; essa tirada de nosso grande humorista buscava mostrar o equívoco de gente que costuma dizer que o jogo de xadrez desenvolve a inteligência geral]. Pessoas realizadas do ponto de vista intelectual não moldam seus cérebros com ginástica mental, elas mergulham em seus campos de saber. Romancistas lêem muitos romances, cientistas lêem muita ciência.

Os efeitos do consumo das mídias eletrônicas possivelmente são muito mais limitados do que certo pânico sugere. Críticos da mídia escrevem como se o cérebro assumisse as qualidades do que quer que seja que ele consome, sugerindo algo equivalente ao dito “você é o que você come”. Da mesma forma que povos primitivos imaginavam que comer animais ferozes iria torná-los ferozes, eles (os críticos) presumem que ver filmes violentos faz com que o cidadão fique violento, ou que a leitura de telas de Powerpoint faz com que os pensamentos  do leitor se convertam em relação de frases curtas precedidas por bolinhas.

Sim, a constante chegada de pacotes de informações pode ser algo distrativo e viciante. Mas distrações não são um fenômeno novo, especialmente em pessoas com desordens de atenção. A solução não é lamentar a existência da tecnologia mas desenvolver estratégias de auto-controle, assim como fazemos diante de qualquer tentação na vida. Desabilite email e Twitter enquanto você trabalha. Ponha seu Blackberry de lado durante o jantar, peça a sua mulher para chamá-lo para dormir num determinado horário.

E para encorajar profundidade, não se prenda ao Powerpoint ou ao Google. Hábitos de profunda reflexão não surgem naturalmente, pois exigem pesquisa bem estruturada e pensamento rigoroso. Tais hábitos devem ser adquiridos em instituições especiais, as universidades; e mantidos em constante atualização, um processo composto por análise, crítica e debate. Eles não são garantidos por meio de providência que coloque uma pesada enciclopédia na sua lapela, nem desaparecem por causa de eficiente acesso a informações na Internet.

A nova mídia “pegou” por uma razão. O conhecimento vem crescendo exponencialmente; o poder do cérebro humano e as horas em que permanecemos acordados, não. Felizmente, a Internet e as tecnologias da informação estão nos ajudando a gerenciar , buscar e recuperar nossa produção coletiva em diferentes níveis, do Twitter aos e-books e enciclopédias online. Longe de nos tornar estúpidos, essas tecnologias são as únicas coisas que irão nos manter inteligentes.

Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard, é autor de “The Stuff of Thought.”

Assim que acabei de postar esta matéria, li no Twitter do Bernie que Nicholas Carr escreveu há pouco uma resposta ao artigo do Pinker. Acabo de ver tal artigo, mas não o li como ele merece (afinal de contas são duas e meia da matina e preciso ir para o berço). Deixo aqui para os interessados o link para o  artigo-resposta de Carr:


Reformas educacionais de direita

junho 11, 2010

Não vou desenvolver o tema. Voltarei a ele quando tiver tempo. Escrevo este post apenas como uma lembrança. Os reformismos dos últimos anos, em quase toda a parte e em quase todas as dimensões da vida, são marcadamente de direita. No nosso caso, as necessidades de reforma sempre são pensadas como inciativas para diminuir direitos trabalhistas, precarizar emprego, desregulamentar o mercado (dar mais força ao capital) etc. Eu não tinha muito clareza quanto a isso. Acabei percebendo a natureza direitosa das reformas sociais em curso lendo análises de Diane Ravitch sobre as mudanças que vêm ocorrendo com a educação nos EUA.

Como disse, não vou desenvolver o tema. Uso este espaço apenas como recurso de memória para algo que devo fazer num futuro próximo. Por ora, interessados, poderão ver uma rápida análise da Diane na indicação que segue:

Arquitetos entendem de educação?

junho 10, 2010

Para incentivar conversas sobre arquitetura e educação, reproduzo, a seguir, um post da educadora portuguesa Helena  Damião, publicado no De Rerum Natura. Ela defende idéias que não frequentam mais o discurso pedagógico dominante. Mas, chamam a atenção para certo descompromisso dos tecnófilos com os modos humanos de aprender. Tenho muito mais o que dizer, mas acho que primeiro é bom ler a opinião da Helena.

“É esta a visão que a Parque Escolar tem para o ensino em Portugal.”

Não, não penso que a opinião formal sobre os assuntos que respeitam à Educação devam estar reservados a quem tem o diploma em Pedagogia, mas penso que essa opinião deve estar reservada a quem tem informação sólida na área da Pedagogia.

Se se opina sobre a aprendizagem ou sobre o ensino ou sobre outro assunto qualquer é preciso estar-se a par da teoria e da investigação que o esclarece, com especial destaque para a que se tem por certa no momento. É dessa informação que se retira a opinião.

Isto é tanto mais verdade quanto as opiniões têm efeitos práticos, tocam a vida das pessoas, podendo beneficiá-las ou prejudicá-as.

É assim na medicina, é assim na engenharia, é assim na educação.

Admito, pois, que uma pessoa formada em arquitectura possa ter uma opinião sobre educação. Mas, nas condições que referi e não noutras.

Não foi por acaso que me referi a esta profissão, mas por causa das declarações sobre a educação escolar feitas por uma pessoa que a exerce.

Entre as muitas ideias erradas patentes nessas declarações, caso o referido jornal não tenha cometido erros de transcrição, contam-se as seguintes:

- O ensino está a mudar, “hoje não se centra apenas no ministrar de conhecimento e competências básicas de professor para aluno”;

- A escola deve ser “descentrada da sala de aula, em que os alunos se espalham por espaços informais, com os seus computadores portáteis, cruzando-se com os professores na biblioteca e discutindo projectos”;

- “Hoje há uma evolução do conceito do ensino centrado no aluno para um ensino centrado no trabalho corporativo”.

Se a pessoa fosse uma vulgar arquitecta a trabalhar numa vulgar empresa, eu passaria à frente e não estaria, de certeza, a escrever este texto, mas acontece que esta pessoa é, nada mais nada menos, do que uma representante do conselho de administração da empresa Parque Escolar, que, efectivamente, por conta do governo, meteu “mãos à obra” e pôs essas ideias em prática.

Ora, tais ideias revelam uma concepção absurda e insustentável de ensino e de escola. Passo a explicar as minhas razões, que várias vezes já expliquei neste blogue:

- O ensino está a mudar como sempre esteve, ainda que, desejavelmente, mantenha o que lhe imprime identidade como actividade humana que é, e que o faz funcionar, de modo que os alunos aprendam. E o que lhe imprime identidade e eficácia é precisamente o facto de o professor “ministrar” (sim, ministrar, no sentido de fornecer, proporcionar…) conhecimentos aos alunos e, nessa tarefa, estimular as suas capacidades cognitivas e levá-los a adquirir princípios éticos e morais.

O ensino não tem de ir mais longe, porque o ensino é isto. Se os professores se conduzirem por esta concepção de ensino cumprem a sua função. Nobre função, acrescento, pois tem-nos permitido transmitir a nossa herança civilizacional e ampliá-la.

Por essa razão, o ensino, que é uma actividade formal e dirigida, não pode ser “descentrado da sala de aula”, que é o lugar privilegiado para os professores ensinarem e os alunos aprenderem. E isto porque os alunos não aprendem as matérias escolares sozinhos, nem uns com outros, nem com computadores, em qualquer lado, aprendem se e quando os professores os ensinarem, nos espaços e nos tempos adequados para tanto. Não basta, afirmo, que os alunos, individualmente ou em grupos, se “cruzem” com os professores para aprenderem.

Chegada ao fim deste texto, não posso deixar de perguntar: de que valem as linhas que escrevi, que são baseadas na investigação sobre o ensino e a aprendizagem que tenho por correcta, se é esta “a visão que a Parque Escolar tem para o ensino em Portugal” e que está a aplicar em cada escola onde intervém?

Posted by Helena Damião at 14:54

Memórias da sala de aula

junho 8, 2010

É moda registrar memórias da história recente. Quase sempre isso é feito por meio da história oral, muitas vezes registrada em textos ou vídeos. Aproveito a onda para divulgar aqui comentário feito por meu amigo Eduardo Sposito para o post Sala de Aula. O velho Edu, num texto muito bonito, conta um pouco de sua experiência no ensino primário. Veja essa beleza de história logo a seguir.

Jarbas,
E lá vou eu. Olhando as duas fotos, se eu tivesse que escolher, escolheria a escola do passado. Me parece dificil qualquer emoção naquela estrutura fria e de alta tecnologia. Seria a diferença entre entrar num boteco e num desses macdonalds da vida.
Se voce tiver aquela situação de um professor e 20 ou 40 alunos sentados durante 4 horas, tanto faz a parafernália tecnológica que voce usar: não se ensina nada.
Um aluno aprende, apesar da sala de aula, se houver outros componentes, outras relações que o estimulem. Me lembro de um monte de coisas da escola primária, mas muito pouco da sala de aula. Começava desde a saída de casa, a ida e a volta em grupos, os recreios, a merenda,as festas.
Só fui entrar no Grupo Escolar no 4º ano primário. O bairro em que eu morava – o Mandaqui, na zona norte de São Paulo – não tinha grupo escolar. Isso no começo da decada de 50.
Então fui alfabetizado na Escola da Dona Antonieta, que não era reconhecida oficialmente. Não lembro muita coisa, mas sei que me sentia muito bem e devo ter aprendido bastante, pois quando fui para uma escola oficial (que também era particular) já entrei no segundo ano.
(Essas escolas deviam ser baratas, pois meu pai era lavador de carro e estudavamos eu e minha irmã.)
Era a escola da Dona Mafalda, que também me deixou gratas recordações.
Sei até hoje a letra da música que nós cantávamos, com a melodia de “Oh! Suzana”
“Quando eu vim para essa escola
Tinha cabeça vazia
Não sabia tabuada, não escrevia e nem lia

Mas a minha professora foi aos poucos me ensinando
Hoje já sei ler no livro, já estou multiplicando

A escola é quase como o lar
E a nossa professora nós devemos respeitar”

E eu nem conhecia a musica americana. Pensei que ela imitava a que nós cantavamos na escola.
Uma das atividades escolares que mais gostava era a descrição: colocavam uma figura impressa num cartaz na parede e você tinha que inventar 20 frases sobre o que você estava vendo. Me lembro que a vigésima era sempre essa: “O céu está azul e muito bonito”.
Ah! e tem a poesia que a filha da Diretora, a Zilah declamou no sete de setembro. Começava assim:
“Sete de setembro, dia de novidade
duas moças carecas passeando na cidade..”

E voce acha que a gente ia estar preocupado com as carteiras.

Só em 1955 é que fui fazer o quarto ano num Grupo Escolar do Estado, pra receber o diploma. Lembro até hoje o nome da Professora: Lauricilda B. Carvalho. E tem a tradicional foto com o Mapa do Brasil atrás e a foto de formatura com a turma toda.
A escola porém ficava em outro bairro – Agua Fria – a uns dois quilometros de casa e a gente ia a pé. Lembro de um dia que achei um relógio de pulso e passei a usar.
Tem uma cartilha dessa época que tem uma quadrinha, mais ou menos assim : “Achei um relógio, gritava Janjão
Pulando e cantando com ele na mão”

Deve ter havido aquelas aulas chatas, mas não me lembro.
A criançada que frequentar aquela escola modernosa acho que não vai passar por isso.

Edu

Escola no século XXI

junho 8, 2010

Registro aqui, sem comentários, mais uma passagem de School, grande livro de Catherine Burke e Ian Grosvenor sobre arquitetura e educação.

Se continuarem a existir no século XXI, as escolas precisarão ser lugares mais inclusivos, mais criativos e mais atentos do ponto de vista humano do que foram até agora, tanto para aqueles que nela ensinam como para aqueles que devem frequentá-las. (p. 159)


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